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Quando os garotos chegaram finalmente às barracas, ninguém estava com vontade de dormir e, dado o nível da barulheira, a toda volta, o Sr. Weasley concordou que podiam tomar, juntos, uma última xícara de chocolate, antes de se deitar.

Logo estavam discutindo prazerosamente a partida; o Sr. Weasley se deixou envolver por Carlinhos em uma polêmica sobre jogo bruto, e somente quando Gina caiu no sono em cima da mesinha e derramou chocolate quente pelo chão que o pai deu um basta nas retrospectivas verbais e insistiu que todos fossem se deitar.

Gina, Hermione e Ártemis se transferiram para a barraca ao lado. Ao chegarem, Gina murmurou um boa noite para as garotas e se jogou na cama, dormindo instantaneamente.

Hermione puxou o zíper da barraca, deixando entrar um leve sopro da noite fria, e se sentou na beirada da cama. Ártemis já estava lá, reclinada contra o travesseiro, observando-a com aquele olhar atento que fazia Hermione se sentir desconfortavelmente exposta.

- Você gostou mesmo da partida, não foi? - Ártemis perguntou, com um tom casual, mas os olhos brilhando como se já soubesse a resposta.

- Claro que gostei - Hermione respondeu, sentando-se na cama. - É fascinante como eles conseguem fazer aquilo, mesmo que eu ache um pouco... perigoso.

- Perigoso? - Ártemis arqueou uma sobrancelha, desafiadora. - Você está falando com alguém que já pegou o pomo de ouro mergulhando direto em um gramado.

- Então você é louca, basicamente. - Hermione tentou soar leve, mas a ideia de Ártemis se arriscando daquela forma lhe causou um aperto inesperado.

Ártemis riu, uma risada baixa e provocadora.

- Louca? Não. Apenas alguém que sabe o que quer e vai atrás.

- Nem sempre é sobre o que você quer - Hermione murmurou, desviando o olhar para a mesa no canto da barraca. - Às vezes, há outras coisas em jogo.

- Verdade. - Ártemis inclinou a cabeça, observando-a de perto. - Como você, por exemplo. Sempre tão focada em fazer o que é certo, que quase nunca pensa no que deseja.

Hermione virou o rosto para encará-la.

- E como você sabe o que eu desejo?

Ártemis sorriu, lento e cheio de confiança, como se estivesse esperando exatamente por essa pergunta.

- Porque eu te observo, Granger. Mais do que deveria, talvez.

O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de algo que Hermione não sabia nomear, mas sentia em cada centímetro de seu corpo.

- Você está brincando - ela murmurou, tentando quebrar a tensão.

Ártemis se inclinou para frente, os olhos fixos nos dela.

- E se não estiver?

Hermione abriu a boca para responder, mas não conseguiu. Porque, de repente, o espaço entre elas parecia pequeno demais, e a única coisa que ela conseguia ouvir era o som de sua própria respiração. Já havia beijado Ártemis diversas vezes, mas em nenhuma delas sentiu o que estava sentindo agora. Estava a tanto tempo sem tocar nela que agora estava insegura?

Ártemis não desviou o olhar, e Hermione sentiu o peso daquela intensidade cair sobre ela como uma onda. Por um instante, tudo o que Hermione queria era fugir, dizer algo inteligente e voltar ao controle da situação. Mas as palavras não vinham.

- Não precisa responder agora - disse Ártemis, em um tom que soava mais como um desafio do que um recuo. - Só pense nisso. Pode parecer que só quero usar você, Granger, mas eu realmente reparo em quem você é.

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora