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Ártemis corria em direção à Torre Norte, onde, no alto de uma estreita escada em caracol, uma escada de mão prateada levava a um alçapão no teto e à sala em que morava a Professora Sibila Trelawney.

O já conhecido perfume doce que saía da lareira veio ao encontro da garota quando ela chegou ao topo da escada. Como sempre, as cortinas estavam fechadas; e a sala circular, banhada por uma fraca luz avermelhada projetada por várias lâmpadas cobertas por lenços e xales.

– Meus queridos, está na hora de estudarmos as estrelas – dizia ela. – Os
movimentos dos planetas e os misteriosos portentos que eles revelam somente àqueles que compreendem os passos da coreografia celestial. O destino humano pode ser decifrado pelos raios planetários que se fundem...

Quando notou a presença de Ártemis, abriu um sorriso.

— Vamos, entre querida! — ela gesticulou com as mãos, a convidando para entrar.

Ártemis caminhou entre as cadeiras e pufes forrados de chintz, já ocupados, e se sentaram à mesma mesinha redonda, ao lado de Harry e Rony.

Rony continuou olhando para Ártemis, e ela não conseguia ignorar o desconforto crescente. Ela sentia os olhos dele sobre ela, pesados, como se estivesse tentando decifrar algo que não queria entender. O resto da sala parecia distante, o murmúrio da Professora Trelawney se tornando um som distante.

Finalmente, não aguentando mais o peso do olhar, Ártemis se virou para ele e, com um suspiro, perguntou, ainda mantendo a calma:

— O que foi, Rony? Por que está me olhando assim?

Ele hesitou, os dedos batendo na mesa nervosamente. Olhou para ela por um momento antes de perguntar, com a voz baixa, mas firme:

— É... é verdade o que dizem por aí?

Ártemis franziu a testa, surpresa pela pergunta, mas logo entendeu. Rony estava se referindo aos boatos sobre ela e Hermione. A expressão dele misturava confusão e frustração, como se ainda não conseguisse acreditar no que ouviu, apesar de Hermione já ter falado que não passava de fofoca.

Ela suspirou mais uma vez, agora com um olhar sério.

— Eu já sabia que iam espalhar mentiras, mas se quer saber, Rony, não é verdade. Nunca foi.

A resposta de Ártemis foi direta, sem rodeios. Ela o encarou, tentando transmitir sinceridade, e por um momento, o olhar dele suavizou. No entanto, o embaraço estava claro em seu rosto, como se ele não soubesse como reagir.

Ela se recostou levemente na cadeira, cruzando os braços enquanto observava a Professora Trelawney com um olhar cético. Nunca fora grande fã de Adivinhação—não que não acreditasse no poder das estrelas, mas porque as previsões de Trelawney sempre lhe pareciam teatrais demais.

— Hoje, usaremos nossos mapas astrológicos para interpretar as influências planetárias sobre nossos destinos — anunciou a professora, puxando um pergaminho enrolado de dentro de suas vestes esvoaçantes. — Marte está em conjunção com Saturno, um presságio de desafios e transformações iminentes!

Rony trocou um olhar exasperado com Harry e Ártemis e murmurou:

— Lá vem ela de novo com essa história de desgraça iminente.

Harry reprimiu um sorriso, mas Ártemis não conteve a risada baixa.

— Srta. Grindelwald! — Trelawney exclamou, apontando um dedo ossudo para ela. — Ah… vejo sombras em seu caminho, minha querida. Vejo provações à frente… perigos invisíveis, mas que testarão sua alma.

A Sonserina arqueou uma sobrancelha.

— Isso parece mais um dia comum em Hogwarts.

Algumas risadas abafadas ecoaram pela sala, mas Trelawney ignorou, fechando os olhos dramaticamente.

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora