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Ártemis Grindelwald point of view

No sábado que antecedeu a primeira tarefa, todos os estudantes do terceiro ano, e acima, tiveram permissão para visitar o povoado de Hogsmeade. Era um alívio momentâneo para o nervosismo que crescia em torno do Torneio, e eu pretendia aproveitar ao máximo.

Quando desci para a sala comunal da Sonserina, encontrei Blaise Zabini afundado em uma das poltronas, com um livro no colo e a expressão entediadamente refinada de quem claramente se achava melhor do que todo mundo ao redor - o que, honestamente, ele meio que era.

Perfeito. Exatamente quem eu precisava.

Me aproximei com passos leves, mãos nos bolsos, e parei ao lado dele.

- Isso aí tem feitiços obscuros ou diagramas de como arruinar o dia de alguém? - perguntei com um sorriso de canto.

- História da Magia Sombria: Teoria e Aplicações. - Ele respondeu sem olhar pra mim, virando a página com elegância. - Estou revisando para... prazer pessoal.

- Hm, intelectual com sede de poder. Admiro. - Me joguei na poltrona ao lado com a naturalidade de quem não precisava pedir licença. - Mas hoje, tenho uma proposta mais prática.

Ele finalmente ergueu os olhos, estudando meu rosto com aquela calma sonserina quase cínica.

- Isso já soa como encrenca.

Inclinei a cabeça e sorri mais abertamente.

- A alguns dias, eu, Fred e George vínhamos trabalhando em algo. Uma coisinha especial para o nosso querido Draco Malfoy...

Blaise arqueou uma sobrancelha, interessado.

- "Querido" é uma palavra forte.

- É sarcasmo, querido. Achei que fosse óbvio. - Apoiei o cotovelo no braço da poltrona e encostei o queixo na mão. - Vamos dizer que... depois de um certo episódio, eu senti uma súbita vontade de arrumar um probleminha capilar pro nosso príncipe loiro.

- Você quer que eu troque o shampoo dele - disse ele, direto, como se estivesse narrando o óbvio. ─ Ou algo assim. Estou certo?

- Nossa, como você é rápido. Deve ser todo esse prazer pessoal com livros de magia sombria. - Pisquei. - Só preciso que você coloque um frasco no lugar do dele. Idêntico, mas com um pequeno encanto. Discreto e humilhante. Nada que te incrimine, claro. Eu sou boazinha assim.

Ele me encarou por um segundo longo, depois fechou o livro com um estalo leve.

- Considerando que Malfoy me irrita dia sim, dia também... estou ouvindo.

Sorri como quem acaba de mover a primeira peça do tabuleiro.

- Isso é o que eu gosto em você, Zabini. Um senso de justiça... peculiar.

Aproveitei o momento de silencio calculado dele para esticar as pernas e mudar de assunto com a casualidade de quem planeja coisas perigosas como quem pede chá.

- Vai a Hogsmeade hoje?

Blaise deu de ombros.

- Talvez. Ainda estou decidindo se vale a pena enfrentar a aglomeração de adolescentes histéricos por uma cerveja amanteigada e um bombom duvidoso.

- Tão dramático. - Revirei os olhos. - Eu ia te chamar pra ir comigo... mas vou com a Hazel.

O olhar dele endureceu por um milésimo de segundo. Não muito - Blaise era mestre em esconder reações - mas o suficiente pra eu perceber.

-Ah - ele disse, de forma neutra demais pra ser realmente neutra. - A Hazel.

-É. - Dei um sorrisinho e fiquei brincando com um fio solto da minha manga. - Lembra dela, né? Cabelo preto, olhos de "não me enche", lema de vida: "solteiro mas bem acompanhado"? A garota que partiu o seu coração e nem percebeu?

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora