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Parece que virou costume atrasar. Mas acreditem, eu não paro de trabalhar nisso. Perdoem os erros, revisei três vezes, mas ainda assim.


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Ártemis Grindelwald point of view

Eu estava presa. Cordas invisíveis me imobilizavam, ainda firmes, firmadas pela vontade maligna daquele homem. Mas meus olhos, livres, não perdiam nada.

Voldemort examinava o próprio corpo com um ar de fascinação doentia. Seus dedos eram longos demais, pálidos demais, quase translúcidos à luz fraca. Pareciam aranhas andando sobre a pele fina do peito, dos braços, do rosto. Seus olhos vermelhos brilhavam - fendas de gato sob a noite escura. A forma como acariciava sua varinha fazia meu estômago revirar. Era um gesto íntimo, como quem reencontra um velho amor.

Ele apontou para Rabicho - e num segundo, o corpo pequeno e trêmulo do servo foi guindado no ar e atirado contra a lápide de mármore. A mesma à qual Harry estava preso.

Eu me encolhi involuntariamente. O som do impacto, o choro de Rabicho, a maneira como Voldemort riu... Era tudo tão errado. Como se o próprio mundo tivesse sido desfigurado.

─ Milorde... ─ choramingou Rabicho, o sangue escorrendo do toco de braço. ─ Milorde... o senhor prometeu... o senhor prometeu...

─ Estique o braço ─ disse Voldemort, casualmente.

─ Ah, meu amo... obrigado, meu amo...

Rabicho esticou o toco e Voldemort riu.

─ O outro braço, Rabicho.

O desespero no rosto dele era inegável. Mesmo ali, acorrentada, presa, senti um calafrio quando a manga foi puxada, revelando a tatuagem vermelho-vivo: a Marca Negra. A marca que pairara no céu, aquele símbolo que nos assombrara desde a Copa Mundial. Agora eu a via de perto. Ardendo. Viva.

Voldemort pressionou a marca com seu dedo branco.

Harry estremeceu. A cicatriz dele devia estar queimando, como a dor que percorreu minha espinha. Rabicho gritou.

A marca escureceu.

Voldemort recuou, os olhos fixos no céu.

─ Quantos terão suficiente coragem para voltar quando sentirem isso? ─ sussurrou, quase com reverência. ─ E quantos serão bastante tolos para ficar longe de mim?

Ele começou a andar, passos de serpente, olhos farejando o ar. A cobra deslizou por entre os túmulos. E, no peito, meu coração batia mais rápido.

─ Você está em pé, Harry Potter, sobre os restos mortais do meu pai ─ sibilou Voldemort. ─ Um trouxa e um idiota... muito parecido com a sua querida mãe.

Meu olhar foi até Harry. Ele estava imóvel, preso à lápide, o rosto contraído pela dor, pela raiva.

─ Ela morreu tentando defendê-lo... e eu matei meu pai. Veja como ele se provou útil depois de morto...

Ele gargalhou, e eu odiei aquele som.

Voldemort começou a contar sua história - sobre a casa na colina, o pai trouxa, a mãe bruxa abandonada. Uma história que, de algum modo, não despertava compaixão, só mais medo.

─ ... vinguei-me dele, desse idiota que me deu seu nome... Tom Riddle...

Ele parou.

─ Me vejam só recordando minha história de família... ─ disse com desprezo. ─ Ora, ora, estou ficando muito sentimental... Mas veja, Harry! A minha família verdadeira está chegando...

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora