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Ártemis olhava confusa para o pergaminho em suas mãos. Não era para ela, mas estava endereçada à sua casa.  Não havia nome e nem nada que indicasse o autor da carta.

Ela abriu rapidamente.

Querida Catherine,

Não consigo deixar de pensar em você. Nunca deixei. Mas quando vi sua filha parada em minha frente, sentimentos vieram à tona. Ela não se parece quase nada com você, mas ainda sim é um pedaço de você.

Não posso me controlar quando tudo que sinto é saudade. Depois daquela noite, meu coração se partiu em mil. Te ver partir foi a das pior coisa que aconteceu comigo. Azkaban foi só um detalhe...

Não foi muito difícil descobrir onde você mora, Monstro é bom em encontrar pessoas. Só queria que ele fosse um pouco menos rabugento. Queria ter entregado pessoalmente, mas o ministério anda vigiando as corujas.
Tem muitas outras coisas que gostaria de te dizer, mas prefiro fazer isso pessoalmente. Por favor, venha me ver, tenho tanto a explicar.


                                                  Almofadinhas


Nenhuma palavra seria capaz de descrever a feição no rosto de Ártemis. Ela se jogou no sofá, ainda com a carta em sua mão.

— Mas o que... — ela colocou a mão em sua boca, completamente perplexa.

Como se por força do destino, a porta de entrada abriu de repente. Catherine Goldstein entrara na sala.

— Cheguei. Você nem imagina o caos no ministério... — ela suspirou alto, tirando os saltos pretos e delicados que usava. — Com a fuga de Black...

— Por que finge que não o conhece? — perguntou Ártemis, curiosa.

— Eu não o conheço... Quer dizer, estudei a vida dele, é meu trabalho, mas não o conheci pessoalmente.

— Pare de mentir! — exclamou ela, se levantando. — Olhe o que ele te mandou!

Ártemis estendeu a carta para sua mãe. O sangue pulsando em seu corpo. Ela odiava mentiras. Mais do que qualquer coisa.

Catherine pegou a carta, sua mão vacilando. Em seu rosto havia uma expressão de surpresa misturado com o choque.

— Isso não é o que parece...

— COMO NÃO? — berrou Ártemis. — É TUDO O QUE PARECE, NÃO É?

A mulher encarou os olhos azuis faiscantes da filha. Ela não vacilou, não sentia medo de sua filha. Não poderia. Catherine fechou os olhos por um segundo.

— Você não entende, Ártemis — respondeu firme. — É muito jovem para entender.

— Mas não para ouvir mentiras de minha própria mãe? — gritou, frustrada. — É só me contar!

— Não está pronta — disse ela, tão alto quanto Ártemis. — Você é só uma criança ingênua, Ártemis! Que pensa que pode conseguir tudo e qualquer coisa com a raiva que sente do mundo! — ela andou até a filha, e olhou para cima. — Mas vou te dizer, você não pode saber de tudo na hora que quer!

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora