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Precisei retirar esse capítulo por causa de um erro, mas ele não mudou nada!!

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O inverno em Koldovstoretz entrava pelas frestas das janelas como uma presença viva, branca e silenciosa. Ártemis já tinha parado de tentar afastar o frio. Ele era o único que parecia acompanhá-la desde que chegara ali, há 6 meses atrás.

As aulas começavam antes do amanhecer, e o castelo russo acordava envolto por uma névoa azulada. Havia algo diferente naquele lugar, os feitiços soavam mais densos, como se a magia fosse mais poderosa. Os alunos usavam mantos pesados e falavam baixo, como se temessem acordar as paredes.

Ártemis andava por aqueles corredores como se já os conhecesse. O sotaque russo dos colegas deixara de soar estranho, e o nome dela, "Grindevald", já não causava tanto espanto.

Às vezes, no silêncio entre uma aula e outra, ela ainda pensava em Hogwarts. Com um pouco de saudade, mas de um jeito diferente, como uma ferida aberta.

A carta que deixara para Hermione continuava gravada na cabeça dela, palavra por palavra. Nenhuma distância conseguiria apagar aquilo.

Koldovstoretz a mudava de pouco a pouco. A magia ali exigia mais do corpo, mais da mente. E quanto mais ela se aprofundava nos estudos de controle da energia obscura, mais percebia o quanto Gellert ainda vivia dentro dela não como lembrança, mas como uma força viva, esperando o momento certo para se manifestar.

Ela já não era a mesma garota que deixou a Inglaterra. E talvez nunca mais fosse.

O quarto que Ártemis dividia com Ekaterina Petrova ficava no último andar da ala leste. As paredes de pedra deixavam o frio entrar, e nem os feitiços de aquecimento pareciam dar conta.

Ela estava sentada na cama, com um livro russo aberto sobre o colo. As páginas antigas cheiravam a poeira e ervas secas. As letras cirílicas ainda embaralhavam em sua mente, mas ela tentava decifrar palavra por palavra, murmurando com sotaque hesitante.

- Я... я хочу... понять, - leu em voz baixa, tropeçando na pronúncia.

Um vento frio atravessou o quarto segundos antes de a porta se abrir. Ekaterina entrou, coberta de neve até os ombros. As luvas encharcadas pingavam sobre o chão de madeira, e o cabelo castanho colava no rosto.

- Você vai congelar de novo - comentou Ártemis, sem erguer o olhar do livro.

- E você vai ficar cega tentando entender russo arcaico sozinha - respondeu Ekaterina com o tom seco de sempre. O sotaque dela era o mais fácil de ser entendido, apesar de arranhar um pouco nas palavras em inglês, falava perfeitamente.

Ártemis levantou o olhar, um meio sorriso no canto da boca.

- É uma forma de tortura, admito.

Ekaterina bufou, largando as luvas na mesa.

- Você podia simplesmente pedir ajuda, Grindelwald.

- E estragar a diversão?

A russa arqueou uma sobrancelha, sem humor.

- Diversão não é a palavra que eu usaria.

O barulho do vento batendo nas janelas. Ekaterina acendeu a lareira com um movimento rápido da varinha, e a luz alaranjada dançou sobre o rosto de Ártemis.

Ela fechou o livro, olhando para as chamas como quem procura algo nelas.

- É só... difícil se sentir parte de algo novo. Ainda não me acostumei.

WICKED GAME | HERMIONE GRANGERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora