Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Hoje tinha baile na favela, e é claro que eu não queria ir por mil e um motivos. Mas uma certa pessoa estava falando na minha cabeça desde o momento em que cheguei do trabalho, cansada e só querendo um banho e uma cama quentinha.
Luiza não parava de me encher a paciência, dizendo que eu não poderia faltar a esse baile. Estranhava o fato de ela querer, tão urgentemente, ir ao baile, como se estivesse ansiosa por algo ou alguém.
— Por que você quer tanto ir a esse baile hoje? Tem alguém lá, por acaso, que você queira ver? — pergunto, cruzando os braços e me sentando na cama de Luiza. A mesma me olha como se tivesse sido pega no flagra, e aquilo só tornou a teoria que estava na minha cabeça cada vez mais concreta.
— Que? Al... alguém? Tá ficando doida, Isabel... eu, hein. Só quero me divertir um pouco — disse, me olhando nervosa, enquanto eu a observava desconfiada.
Já faz duas semanas que Luiza anda estranha pela casa, dando sorrisos para o celular como se estivesse flertando muito com alguém. Eu sabia que tinha um cara envolvido nisso, mas não sabia quem era e por que ela ainda não me contara nada sobre isso. Luiza sempre me contava sobre seus rolos e o que fazia com eles, mesmo que eu não quisesse saber de todos os mínimos detalhes.
— Você está estranha. Tem alguma coisa que você queira me contar? — pergunto de uma vez, vendo sua expressão de surpresa por um segundo, que logo ela disfarça.
— Quem está ficando doida é você, que está enxergando coisas onde não tem... Isabeeeel, vamos no baile hoje, por favor. Faz tempo que eu não te peço nada — diz a última frase juntando as mãos e fazendo uma carinha de cachorro abandonado que caiu da mudança.
— Não adianta fazer essa cara, porque eu não vou mudar de ideia. Você sabe muito bem quem vai estar lá, me controlando e vigiando tudo que eu faço. A única que vai aproveitar é você — bufo com raiva, lembrando daquele ser idiota.
— Agora você está toda bravinha, mas quando apareceu com o pescoço todo marcado depois de ficar trancada com ele naquela salinha, você não estava, né? — diz ela, gargalhando ao ver meu olhar mortal. Até hoje a idiota me zoa, mesmo já tendo passado mais de uma semana do ocorrido. — Ah, vai, Isabel! Qual é? Você só vai dançar e beber umas. Qual o problema nisso? Sem contar que você sabe muito bem o que aconteceu depois daquele dia, né?
Luiza relembra algo que eu estava tentando enterrar no fundo da minha memória, porque não gostava nem de pensar nisso.
— Eu me lembro muito bem do que aconteceu, ok, Luiza? Não precisa ficar me lembrando a todo momento. — Viro-me para o canto da parede, como se fosse dormir. Quem sabe assim ela me deixa em paz e desiste de ir para aquele lugar.
— Ah, fala sério, Isabel! Você vai ficar aí choramingando a noite inteira enquanto aquele troglodita se diverte com várias lá? — Apesar de não querer ir, uma pulga atrás da orelha começa a me incomodar, fazendo-me reconsiderar minha resposta. Meu coração palpita de raiva ao imaginar o idiota ficando com todas, enquanto eu nem posso sair direito. BM deixou bem claro que não queria me ver no baile. O motivo? Eu também não sei. Talvez seja para eu não vê-lo com suas amantes ou até mesmo esfregando sua mulher na minha cara, me lembrando de que sou só mais uma na vida dele.