Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
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Eu fiquei ali do lado de fora, encostada no portão, fingindo que mexia no celular enquanto, na verdade, prestava atenção em qualquer barulho que viesse da rua.
Não demorou muito.
O ronco alto de uma moto rasgou o silêncio do quarteirão, chamando a atenção de todo mundo. Era inconfundível. Meu estômago revirou antes mesmo de eu olhar. BM.
A moto veio em linha reta na minha direção e só parou a centímetros de mim, numa gracinha completamente desnecessária, como se fosse me atropelar de propósito. Dei um pulo pra trás por reflexo.
— Tá maluco, BM? — reclamei, com o coração acelerado.
Ele estava de short jeans, sem camisa, o corpo ainda levemente marcado pelo sol, tatuagens à mostra, como se soubesse exatamente o efeito que aquilo causava.
Uma pitada de ciúmes me atravessou ao imaginar as putas do morro babando no corpo dele em cima daquela moto, do mesmo jeito que eu estava fazendo agora. BM era um pedaço de mal caminho, isso eu não podia negar. Ele podia ter quem quisesse, quando quisesse, e era exatamente isso que me deixava com raiva.
Ele desceu da moto devagar, tirando o capacete e me encarando de cima a baixo, sem a menor pressa.
E foi aí que senti o olhar dele parar em mim.
Eu estava de short jeans um pouco curto e uma blusinha com decote. Nada demais — pelo menos pra mim. Mas, pelo jeito que o maxilar dele travou, pra ele era demais.
— Tu saiu de casa assim, Isabel — disse, com a voz carregada de reprovação.
Cruzei os braços, fingindo a maior naturalidade do mundo.
— Assim como? — perguntei, erguendo uma sobrancelha.
— Assim — ele fez um gesto vago com a mão, me olhando de novo, dos pés à cabeça. — Tu foi aonde com essa porra de pedaço de pano que você chama de roupa?
Uma ideia surgiu na minha cabeça, igualzinha às lâmpadas que aparecem sobre a cabeça dos personagens de desenho animado.
Eu ia provocar. Só um pouquinho.
— Eu só fui no mercado comprar umas coisas pro almoço, por quê? — respondi, dando de ombros.
— E tu foi com quem nesse caralho, hein? — perguntou, estreitando os olhos.
— Com a Luiza, BM. Não teve nada demais, se essa é sua preocupação… — fiz uma pausa estratégica. — Só uns dois homens que mexeram com a gente. Nada demais.
O efeito foi imediato.
— Como é que é, porra?! — ele elevou a voz, o corpo inteiro ficando tenso. — Nada demais uma porra. Quem é o filho da puta? Aonde é esse mercado, Isabel?
— Não foi nada demais, BM. Deixa pra lá — tentei minimizar, segurando o riso.
— Um caralho que eu vou deixar pra lá — rebateu, dando um passo à frente. — Me fala logo onde é esse lugar ou eu vou descobrir por conta própria.