Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
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Desde a hora que eu abri a boca e deixei escapar aquele quase-nada, eu já saquei: não tinha mais volta.
Não foi “eu te amo”. Nunca seria. Não teve flor, não teve porra nenhuma bonitinha.
Foi torto, seco, atravessado. Do meu jeito errado de falar as coisas.
Mas foi verdade.
Eu vi no olho dela. Vi na hora. Ela sentiu. Fingiu que não, lógico. Isabel sempre banca a forte, a dona da situação. Mas eu conheço essa menina mais do que devia. Conheço o silêncio dela quando algo bate fundo demais. Quando ela trava, quando não responde, quando só engole seco.
E isso me fodeu.
Porque eu não sou esse tipo de cara.
Eu não penso.
Eu não explico.
Eu não fico se abrindo.
Minha vida nunca foi feita pra dividir com ninguém. É outra fita. É correria, é problema, é gente errada confiando em mim pra coisa errada, é olho grande querendo me ver cair. Eu resolvo tudo no impulso, no instinto, no vai ou racha.
Sempre foi assim.
Só que com ela… tudo sai do eixo.
Quando eu desliguei aquela ligação mais cedo, eu já tava puto. Mas não era porque ela não respondeu. Era porque a ideia de ela estar longe, fora do meu controle, fora do meu alcance… isso mexeu comigo de um jeito que eu odeio admitir. Eu não perco o controle. Nunca perdi.
Com ela, eu perco.
Ver ela subindo na moto toda tensa, dura, se segurando em mim como se eu fosse derrubar ela a qualquer segundo… aquilo doeu e deu prazer ao mesmo tempo. Doeu porque ela ainda não confia totalmente. E deu prazer porque, mesmo assim, ela subiu. Mesmo com medo, ela veio.
E quando ela agarrou minha cintura… porra.
Eu acelerei mais do que devia só pra sentir ela ali, grudada em mim, como se o mundo inteiro fosse só aquele pedaço de estrada. A rua cheia de olho em cima, gente cochichando, pensando que eu tava com fiel nova. Que pensem. Ninguém sabe da minha vida mesmo.
No mercado talvez eu tenha passado dos limites . Eu sei. Quando eu começo a me importar, eu viro um cavalo. Sempre fui assim.
Melhor atacar do que mostrar fraqueza.
Quando eu apareci com aquelas malas, vi a ansiedade dela quase pulando pra fora. A mina claramente sem entender nada… e mesmo assim ficou. Não foi embora. Não questionou demais. Isso diz coisa pra caralho.
No carro, o silêncio foi diferente. Pela primeira vez não parecia disputa, nem tensão. Era paz. Estranho pra porra sentir isso do lado de alguém. Eu botei aquela música baixa de propósito. Pra não quebrar o clima.