Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
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BM queria me provocar. Isso era óbvio demais pra ser coincidência. Ele tinha percebido — claro que tinha — o quanto eu estava evitando qualquer tipo de proximidade, o quanto eu tinha criado uma barreira invisível entre nós. E, como sempre, resolveu testar até onde conseguia me desestabilizar. Ou talvez… até onde eu deixaria.
— Você… BM… — comecei, limpando a garganta, tentando soar firme enquanto meus olhos insistiam em me trair por meio segundo a mais do que deviam. — Você disse que ia só pegar alguma coisa, não que ia… tomar banho.
Cruzei os braços por reflexo, como se isso ajudasse a esconder o nervosismo. Não ajudou. Meu olhar desceu de novo, rápido demais, direto pro abdômen dele — e eu me odiei por isso no mesmo instante.
Ele percebeu. Óbvio que percebeu.
— Tá gostando da vista, princesa? — provocou, a voz baixa, arrastada, com aquele tom de quem sabia exatamente o efeito que causava. Endireitei a postura no mesmo segundo, forçando um riso seco.
— Vista? — rebati, fingindo confusão enquanto desviava o olhar pra qualquer ponto da sala que não fosse ele. — Que… que vista? Não tô vendo nada demais. Inclusive… já vi melhores.
A frase saiu rápido demais, defensiva demais. E ele sorriu. Não um sorriso aberto. Foi lento. Calculado. Perigoso. BM deu um passo à frente, ainda tranquilo, como se não estivesse praticamente me deixando sem ar.
— Como é, Isabel? — perguntou, inclinando um pouco a cabeça, os olhos escuros cravados em mim. — Tu já viu o quê?
Engoli em seco.
— Eu não vi nada… — falei rápido demais, desviando o olhar e cerrando o maxilar. — Para de graça, BM. Eu já falei pra não se aproximar de mim — completei, tentando impor algum limite que eu mesma não tinha certeza se conseguia sustentar.
Ele soltou uma risada curta, carregada de deboche, e deu mais um passo na minha direção.
— Qual foi? — questionou, a voz baixa, quase preguiçosa. — Por que tu tá assim tão na defensiva comigo? Que eu me lembre, você bem que tava gostando. Não demorava cinco minutos e eu já tava de boca na sua bu…
— BM! — interrompi no mesmo segundo, sentindo o rosto queimar. — Tá bom, não precisa falar o que a gente fazia! — respirei fundo, tentando recuperar o controle. — Bom… o erro que cometemos.
Ele ficou sério na hora. O sorriso sumiu como se nunca tivesse existido.
— Erro? — repetiu, estreitando os olhos. — Agora eu sou teu erro, Isabel?
Cruzei os braços com força, mais pra me proteger do que por raiva.
— Sempre foi… — respondi, firme, mesmo que doesse dizer. — BM, qual é… você sabe que a gente não pode fazer isso.