Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
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Já havia perdido as contas de quantos copos tinha bebido até agora. Mas uma coisa era certa: eu não estava nada sóbria. Se estivesse, com certeza não estaria fazendo o que estou fazendo agora—tipo rebolar a bunda até o chão sem me importar com quem está olhando.
Luiza não estava muito diferente de mim. Se fosse possível, estava ainda mais bêbada.
Dou um gole na minha bebida enquanto desço até o chão ao som de Bonde das Maravilhas, a música mais relíquia da face da Terra. Quando toca, simplesmente não tem como ficar parada.
Eu não sou nenhuma dançarina profissional, mas também não sou uma lacraia dançando. Sei fazer o básico—o famoso quadradinho de oito e rebolar bem a cintura. E, pelo jeito, isso já era o suficiente para chamar atenção.
Mas, no meio da minha euforia, senti um arrepio subir pela minha nuca. Um pressentimento estranho, como se estivesse sendo observada de uma maneira intensa demais.
Meu coração acelerou, e, por instinto, olhei para o camarote.
BM ainda estava lá, mas agora ele não segurava mais o copo nem prestava atenção na mulher ao seu lado. Seu olhar estava cravado em mim, sombrio, predador. Como se, a qualquer momento, fosse descer dali e acabar com a minha diversão.
Engoli em seco.
Luiza percebeu minha tensão e se aproximou, falando no meu ouvido para que eu escutasse por cima da música:
— Ele deve estar gostando do show, né?
Revirei os olhos, tentando disfarçar o impacto que aquele olhar tinha causado em mim.
— Se ele quiser assistir, que assista. Não sou obrigada a parar por causa dele.
E, para provar meu ponto, virei de costas para o camarote e continuei dançando, descendo até o chão com ainda mais vontade. Se BM achava que podia me intimidar só com um olhar, ele estava muito enganado.
Talvez eu devesse não escutar meus instintos quando estou com muito álcool no sangue. Depois de praticamente virar o resto da bebida que estava no meu copo, senti a necessidade de ir buscar mais.
— Ouou, vai com calma, dona Isabel. O mundo não vai acabar amanhã — escuto a voz arrastada da minha amiga.
Reviro os olhos, já impaciente.
— Foi você quem insistiu para eu beber e me divertir, e agora tá querendo chamar minha atenção? — cruzo os braços, olhando para ela com tédio.
— Tá legal, não digo mais nada. Só se prepara para a dor de cabeça amanhã — ela dá de ombros, e eu apenas ignoro.
— Vou buscar mais bebidas pra nós. E você fica aqui onde está, nada de sumir, ok? — Luiza alerta, apontando o dedo na minha direção.
Levanto uma sobrancelha, debochada.
— Sim, senhora.
Ela revira os olhos antes de sair andando em direção à barraca de bebidas.