Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
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Meu coração palpitava a cada olhar mortal que essa mulher me lançava. Eu podia ver o ódio em seus olhos, a sede de vingança pelo marido ter brigado com outro homem por causa de outra mulher.
Eu não podia julgá-la. Saber que seu marido está te traindo não é nada fácil. Eu sei disso porque já fui traída pelo meu primeiro namoradinho. Mas a situação aqui e agora era totalmente diferente. Eu era a amante.
E não porque eu queria, mas porque fui obrigada no começo. Fui forçada a me deitar com um homem casado, e foi por isso que chegamos até aqui. Se dependesse de mim, eu trabalharia a vida inteira para pagar a dívida com BM. Se ele tivesse permitido parcelar, talvez eu não estivesse aqui, prestes a apanhar da mulher dele.
— Sabe o que eu faço com as minhas inimigas? Com aquelas que eu considero uma verdadeira ameaça? — Ela deu um passo à frente, e eu, instintivamente, dei um para trás. A essa altura, já estava encurralada. Mesmo que quisesse, não conseguiria correr.
Maldita hora em que decidi procurar emprego sozinha, sabendo que a fiel provavelmente estava me caçando pela rua depois da vergonha que o marido a fez passar na frente de todo mundo... por minha causa.
— Eu as mato. Ou pego a maquininha e raspo a cabeça delas na zero. Ou então as torturo até a morte — ela continuou, cuspindo as palavras, enquanto um arrepio de pavor percorria meu corpo. Engoli em seco. Eu estava completamente ferrada.
— Eu poss... posso explicar tu... tudo. Por favor, vamos conversar sem ba... barraco — tentei manter a voz firme, mas era impossível. Eu sabia que essa mulher era capaz de tudo.
— EXPLICAR O QUÊ, SUA PUTA DO CARALHO? EU VOU ACABAR COM VOCÊ! VOU TE DEIXAR TÃO FEIA QUE QUERO VER SE O MEU MARIDO VAI TER A CORAGEM DE TE COMER DE NOVO!
Foi tudo muito rápido. Não tive tempo de reagir, muito menos de correr, quando o primeiro soco dela atingiu em cheio o meu olho machucado.
A dor explodiu no meu rosto assim que o soco acertou meu olho machucado. Um grito escapou dos meus lábios enquanto cambaleava para trás, sentindo a visão escurecer por um segundo. Mas Paloma não me deu tempo nem para respirar.
— VOCÊ VAI APRENDER A NÃO SE METER COM O QUE É DOS OUTROS, SUA VAGABUNDA! — ela rugiu, segurando meu cabelo com força e me puxando para frente, fazendo meu couro cabeludo arder.
Eu tentei segurar no braço dela, tentei me soltar, mas ela era forte demais. Meu corpo foi jogado contra uma das mesas da sorveteria, derrubando bandejas e copos no chão. O barulho estrondoso e os gritos das pessoas ao redor só me deixavam ainda mais em pânico.
— PARA COM ISSO, PALOMA! — ouvi a voz de Dona Rosa, mas ninguém teve coragem de intervir.
Antes que eu pudesse me recompor, senti outro impacto, dessa vez um tapa ardido no lado do meu rosto, tão forte que fez minha cabeça virar. Meu ouvido zumbia, e um gosto metálico tomou conta da minha boca.