Breno Morais é o traficante mais temido do Rio de Janeiro, dono do complexo do Alemão. Conhecido por sua frieza e violência, ele domina as ruas com mão de ferro. Por outro lado, há Isabel, uma jovem doce e gentil, que encontra beleza mesmo na advers...
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Assim que ele saiu pela porta sem dizer uma única palavra, eu fiquei ali, deitada, olhando pro teto branco do hospital como se fosse me dar alguma resposta. Ele saiu apressado, estranho, com uma expressão que eu nunca tinha visto antes... parecia assustado, em choque, sei lá.
Minha cabeça estava a mil, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Por que ele reagiu daquele jeito quando falei do meu pai? O que aquele nome significava pra ele? E, principalmente, por que ele me olhou daquele jeito, como se tivesse visto um fantasma?
curiosidade começou a me consumir. "Será que ele conhecia meu pai?" pensei. Não, impossível... meu pai morreu num confronto há anos. Mas alguma coisa me dizia que sim, que ele sabia mais do que estava mostrando.
Fechei os olhos por um momento, tentando lembrar se meu pai já tinha mencionado alguém com o apelido BM. Mas não vinha nada à mente. Só aquela sensação estranha no peito, como se uma parte da minha história tivesse sido arrancada e agora estivesse voltando, mesmo que aos poucos.
"Por que ele ficou daquele jeito quando falei o nome do meu pai? O que ele sabe sobre mim que eu não sei sobre ele?" - pensei, sentindo o coração acelerar no peito.
E nesse momento, pela primeira vez em muito tempo, eu quis que ele voltasse. Não pra me machucar com palavras frias ou pra jogar merda nenhuma na minha cara... mas pra me contar a verdade.
Porque, no fundo, eu sabia: aquele silêncio dele dizia muito mais do que qualquer coisa que ele pudesse falar. E eu tava pronta pra escutar.
Eu ainda tava perdida nos meus próprios pensamentos, encarando o teto como se ele fosse me dar alguma resposta. O quarto tava em silêncio, mas minha cabeça tava um verdadeiro caos. Quando ele saiu dali sem dizer nada, deixou um peso no ar, como se tivesse deixado metade de alguma verdade presa ali comigo.
Foi aí que a porta se abriu de repente e a Luiza entrou no quarto com a cara fechada.
- Mas que porra... - ela disse, já largando a bolsa numa cadeira. - O que aquele idiota tava fazendo aqui? Eu vi ele saindo daqui com aquela cara de quem comeu e não gostou.
Suspirei, sentindo meu peito doer.
- Ele... ele apareceu do nada - falei, sem ter muita força na voz. - Eu só... joguei umas verdades na cara dele. Falei tudo que tava entalado na minha garganta. Disse que ele acabou com a minha vida, que eu me arrependo de ter conhecido ele, que eu tô cansada de ser a segunda opção dele, e que eu não aguento mais essa vida de merda.
Luiza arregalou os olhos e se aproximou, assustada.
- E ele fez o quê? - ela perguntou quase sem ar, esperando o pior.
- Nada - respondi, balançando a cabeça. - Por incrível que pareça, ele só ficou me olhando, calado. Nem levantou a voz, nem levantou a mão. Só ficou me encarando com aquela cara fria e depois saiu.