CAP 34

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Finalmente consegui minha alta do hospital e agora já me encontrava em casa — na verdade, na casa da tia Antônia

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Finalmente consegui minha alta do hospital e agora já me encontrava em casa — na verdade, na casa da tia Antônia. Eu até tentei voltar para a minha antiga, mas quem disse que ela deixou? Ainda mais agora, nesse meu estado decadente. E também não podíamos correr o risco da mulher do BM vir atrás de mim — palavras da própria tia Antônia.

Como eu ainda não conseguia mexer o braço por causa do gesso e ainda estava me recuperando dos hematomas, Luiza ficou encarregada de me ajudar no banho.

— Vai com calma, Isa… — Luiza disse segurando firme meu braço bom, tentando me ajudar a levantar da cama.

— Eu tô indo com calma, não precisa ficar mandando — respondi seca, desviando o olhar.

— Ah, qual é, Isabel? Você vai ficar assim até quando? Eu juro que ia te contar — disse ela, bufando e se sentando ao meu lado depois de me ajudar a tirar a blusa para tomar banho.

— Ia, é? Quando? Quando eu fosse embora daqui e não voltasse nunca mais? — respondi sarcástica, e ela engoliu em seco.

Desde o momento daquela ligação no hospital, não tenho conversado muito com a Luiza. Eu simplesmente descobri por uma chamada que a minha melhor amiga estava tendo um caso com o braço direito do BM. E detalhe: só fiquei sabendo porque vi o apelido dele na tela do celular e a questionei. O mais impressionante é que ela ainda tentou mentir, como se eu não a conhecesse a vida inteira. Sei muito bem quando ela está mentindo.

O fato de ela ficar com alguém que sempre julgou como o tipo errado de homem pra nós duas nem é o que mais me incomoda. O que me machuca de verdade é o motivo dela ter mentido e escondido isso de mim por tanto tempo.

A Luiza sabia exatamente no que estava se metendo, não é mais uma criança.

— Eu só… eu só não queria que você se decepcionasse comigo, tá? — Luiza falou baixo, mexendo nos próprios dedos, claramente sem coragem de me encarar.

— Mas eu me decepcionei, Lu. Justamente porque era você — retruquei, com a voz embargada, mas sem chorar. — Você sempre me alertou sobre eles. Sempre disse que homem de facção não era pra gente… E aí do nada você tá com o TH? E nem pra me contar?

— Eu sei que errei, mas foi tudo muito rápido. Eu juro, Isa. Eu fiquei confusa… e eu… eu gostei dele — disse, encolhendo os ombros. — Sei que parece loucura, mas ele me trata bem, de verdade.

Revirei os olhos, sentindo um misto de frustração e tristeza.

— Tratar bem não é suficiente quando a pessoa que você gosta é capaz de machucar qualquer um só pra proteger o que é dele, Lu. Você sabe disso. Você viu o que a mulher do BM fez comigo. E ele? Ele nem moveu um dedo pra impedir. — digo suspirando fundo  — Olha, Luiza, eu não vou dizer que não me importo com quem você se envolve ou deixa de se envolver, porque você sabe que eu me preocupo muito com você. Mas, mais do que ninguém, você sabe o que eu passo nas mãos do BM... você acha mesmo que o TH vai ser diferente do chefe dele?

DESTINO TRAÇADO Histórias para pegar e não largar. Descubra agora