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13. Archer

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O Q3 terminou sob o céu dourado de fim de tarde, tingindo o asfalto com uma luz suave que contrastava com o ritmo frenético dos boxes. Lando garantira o quinto lugar — o que, considerando o equilíbrio da pista, era um resultado sólido. Marjorie anotava mentalmente as prioridades para a reunião do dia seguinte enquanto caminhava ao lado dele rumo à área da equipe.

— Pelo menos amanhã a gente larga na frente da Aston — Lando comentou, exausto, passando a toalha pelo rosto.

— Sim. Mas se quiser manter isso, vai precisar dormir cedo hoje e parar com as porcarias no jantar — ela retrucou, impassível.

— Você é muito mandona quando veste essa camiseta, sabia? — ele resmungou, apontando o logo da equipe no uniforme dela.

— Eu sou mandona o tempo todo. Você só percebe quando tô oficialmente no cargo.

Eles riram, e por um instante, a tensão do dia pareceu dissipar. Mas foi curta. Enquanto Lando se distraía com os engenheiros, Marjorie viu, de canto de olho, Enrico ao fundo do box. Ele não se aproximou, mas seu olhar era como uma sombra: incômoda, persistente. Ela desviou o caminho discretamente e seguiu em direção à saída lateral do paddock, onde o movimento era menor. Precisava de ar de novo. E talvez de outra coisa que não sabia nomear.

Não demorou dois minutos para que uma voz surgisse atrás dela, calma, com aquele sotaque que ela já começava a reconhecer no meio de qualquer multidão.

— Você sempre foge assim quando termina o dia? — Ela se virou devagar.

— Não é fuga. É... estratégia.

Charles deu um meio sorriso e parou ao lado dela, olhando para o céu que começava a escurecer.

— Estratégia emocional, então?

— Exatamente — respondeu. — Um pouco de distância. Um pouco de silêncio. Um pouco de... Charles Leclerc?

— Não vou negar que isso parece funcionar bem — ele brincou, depois ficou sério. — Você tá bem mesmo? —  Ela hesitou por um segundo antes de responder.

— Tô tentando estar. O dia foi... longo.

— Você lidou com ele melhor do que eu teria lidado. Eu vi. — Ele a encarou de leve, como se pedisse permissão para continuar. — Você não precisa carregar tudo sozinha, sabe?

Ela sorriu.

— Eu sei. Mas é que às vezes, confiar em alguém parece mais arriscado do que simplesmente seguir.

Charles assentiu. A luz dos refletores do paddock começava a acender ao redor deles, criando sombras suaves nas laterais das estruturas. Por um momento, ficaram em silêncio.

— Tem uma cafeteria a três quarteirões do hotel da equipe — ele disse, quase casual. — Eles ainda têm croissant de verdade depois das oito. E ninguém ali fala de telemetria.

Ela o encarou, surpresa com a oferta — direta, gentil, sem pressão — Isso é um convite?

— É só uma ideia. Você decide se transforma em convite.

Marjorie o observou por um segundo mais longo. E dessa vez, a resposta veio com um meio sorriso, sem hesitação.

— Me espera dez minutos? — ele concordou e apenas sorriu.

Quando voltou ao box da McLaren para guardar o tablet, Marjorie encontrou Lando em clima descontraído com Carlos Sainz. Os dois estavam sentados em cima de caixas de ferramentas, rindo de alguma piada interna enquanto tomavam algo gelado direto da geladeira da equipe.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora