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11. Bloom

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Enquanto Marjorie ainda observava tudo de longe e acompanhava toda dinâmica daquela sala onde parecia que nada havia ocorrido minutos atrás. Existia uma Emma pensativa, curiosa e ansiosa. Ela caminhou até o piloto número 16 que ainda pensativo conversava com Norris. Talvez a amiga entendesse que aquela noite era um divisor de águas para Marjorie. 

Marjorie por sua vez não acompanhava muita coisa, ela sabia e sentia que fez o certo, só não poderia dizer que não a machucava. Enrico com certeza a deixou com muitas histórias para relembrar em um futuro. Assim que Emma avistou a amiga sair pelo corredor provavelmente para ir ao banheiro, ela se virou para Leclerc. 

— Charles - começou Emma — eu queria falar com você. 

Lando percebeu a aproximação, a encarou confuso. 

— O que aconteceu? — perguntou ele também confuso. 

— Eu só quero entender o que se passa nessa sua cabecinha — ela riu descontraída.

— No momento — ele começou — o que essa louca quer? — e riu levando um tapa no ombro de brinde. 

— Prefiro ignorar o que você disse — ela proferiu — você sabe que eu não discordo totalmente do Enrico? tudo bem, não passo a maior parte dos meus dias com vocês, mas reparei que desde que cheguei tem um brilho diferente nesse teu olhar aí — explicou e o mesmo riu fraco — é a minha amiga né?

— Emma você se juntou com aqueles ali — apontou para Russel, Sainz e Norris que conversavam animados — e tá bebendo o mesmo que eles. 

— Aí pronto! Eu não me juntei, alias fico até surpresa que colocaram aquelas cabeças para funcionar — ela sorriu e olhou em volta vendo Marjorie já voltando e procurando por ela — mas enfim, eu apoio você nessa — sorriu para o mesmo enquanto falava rapidamente.

— Apoia? — Marjorie proferiu ao ouvir a amiga. Emma suspirou e encarou Marjorie.

— Obviamente, Leclerc quer uma festa surpresa para o Sainz e eu o apoio — falou com a maior confiança que poderia transmitir no momento — o que você acha? — colocou seu braço ao redor do pescoço da amiga que sorriu em confirmação. Ok lá ia ela planejar uma festa que só seria em setembro. Charles a encarou como quem transmitia algum tipo de carinho, a mesma sorriu para ele, como forma de dizer ''eu vou ficar bem". 

— Você ainda quer aquele mojito? — ele fez uma piadinha meio nervoso de ouvir qualquer que fosse a resposta, mas sorriu aliviado quando ela riu. 

— Eu ainda quero Leclerc — balançou a cabeça — vocês são impossíveis, mas eu fico aguardando minha bebida junto daqueles três que provavelmente estão aguardando só eu ir embora para soltar os fogos. 

Charles observava Marjorie de longe. Ela agora conversava com Norris, Russel e Sainz, tentando sorrir com naturalidade, mas ele percebia que havia algo no jeito como ela mexia o copo nas mãos — distraída, quase ausente.

— Eu sei que vocês estão nesse joguinho silencioso há um tempo — disse Emma, surgindo ao lado dele com os braços cruzados e uma expressão nada sutil.

— Joguinho? — ele arqueou a sobrancelha, fingindo surpresa.

— Desde aquele jantar em Mônaco, Leclerc, as notícias correm — ela sorriu de lado. — Você olha pra ela como quem quer dizer tudo e só pergunta se ela quer mais gelo.

Charles riu, baixinho, mas logo a expressão amoleceu.

— Ela acabou de sair de algo complicado. Não quero atropelar as coisas.

— Não é atropelo quando você simplesmente mostra que está ali — Emma rebateu. — Às vezes, é só isso que a gente precisa: alguém que esteja.

Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, virou-se e caminhou até o bar. Com calma, preparou a bebida. Caprichou no limão, colocou hortelã na medida certa. Quando terminou, observou o copo por um instante, respirou fundo e caminhou em direção ao grupo.

Marjorie o viu se aproximar e franziu levemente o cenho, surpresa.

— Sua bebida — disse Charles, estendendo o copo com um leve sorriso, um pouco tímido.

Ela o pegou com as duas mãos, sem esconder o riso.

— Você fez mesmo?

— Promessa é dívida — ele respondeu. — Espero que esteja do seu gosto.

Ela o encarou por um segundo a mais do que o necessário. Um daqueles silêncios que dizem tudo. E então, balançou a cabeça com um meio sorriso, genuíno.

— Obrigada, Leclerc — sorriu — vocês aprendam mais com o amigo de vocês — ela brincou.

— Qualquer coisa — respondeu ele, já se afastando, mas com o olhar preso nela por mais um instante.

Lando o olhou de longe, fez uma careta exagerada e imitou fogos de artifício com as mãos. Marjorie riu, balançando a cabeça — talvez sim, talvez não — mas dentro dela, havia um novo tipo de calor se espalhando. A conversa logo tomou um rumo bobo, como geralmente acontece nas madrugadas regadas a bebida e memórias. Sainz tentava convencer todos de que seu cachorro entendia espanhol e italiano. Russel insistia que ele só respondia ao tom de voz. Norris, claro, gravava tudo no celular, prometendo fazer um documentário cômico no dia seguinte. 

— Ok, ok — disse Emma, batendo palmas — alguém precisa assumir a responsabilidade e organizar a volta pra casa.

— Sainz, você vai deixar esse pessoal dormir aqui, né? — perguntou Russel, com cara de sono e riso misturado.

— Claro, claro. Sofá, colchão, tapete, o que tiver — respondeu o anfitrião, abrindo os braços.

Marjorie sorriu ao ver a amizade criada entre eles. Apesar da dor que ainda rondava, havia conforto ali. Ela estava segura. E isso bastava por agora.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora