Sábado em Silverstone sempre foi diferente. O ar parecia mais denso, carregado de expectativa. Para Lando, era casa. Para a mídia, espetáculo. Para Marjorie, era trabalho em estado máximo de alerta. Ela caminhava pelo paddock com a prancheta em mãos, fones pendurados no pescoço, expressão concentrada. Conferia horários, checava mensagens, respondia a três pessoas ao mesmo tempo.
Profissional. Focada. Impecável. Mas bastava um descuido para o corpo reagir antes da razão.
Charles passou por ela no corredor estreito entre os motorhomes. Não encostou. Não diminuiu o passo. Ainda assim, Marjorie sentiu.
O perfume dele. A presença. O olhar rápido demais para ser casual.
Ela inspirou fundo e seguiu andando. Foco.
Do outro lado do paddock, Lando andava de um lado para o outro, capacete em mãos, mandíbula tensa. Marjorie se aproximou assim que teve um intervalo.
— Lando — chamou. — Olha pra mim — Ele obedeceu, respirando fundo.
— É só mais uma quali — ela disse, firme. — Você sabe fazer isso. Em casa ou não.
— Eu sei — ele respondeu. — Mas todo mundo espera alguma coisa quando é aqui.
— Você não corre pra eles. Corre pra você — Ele assentiu lentamente.
Mais tarde, no grid, a tensão aumentou. Marjorie se posicionou perto da McLaren, revisando horários e ouvindo instruções no rádio. Charles estava a poucos passos, conversando com o engenheiro, mas parecia distante. O maxilar contraído. Os olhos procurando algo... alguém.
Ela sentiu o olhar dele antes mesmo de virar. Por um segundo, o mundo sumiu.
O barulho da torcida.
As câmeras.
O cronômetro.
Só o desejo latente de atravessar aquele espaço e tocar. Emma, observando de longe, cruzou os braços.
— Eles vão acabar se denunciando — comentou. Sophia riu.
Quando Lando entrou para a volta rápida, Marjorie estava concentrada no cronômetro, mãos firmes, postura profissional. O coração, porém, batia acelerado — não só por Lando, mas por tudo o que estava em jogo.
O grito veio antes da confirmação.
— P1!
O rádio estourou de vozes sobrepostas, comemoração sem filtro. Lando mal teve tempo de processar quando o engenheiro repetiu, rindo:
— P1 em casa, mate. You did it.
Ele levou as mãos ao capacete, respirando fundo, como se precisasse daquele segundo para acreditar. Silverstone explodia ao redor, a torcida britânica vibrando como um só corpo.
Quando saiu do carro, foi engolido pela equipe. Palmas, abraços, risadas nervosas. Lando ainda parecia em choque.
— Eu consegui — repetia. — Eu consegui.
O grito veio antes da confirmação.
— P1!
O rádio estourou de vozes sobrepostas, comemoração sem filtro. Lando mal teve tempo de processar quando o engenheiro repetiu, rindo:
— P1 em casa, mate. You did it.
Ele levou as mãos ao capacete, respirando fundo, como se precisasse daquele segundo para acreditar. Silverstone explodia ao redor, a torcida britânica vibrando como um só corpo.
Quando saiu do carro, foi engolido pela equipe.
Palmas, abraços, risadas nervosas. Lando ainda parecia em choque.
