22. Amour

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Marjorie saiu do closet com passos decididos, o som suave dos saltos ecoando pelo piso de madeira. O vestido azul-petróleo de cetim abraçava seu corpo como se tivesse sido feito sob medida, o decote delicado nas costas revelando a pele com discrição elegante. As alças finas emolduravam seus ombros e o tecido fluía em ondas suaves até os tornozelos. Ela parou diante do espelho, ajeitando uma mecha de cabelo solta atrás da orelha.

— Uau — exclamou Emma, batendo palmas com entusiasmo. — Aprovado com louvor. Agora só falta escolher um perfume... e um pouco de coragem.

Marjorie riu, puxando a gaveta da penteadeira em busca do batom nude favorito. Era engraçado como o quarto de hospedes da casa do Lando tinha praticamente se tornado sua "casa" em Mônaco. 

— Coragem pra quê?  — Emma ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços com um ar divertido.

— Pra fingir que não sente nada quando reencontrar o Leclerc. 

— Emma...

— Tô brincando. Mais ou menos.

O apartamento estava tomado pelo clima típico de preparação para um evento importante: pincéis de maquiagem espalhados, perfume no ar, música ambiente leve preenchendo o silêncio entre uma risada e outra. Era como se aquele momento existisse entre dois mundos — o da rotina e o da possibilidade. E naquela noite, tudo podia acontecer.

Duas horas depois, no salão elegante do hotel onde aconteceria o jantar beneficente da McLaren, Marjorie caminhava entre os convidados com seu tablet em mãos. A ambientação era deslumbrante: luzes âmbar refletiam nos arranjos florais brancos como se derretessem o ar em ouro líquido. A música clássica preenchia os espaços com leveza, enquanto garçons passavam com taças de cristal e bandejas impecáveis.

— Marjorie!

Era Pascale Leclerc, aproximando-se com os braços abertos e um sorriso caloroso. Marjorie foi ao encontro dela e as duas se abraçaram com afeto verdadeiro, o tipo de carinho que não precisa de palavras. Logo atrás vinham Lorenzo e Arthur, sorrindo com a naturalidade de quem acolhe. Ao vê-los, Marjorie sentiu uma onda suave de nostalgia — daquele fim de semana em Mônaco, com a família Leclerc. O iate, o sol, os risos espontâneos, as conversas sem pressa. Ela havia se sentido parte de algo maior do que ela mesma. 

— Ainda lembra do nosso almoço no mar? — perguntou Pascale, com um olhar cheio de ternura.

— Aquilo foi um dos meus dias favoritos — respondeu Marjorie, rindo. — Mesmo com as queimaduras de sol.

— Você precisa voltar logo. Charles tem falado tanto de você...

Marjorie congelou por um instante. O sorriso ainda estava no rosto, mas os olhos buscaram algo em meio à multidão, quase por instinto.

— Falado como? — perguntou, a voz baixa, como se não quisesse ser ouvida demais.

— Com bons olhos. Com carinho. Vocês se tornaram bons amigos, pelo que ele me diz.

Do outro lado do salão, Charles acabava de chegar. Ajustava os punhos da camisa com os polegares, ajeitando o paletó com a elegância quase inconsciente de quem está acostumado com o olhar do público. Mas, por um momento, ele não era o centro da atenção. Ao contrário — seus olhos estavam presos em um ponto fixo.

Marjorie.

Ela conversava sorria enquanto conversa com Pascale. O vestido azul-petróleo se movia com ela, refletindo a luz em tons discretos de mar, céu e desejo. Seus ombros nus, o pescoço longo, o modo distraído com que ajeitava o cabelo... tudo nela era feito de pequenos gestos que, aos olhos de Charles, beiravam o hipnotizante. Ele parou sem perceber, como se o mundo tivesse perdido o foco ao redor.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora