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38. Best

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O burburinho do paddock não diminuía nem por um segundo. Gente passando apressada, jornalistas caçando declarações, câmeras piscando, e os pilotos distribuindo autógrafos a cada passo. Ainda assim, entre uma movimentação e outra, havia espaço para pequenas ilhas de descontração. Marjorie e Emma caminhavam lado a lado, com Lando alguns passos à frente, quando Carlos surgiu do nada, como se tivesse aparecido só para provocar.

— Olha só quem finalmente chegou. — ele disse, com aquele sorriso confiante, os olhos diretamente em Emma. — Pensei que ia me deixar esperando sozinho no caos — Emma arqueou a sobrancelha, cruzando os braços.
— Você sobrevive a grid inteira de jornalistas toda a semana, Carlos. Não ia ser eu que ia te salvar.

— Mas ia facilitar muito. — ele rebateu, inclinando a cabeça.

Marjorie riu, tentando disfarçar o quanto a tensão divertida entre eles era óbvia. Lando, que não perdia uma oportunidade, logo entrou na onda.
— Vocês dois são impossíveis. É tipo um reality show escondido no meio da F1 — Carlos lançou um olhar de fingida indignação.

— Reality show? Eu sou muito mais classe do que isso.

— Ah, claro. — Lando riu. — Só falta as câmeras acompanharem seus olhares toda vez que a Emma passa.

Emma bufou, mas o rubor no rosto entregava mais do que qualquer resposta.

Foi então que Charles apareceu, cumprimentando o grupo rapidamente antes de se juntar à conversa. Sempre elegante, sempre com aquele ar de quem observa mais do que fala.

— Sobre o que estão rindo tanto? — perguntou, ajeitando o relógio no pulso.

— Do nosso não casal preferido. — Lando disse, apontando com o queixo para Carlos e Emma — Charles deixou escapar um riso discreto.

— Ah, finalmente. Pensei que iam demorar mais — Emma cobriu o rosto com a mão, rindo nervosa.

— Vocês não têm nada melhor pra fazer, não? por Deus.

Marjorie balançou a cabeça, tentando desviar o foco, mas sentiu o olhar de Charles pousar sobre ela por um instante. Ele não disse nada em voz alta, apenas se inclinou levemente enquanto o grupo seguia brincando.

— Jantar hoje? — murmurou baixo o suficiente para só ela ouvir, sem mover muito os lábios. — No meu quarto.

O coração dela deu um salto. Fingindo ajeitar o tablet contra o peito, Marjorie respondeu quase num sussurro
— Tudo bem.

Charles assentiu com naturalidade, voltando a atenção para o grupo como se nada tivesse acontecido. A conversa seguiu cheia de risadas, com Lando e Charles disputando quem fazia Emma corar mais, mas dentro dela, Marjorie só conseguia pensar no encontro que a aguardava naquela noite — longe dos flashes, longe dos olhares, onde finalmente poderia viver a verdade que, ali, precisava ser guardada em silêncio.

O quarto do hotel estava uma mistura de conforto e bagunça. A janela alta deixava entrar o céu cinzento de Silverstone, a cortina leve balançando com o vento frio que escapava pela fresta. Na cama, roupas estavam espalhadas como testemunhas da indecisão de Marjorie: jeans dobrados, uma saia esquecida, duas camisas sobrepostas e até um vestido que ela sabia que não usaria, mas tinha tirado “só para testar”. Marjorie estava em frente ao espelho, observando a si mesma com uma sinceridade cruel. Será que parecia natural? Será que parecia demais? Com o coração acelerado, prendia e soltava o cabelo a cada cinco minutos, como se isso fosse mudar alguma coisa.

Duas batidas na porta a tiraram do transe.

— Entra. — ela disse, já sabendo quem era.

Emma entrou primeiro, com o crachá ainda pendurado no pescoço e um sorriso que já anunciava provocações. Logo atrás veio Sophia, carregando uma sacola com guloseimas do saguão — porque ela dizia que nenhuma conversa séria acontecia sem chocolate.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora