Quando a noite chegou ao fim, todos estavam relaxados, aquecidos pela comida caseira e pelas histórias trocadas ao redor da mesa. A despedida na porta foi calorosa, típica dos Norris: abraços apertados, promessas de repetir o jantar em breve e, claro, a insistência da mãe de Lando para que elas levassem bolo e cheesecake embrulhados.
— Vocês duas são sempre bem-vindas aqui, viu? — disse a mãe dele, abraçando Marjorie com carinho. Em seguida, abaixou um pouco a voz, com aquele tom de confidência maternal. — E... bom, não vou me meter, mas achei bonito ver o jeito que o Lando olha pra Sophia. Tem alguma coisa ali, sabe?
Marjorie sorriu, discreta, sem confirmar nem negar. Mas o pai de Lando, que até então estava calado na despedida, completou com um sorriso de canto:
— Ele nunca trouxe muita gente pra cá fora dos amigos de kart. Vocês duas... sempre foram exceções.
Marjorie agradeceu, um tanto emocionada com o carinho da família, e entrou no carro ao lado de Sophia e Lando. O frio da noite envolvia tudo, mas havia um calor silencioso naquela cumplicidade que se criara à mesa.
Na manhã seguinte, Silverstone acordou com o burburinho característico do media day: jornalistas ocupando cada canto, carros com logotipos rodando pelas ruas estreitas, fotógrafos se preparando para capturar cada detalhe. Marjorie, ainda no hotel, ajeitava a agenda do dia quando uma notificação iluminou a tela do celular.
Charles Leclerc
10:30
"Almoço? Antes do caos começar. Tenho um lugar em mente. Te mando a localização."
Era Charles. A mensagem simples fez o coração dela acelerar. O “lugar em mente” nunca era aleatório: Charles sempre arrumava espaços onde pudessem ficar sozinhos, longe de olhares curiosos.
"Aceito! quarenta minutos. E onde?"
C
harles Leclerc
10:33
"Surpresa. Só confia em mim."
Quarenta minutos depois, o carro de aplicativo estacionava em uma rua tranquila. Caminhou até a entrada do prédio e seguiu o passo a passo que Charles havia lhe enviado minutos antes. Saiu do elevador e caminhou até o apartamento de número 600. Tocou a companhia e não demorou para a porta ser aberta, ele sorriu ao vê-la entrar, o aroma de comida fresca escapava pelo corredor.
O coração dela acelerou. Ao atravessar a porta, encontrou um ambiente iluminado, minimalista, com uma mesa posta de forma simples, mas elegante. Charles usando uma camisa de manga dobrada, sorriso discreto no rosto e o perfume que a fazia suspirar.
— Gostou do esconderijo? — ele perguntou, fechando a porta atrás dela.
— É perfeito. — respondeu Marjorie, tirando o casaco. — Mas você se superou... nem me buscou dessa vez.
— Melhor assim. — disse ele, aproximando-se para pegar o casaco das mãos dela. — Você não faz ideia do quanto eu tenho que me controlar pra não estacionar na porta do hotel e te arrancar de lá.
Ela riu, sentindo o calor de estar tão perto dele em um espaço que não era nem o hotel nem o paddock — era deles, pelo menos por algumas horas.
— Esse apartamento é de um amigo meu. — explicou Charles, enquanto servia o vinho. — Ele nem perguntou pra quem eu precisava, só me entregou a chave. Confiou em mim.
— Confiou em você... ou sabia que não devia perguntar? — ela provocou, rindo.
— Os dois. — ele respondeu com um brilho nos olhos.
O clima no apartamento tinha algo de íntimo: a luz natural entrando pela janela, o som baixo de uma playlist francesa ao fundo, o aroma do almoço simples, mas cuidadosamente preparado. Charles não precisava de grandes gestos para impressionar; a delicadeza dos detalhes dizia mais do que qualquer palavra. Eles se sentaram à mesa, e por alguns minutos esqueceram o mundo lá fora. Marjorie observava os gestos dele — sempre calmo, mas com uma energia concentrada, como se cada segundo ao lado dela fosse precioso.
