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20. Break

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O sol da manhã entrava preguiçoso pela janela do antigo quarto de infância de Marjorie, em Florença. A casa dos pais era um refúgio de memórias: livros de arte, móveis de madeira escura, cheiro de café fresco e orquídeas no parapeito da cozinha.

Ela estava deitada na cama, cabelo preso em um coque bagunçado, vestindo uma camiseta antiga da universidade, com o celular apoiado sobre o travesseiro. A tela piscou com o nome de Emma. Marjorie atendeu com um sorriso antes mesmo da imagem se estabilizar.

— Buongiorno, estrella del paddock — disse Emma, com aquele sotaque catalão que deixava tudo mais dramático do que precisava.

— Não começa — respondeu Marjorie, rindo. — E você tá com uma cara de quem dormiu quatro horas e ainda tá apaixonada.

— A parte do sono é real, a da paixão... talvez.
— Talvez? Emma Ricart dizendo talvez?

Emma deu um sorriso contido, mas não disfarçou.

— A gente tem trocado mensagens. Bastante, pra ser honesta.
— "A gente" quem?

Emma ergueu uma sobrancelha.

— Carlos. Quem mais? Ele me mandou um vídeo ontem do Max dançando no after. Disse que lembrou de mim quando viu.
Marjorie arregalou os olhos.

— Carlos mandou um vídeo do Max dançando e disse que lembrou de você? Isso é quase uma aliança.

— Pois é. Tô assustada. Mas no bom sentido.

As duas riram, cúmplices.

— E você? — Emma perguntou com aquela entonação certeira. — Vai me contar ou vai fingir que não quase beijou o Charles Leclerc no Canadá?

Marjorie afundou o rosto no travesseiro, gemendo.

— Não foi um quase. Foi um quase do quase. E o George entrou gritando igual uma criança em parque aquático. Juro que senti o ar se desfazendo.

— Mas você queria, né?

Ela hesitou por dois segundos, depois assentiu.

— Queria. E eu acho que ele também.

— Vocês precisam parar de flertar só com palavras. Isso é tortura emocional pra quem assiste de fora.

Marjorie suspirou e riu, mexendo no celular.

— A gente trocou umas mensagens ontem.

— Tá rolando?

— Tá rolando... uma coisa estranha. Boa, mas estranha. Como se a gente tivesse andando em um campo minado de palavras. Qualquer passo em falso e tudo explode. E ao mesmo tempo... eu gosto de falar com ele.

— E ele com você, claramente. Me mostra essas mensagens.

Marjorie abriu o celular, meio envergonhada, e leu algumas das últimas trocas:

Charles Leclerc
🕐 22h17
“Não sei o que foi mais difícil hoje: encarar a fila do mercado ou esquecer como você olhou pra mim antes do George aparecer.”

Marjorie
🕐 22h21
“Você definitivamente encara mercados com mais coragem do que pistas.”

Charles Leclerc
🕐 22h24
“Talvez. Mas pistas na maioria das vezes não me fazem perder o sono.”

Marjorie
🕐 22h28
“Ainda bem que a próxima corrida tá longe. Assim você dorme em paz.”

Charles Leclerc
🕐 22h31
“Difícil... certas lembranças são mais insistentes que jet lag.”

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora