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41. So easy

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O paddock estava mais vazio depois dos treinos livres de sexta. O barulho ainda existia — mecânicos desmontando equipamentos, engenheiros discutindo dados, passos apressados indo e vindo — mas já não havia a urgência do cronômetro. Era um intervalo raro. Um respiro.

Charles caminhava em direção ao motorhome quando a viu. Marjorie estava sentada num dos bancos mais afastados, o tablet repousando ao lado do corpo, como se tivesse sido esquecido ali. Ela observava o céu nublado de fim de tarde em Silverstone com atenção demais para alguém que, teoricamente, ainda estava trabalhando.

Ele parou.

Por um instante, pensou em seguir. Fingir. Fazer o que vinha fazendo desde que tudo começou. Mas fingir estava ficando difícil demais.

— Ei — ele chamou, baixo.

Ela virou o rosto imediatamente, como se já soubesse que ele estava ali. O sorriso que apareceu foi pequeno, contido, quase cuidadoso.

— Ei.

Nenhum dos dois se moveu de imediato. Havia algo no ar — não tensão, mas peso. Como se aquela conversa estivesse sendo adiada desde a primeira noite... e agora não pudesse mais esperar. Charles fez um gesto com a cabeça, indicando o caminho lateral, longe das câmeras e da circulação principal. Caminharam lado a lado, sem se tocar, até um espaço quase escondido entre os motorhomes. Não era exatamente privado, mas era silencioso o suficiente para ser deles.

Do outro lado, Emma percebeu. Sophia também. Lando chegou a dar um passo na direção deles, depois parou.

— Deixa — Sophia murmurou. — Eles precisam disso — Lando respirou fundo e concordou em silêncio.

Entre eles, Charles foi o primeiro a falar.

— Eu tô com medo.

As palavras saíram diretas, sem rodeios. Marjorie ergueu o olhar, surpresa não pelo conteúdo, mas pela honestidade crua.

— Do quê? — ela perguntou, suave — Ele passou a mão pelo cabelo, um gesto nervoso que ela já conhecia bem.

— De não conseguir fingir por muito mais tempo. — Ele soltou um riso curto, sem humor. — Eu entro no paddock e tudo em mim quer ir até você. Falar com você. Ficar perto de você. E eu não posso — Ela engoliu em seco.

— Eu sei que não é fácil...

— Não é — ele interrompeu, mas sem dureza. — Mas eu aceito. Por você — Marjorie sentiu o peito apertar.

— Charles, eu nunca quis que isso fosse um peso pra você.

— Não é um peso — ele respondeu imediatamente. — É... um risco. E mesmo assim, eu escolheria você de novo — O silêncio que se seguiu foi longo. Importante.

— Eu também tenho medo — ela confessou. — Medo de perder meu trabalho. Mesmo que eu ache que o Lando faria alguma coisa. Medo de que, se isso vier à tona, tudo mude. — Ela respirou fundo. — Mas o que mais me assusta é imaginar que isso acabe porque a gente não teve coragem.

Charles deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre eles — ainda sem tocar.

— Então a gente vai com calma — ele disse. — Um dia de cada vez. Do nosso jeito.

Ela assentiu, os olhos brilhando. Eles ficaram ali por alguns segundos, próximos demais para serem apenas amigos, distantes demais para serem vistos como algo mais.

Do outro lado do paddock, os amigos trocaram olhares quando viram os dois caminhando de volta, um pouco mais próximos, um pouco mais leves.

— Eles vão ficar bem — Emma disse, com convicção.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora