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25. Áustria

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O céu claro da Áustria fazia o Red Bull Ring parecer ainda mais vibrante, como se as montanhas ao fundo tivessem sido pintadas com um filtro de saturação máxima. O ar cheirava a gasolina, borracha e grama recém-cortada — uma combinação estranhamente revigorante para quem vivia no coração da Fórmula 1. Era o tipo de dia em que tudo parecia mais nítido: as cores, os sons metálicos das ferramentas, o burburinho das equipes, os olhares.

E Marjorie sabia que, naquele fim de semana, olhares não faltariam.

Ela desceu os degraus do motorhome da McLaren com passos firmes, quase ensaiados, o crachá balançando contra o peito ao ritmo da sua determinação. O sol refletia nas laranjas e azuis vibrantes do uniforme, chamando atenção mesmo que ela não quisesse. Atrás dela, Sophia ajeitava os cabelos bagunçados pelo vento alpino, os óculos escuros empoleirados no topo da cabeça e o sorriso preguiçoso de quem observa o caos com serenidade.

— Se você andar com essa cara de que vai processar alguém, vai assustar até os comissários da FIA — comentou Sophia, com uma risadinha baixa, alcançando a amiga com passos leves.

— Eu tô tentando parecer profissional, não ameaçadora — Marjorie respondeu, apesar de saber que a tensão no maxilar a entregava.

— Então troca os óculos. Esses são de "me aborda e morre" — Sophia rebateu, e pela primeira vez naquela manhã, Marjorie soltou uma risada curta e sincera.

Ao lado delas, Lando andava distraído, os olhos fixos no celular enquanto digitava rapidamente, o boné puxado para frente escondendo parte da expressão. Carlos e George vinham um pouco atrás, debatendo com gestos animados sobre atualizações aerodinâmicas que ninguém além de engenheiros parecia entender. Mas Sophia — sempre com a percepção afiada — notava os detalhes que escapavam ao resto do mundo: os olhares trocados e evitados, a tensão nos ombros de Marjorie, e o jeito quase imperceptível com que ela desviava de qualquer menção ao nome mais comentado do paddock naquela manhã.

Charles Leclerc.

Estava lotado — mais do que o normal para uma sexta-feira. Havia uma inquietação no ar, como se a atmosfera estivesse carregada de expectativa. Marjorie sentia isso em cada passo. Sabia que parte daquela movimentação era, direta ou indiretamente, culpa dela. Ou melhor: culpa das manchetes.

"Assistente de piloto se envolve com rival da equipe."
"McLaren sob pressão após rumores de relacionamento interno."
"Leclerc e Mazza: qual o real envolvimento?"

Ela respirava fundo a cada vez que ouvia seu nome sussurrado como um segredo mal contado em algum canto do paddock, sempre acompanhado de olhares curiosos ou julgadores. Era sufocante. Trabalhou duro demais para que seu nome estivesse ali por competência, não por especulações sentimentais.

— Você tem noção de que viralizou, né? — Sophia comentou, acomodando-se ao lado dela no hospitality da McLaren, mexendo casualmente em um copo de matcha gelado. — O fandom criou até nome de ship. "Charjorie" ou "Mazclerc", dependendo do lado da guerra.

— Deus me livre — Marjorie respondeu, rindo pelo nariz, ainda focada no tablet à sua frente.

— Eles te amam. E odeiam. E depois te amam de novo. A internet é assim — disse Sophia, sem um pingo de julgamento, apenas constatando.

Ela falava com propriedade. Cresceu assistindo o irmão, Max, virar meme, ídolo, cancelado e exaltado em ciclos intermináveis. Sophia aprendera cedo que a exposição pública era uma dança perigosa entre a fascinação e a condenação. Já Marjorie ainda tateava nesse terreno, tentando equilibrar-se entre a profissional que se destacava nos bastidores e a mulher que, sem querer, virara pauta.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora