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26. Why?

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— Lando, cinco minutos. — Marjorie apareceu ao lado dele com o tablet em mãos e o olhar ligeiramente impaciente, mas contido. — Estão finalizando o microfone e a iluminação. Já pedi para o segurança te acompanhar pela lateral pra evitar a muvuca no corredor.

— Você é meu gps humano, sabia? — ele respondeu, erguendo uma sobrancelha com charme debochado.

— E você é um caos ambulante, então estamos quites — retrucou ela, digitando algo rápido no tablet. — Quer um chiclete ou uma água antes?

— Os dois, se não for abuso.

Ela já estendia os dois antes mesmo da resposta terminar. Era assim que funcionavam: rápidos, coordenados, no compasso de quem se conhece dentro do turbilhão.

Do outro lado da sala, Sophia ajustava o ponto eletrônico e trocava acenos com a equipe técnica da F1TV. Marjorie lançou um olhar na direção da amiga, que respondeu com um sorriso contido e um leve erguer de sobrancelha. Tinha tensão no ar — mas também respeito. Quando o produtor fez sinal para Lando seguir, Marjorie andou ao lado dele até a entrada do estúdio, onde entregou o boné da McLaren, um último ajuste na gola da camisa, e um lembrete quase maternal:

— Sem piadas que gerem um cancelamento. Sem responder provocações. Sem ficar babando pela jornalista e, por favor, tenta não usar a palavra "treta" ao vivo.

— Prometo tentar — ele disse, sorrindo. — Quer dizer... 90% de chance de eu tentar.

Ela riu, mesmo sem querer. E então ficou ali, a poucos metros do estúdio, assistindo quando a entrevista começou.

A câmera abriu em plano médio. Sophia já no ar, com a compostura afiada de sempre. Lando, sentado na banqueta alta, sorria com o típico ar de quem está confortável demais pra quem deveria ser controlado.

— Lando Norris, primeiro dia de pista no Red Bull Ring. Clima estável, treinos promissores... e zero polêmicas, certo? — brincou Sophia.

— Estranho, né? Um pouco calmo demais. Fico até desconfiado quando ninguém tá falando mal da minha barba.

Charles encostou-se na divisória metálica da estrutura da F1TV, observando Marjorie com atenção. Ela não tinha visto ainda — os olhos estavam cravados no estúdio, onde Lando sorria para as câmeras enquanto respondia as perguntas de Sophia com aquele tom despreocupado de sempre. Mas ele a via. Cada detalhe. O modo como ela segurava o celular com força demais. A rigidez dos ombros. O leve franzir das sobrancelhas. Ela estava tensa. Ainda bela, ainda dona de si — mas carregando o mundo nas costas. Respirou fundo antes de se aproximar. Não havia ensaiado o que ia dizer. Sabia apenas que precisava vê-la de perto. Sentir que ela ainda estava ali, que tudo que vinha acontecendo não tinha se dissolvido com a maré das manchetes.

Salut — disse baixo, parando a um passo de distância.

Ela virou-se com aquele olhar treinado de quem está sempre alerta. Por um segundo, Charles viu a dúvida atravessar o rosto dela. E então, um aceno de cabeça, quase imperceptível.

Salut.

O silêncio que se instalou entre os dois era familiar. Não desconfortável — apenas carregado. Como se cada palavra precisasse ser medida antes de sair. Ele arriscou uma frase leve.

— Vi você organizando tudo por aqui. Parece mesmo que o Lando não sobrevive sem você.

Ela soltou um sorriso pequeno, e por um momento, Charles se permitiu respirar mais fundo.

— É meu trabalho — disse ela, desviando o olhar rapidamente de volta ao estúdio.

Charles a observou de perfil. A luz do entardecer criava reflexos dourados nos fios soltos do cabelo dela. Havia uma beleza serena ali, mesmo no meio do caos.

The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora