9. Gorgeous

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Charles não conseguia ao menos se concentrar naquela coletiva, e ele precisava. Quando encontrou os olhos castanhos de Marjorie encarando os seus, não conseguiu formular uma frase para a pergunta que o jornalista tinha feito. Fingiu uma cara de quem buscava uma resposta muito válida para aquela ocasião e nada. O que aquela mulher estava fazendo com ele?

— Eu acho — iniciou e torceu para que o cérebro tivesse resolvendo funcionar junto dele — que a gente sempre busca a perfeição, e com certeza iremos trabalhar cada vez mais para um bom resultado, não só nessa etapa como nas próximas. Suspirou disfarçadamente quando viu que o jornalista sorriu e agradeceu mentalmente por isso. Ele havia conseguido escapar de mais uma pergunta sem parecer um completo idiota.

— O que aconteceu? — o amigo perguntou — Você tá super desconcentrado. — Lando sorriu enquanto sussurrou, tentando entender o comportamento de Charles.

— Nada, eu não dormi bem — mentiu, forçando um sorriso. Lando o encarou com um olhar cético, mas não fez muita questão em continuar o assunto.

Mais algumas perguntas foram feitas, e por fim, a coletiva foi encerrada. Engana-se quem acreditava que o trabalho terminava por ali. Era dia de fanzone, e Norris estava escalado ao lado do companheiro Piastri.

Enquanto Marjorie vibrava junto com todos os fãs presentes no local, observava Norris arrancar boas risadas de todos. Ela amava aquele ambiente, entendia que não havia outro lugar onde se encaixasse tão bem. Quando decidiu cursar relações públicas, assistiu a uma palestra com um renomado diretor de equipe da F1 e se apaixonou de vez pelo esporte. Mesmo com toda a influência dos pais, que sempre assistiam às corridas aos domingos, ela já sentia uma conexão profunda com aquele mundo.

Aguardou mais alguns minutos até o evento ser encerrado. Estava pronta para encontrar Lando e caminhar para o box.

— Você viu o Leclerc bem avoado na coletiva hoje? — Lando perguntou, de repente, quebrando o silêncio.

— Não reparei — Marjorie respondeu, fingindo não entender a pergunta.

— O quê? — Lando gargalhou, com um sorriso travesso no rosto. — Por favor, ele não tirou os olhos de você.

Marjorie revirou os olhos, tentando disfarçar o calor subindo pelas suas bochechas.

— Você tá viajando — respondeu, suspirando enquanto olhava o celular, tentando evitar o contato visual com Lando.

— Será? Mar, eu sou seu amigo, você pode contar o que quiser. Ninguém está viajando aqui — ele disse, com uma confiança inabalável. — Você namora há tanto tempo, mas talvez não perceba o que está acontecendo, ou talvez esteja fugindo disso.

Marjorie parou no meio do caminho, parando para respirar fundo. Ela não estava pronta para admitir, nem mesmo para a amiga, quem dirá para Lando. Ela se afastou um pouco mais do assunto.

— Lando, acho melhor termos essa conversa outra hora — ela sorriu forçada, e olhou ao redor, o local começando a se esvaziar, mas ainda com muitos olhares curiosos sobre eles. — E sim, talvez eu não entenda o que está acontecendo — falou, em um tom mais baixo, dando ênfase à palavra "talvez". — Ou talvez eu esteja fugindo disso mesmo.

Lando percebeu a tensão na voz de Marjorie e, sem querer pressioná-la mais, apenas assentiu.

— Eu só quero te ver feliz, você sabe disso — disse ele, colocando a mão no ombro dela, com um olhar amigável, mas cheio de compreensão.

Nesse momento, Emma apareceu, trazendo com ela uma leve energia de descontração.

— Encontrei vocês! — exclamou, abraçando Lando com entusiasmo. — Digam por favor que temos planos para hoje.

— Eu pensei em um social na casa do Sainz — disse Lando, dando uma risada enquanto olhava para Marjorie. — Só precisamos avisar ele.

— Pois deixa comigo! — Emma pegou seu celular, digitou rapidamente e colocou o telefone no ouvido. — CARLITO SAINZ, se por acaso alguns amigos que você ama, obviamente, quisessem levar umas bebidinhas na sua casa, o que você faria? — Ela riu, vendo os dois amigos observando-a, e após um breve silêncio, falou novamente. — Ótimo, às oito horas estaremos por aí, um besito!

— Muito bem, por isso você é minha favorita! — Lando brincou, recebendo um tapa de Marjorie na lateral do braço.

— O que foi? Me deixa ir para o hotel, preciso tomar um banho. E deixa comigo a parte do convite ao pessoal — Lando acenou com a mão, dando tchau, antes de desaparecer entre a multidão que ainda permanecia por ali.

Marjorie e Emma seguiram seu caminho, pegando suas coisas e se dirigindo para o hotel.

— Eu nunca vou entender porque você mora em um quarto de hotel, amiga — Marjorie comentou, enquanto procurava por algo na mala. Ela havia combinado de encontrar Enrico logo após estar pronta. A ideia de convidá-lo para a casa de Sainz tinha sido dela, e até se surpreendeu quando Enrico aceitou.

— Ah amiga, é muito mais prático — respondeu Emma, rindo. — Quando eu resolver casar, eu compro uma casa.

— Se depender do Carlos, já teria acontecido — Emma gargalhou, se jogando na cama do quarto de hotel.

— Engraçado, sabe? Ele me desmonta e nem se toca disso. As nossas brincadeiras e briguinhas são tudo para mim — sorriu ao responder. — Mas ainda é complicado, o histórico dele é zero. Talvez sejamos pessoas certas em horas erradas.

— Talvez, mas isso nunca impediu vocês de tentar — Marjorie disse com um sorriso torto, enquanto encarava a amiga. Ela sabia que, apesar das dificuldades, Emma e Carlos tinham algo especial.

Marjorie terminou de se arrumar, colocando um casaco por cima de seu vestido curto, como sempre fazia, gostava de se sentir bem. Ela deu um tchauzinho para Emma, que iria direto para a casa de Sainz, e foi em direção ao namorado.

— Não entendi a do casaco — Enrico comentou, com um sorriso irônico. — Com um vestido tão curto, só vai passar frio, amore mio.

Marjorie revirou os olhos, os comentários dele começavam a ser cansativos.

— Boa noite para você também — Marjorie respondeu, antes de dar um rápido selinho em Enrico.

Enquanto caminhavam para o elevador, Enrico, com um olhar desconfiado, perguntou:

— O que houve? Não queria que eu fosse?

— Eu não falei uma única palavra, nada. E você merece um prêmio por tanta história que cria na cabeça — Marjorie suspirou, sentindo a tensão se formar entre eles. — Inclusive, fiquei surpresa com você dizendo que ia. Se eu não quisesse que você fosse, não o teria convidado.

Enrico ficou em silêncio, fechando a cara, claramente emburrado. Marjorie não estava mais disposta a resolver isso naquele momento. Ela não queria mais discutir sobre algo tão banal naquele instante.

A noite prometia ser tensa.

No seu celular, Marjorie leu a mensagem de Emma, que fez seu sorriso retornar: "Charles Leclerc está aqui, segure o seu homem."

Marjorie gargalhou baixinho, achando graça da ousadia da amiga. 

The 1, CHARLES LECLERCOnde histórias criam vida. Descubra agora