Pascale observava o filho à distância, os olhos acompanhando com discrição cada gesto de Charles. Ele estava inclinado, o corpo levemente voltado para Marjorie, dizendo algo que ela não conseguia ouvir — e nem precisava. A expressão dele já dizia tudo. O sorriso contido, a postura relaxada, os olhos serenos... era raro ver aquele Charles. O Charles sem armadura, sem o peso de ser quem é.
— Maman... tá tudo bem? — Arthur perguntou, notando o silêncio contemplativo da mãe ao lado.
Ela assentiu, com um sorriso tênue, mas cheio de significado, sem desviar o olhar.
— Ele está diferente.
Arthur seguiu o olhar dela até o irmão mais velho, arqueando uma sobrancelha antes de fazer uma careta sutil.
— Diferente como? Apaixonado?
— Não sei se é amor ainda... mas é bonito. Ele parece tranquilo. E o Charles tranquilo é mais raro do que o Charles na pole.
Arthur soltou uma risadinha curta, cúmplice.
— Então deve ser sério — Pascale demorou um segundo antes de continuar.
— Eu sempre soube que, quando ele se apaixonasse de verdade, seria por alguém que enxergasse além da imagem pública, além da fama, além de tudo aquilo que inventam sobre ele.
— Espero que ela goste da nossa família — murmurou Arthur, meio implicante. — Porque fugir da gente vai ser difícil.
Pascale riu, tocando de leve o braço do filho, um gesto quase automático de ternura.
— Acho que ela entende mais do que ele percebe. Tem algo nela... uma delicadeza firme. Gosto dela. E você?
Arthur pensou por um instante, agora mais sério.
— Gosto. Ela é engraçada. Mas o mais curioso é que ela cuida dele... mesmo quando ele não nota. E isso, bom... isso já é mais do que muita gente fez por ele.
Pascale suspirou, comedidamente emocionada.
— Então talvez... talvez seja ela.
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Do outro lado do salão, Zac Brown gargalhava com um copo de uísque na mão. Oscar Piastri tentava equilibrar um canapé minúsculo e escorregadio, enquanto Lando brincava entediado com uma azeitona espetada no palito. A cena era uma mistura elegante de fim de evento: sofisticação misturada com exaustão. Marjorie se aproximou com a prancheta em mãos, revisando pela décima vez os itens da programação. Os saltos já castigavam seus pés, mas seus passos continuavam firmes.
— Olha só quem apareceu! — Zac apontou teatralmente. — A espiã da Ferrari!
— Espiã?! — ela riu, surpresa.
Oscar fingiu escândalo.
— Você ia nos trair assim, com Charles Leclerc? Depois de tudo o que passamos?
— Vocês são loucos! — Marjorie tentou manter a compostura, mesmo sorrindo. — Sou assistente do Lando, lembra? E, pra constar, a Ferrari nem abriu vaga!
— Não precisa abrir — Piastri retrucou, dramático. — O Leclerc já tá recrutando por conta própria.
Zac riu, erguendo o copo.
— A gente só quer garantias de que você não vai fugir no meio da temporada. Que tal um contrato vitalício com a McLaren?
Marjorie fingiu ponderar.
— Depende... vão incluir cláusula de bônus por tolerar piloto dramático? — Lando se inclinou teatralmente, sussurrando.
— Só não esquece de onde você veio quando estiver desfilando de vermelho pelo paddock...
