O corredor atrás da sala de imprensa estava movimentado, mas não tanto quanto a frente do palco. Jornalistas corriam de um lado para o outro, já focados nos próximos compromissos do dia. Marjorie caminhava ao lado de Lando, tablet na mão, enquanto ele conversava animadamente com seu assessor de mídia sobre a coletiva. Max os alcançou alguns metros depois, com aquele sorriso travesso que entregava que vinha aprontar.
— Então, senhorita Mazza... — Max disse, cruzando os braços enquanto caminhava de costas para olhá-los. — Gostou do show? Eu fui bem, né? Salvei seu piloto de uma pergunta chata — Marjorie riu, balançando a cabeça.
— Você só gosta de ver o circo pegar fogo, Max.
— Verdade, mas eu também sei quando apagar o incêndio. — Ele piscou. — Podem ficar tranquilos, ninguém percebeu nada.
Ela o olhou surpresa, sentindo o coração acelerar.
— Eu não... não sei do que você está falando. — disse, tentando soar casual — Max inclinou a cabeça, um sorriso ainda maior nos lábios.
— Claro que sabe. — murmurou, baixando o tom de voz. — Mas relaxa, segredos estão seguros comigo. Vocês estão jogando bem esse jogo.
Lando, que ouvia a conversa, riu baixo e passou o braço pelos ombros de Marjorie num gesto amistoso.
— Ele só tá implicando porque adora ver a gente nervoso. Mas, sério, Max é confiável.
— Eu sei. — ela respondeu, mas a voz saiu mais baixa do que queria.
Max deu de ombros, assobiando, como se tivesse apenas feito um comentário aleatório. Mas Marjorie sentia a mão tremer levemente no tablet. Era estranho saber que, mesmo tentando ser discreta, alguém como Max — com aquele jeito brincalhão, mas sempre atento — conseguia ler a situação.
Charles estava a alguns metros dali, terminando uma rápida entrevista para uma emissora local, mas seus olhos a encontravam sem esforço. Marjorie ria de algo que Max tinha dito, Lando ao lado dela parecia completamente à vontade, e por um momento Charles sentiu uma pontada de orgulho misturada com ansiedade. Era quase reconfortante ver como todos ao redor estavam distraídos demais com o barulho do paddock, os flashes das câmeras, os compromissos de mídia. Ninguém imaginaria que Marjorie, a assistente discreta do piloto da McLaren, era a mesma pessoa com quem ele havia passado um almoço inteiro no apartamento emprestado de um amigo, apenas algumas horas antes.
Melhor assim.
Charles entendia melhor do que ninguém a importância de manter aquilo em segredo — não só pelo próprio conforto, mas pela carreira dela. O paddock era um ambiente onde boatos surgiam rápido e sem piedade. E ele sabia o quanto a posição dela já era sensível: trabalhar com Lando, um dos maiores rivais dele em pista, já era algo que chamava atenção; estar romanticamente envolvida com um piloto de outra equipe só aumentaria a pressão.
E Sophia também... Charles olhou de relance para a jornalista que conversava com um colega. Ela e Lando trocavam olhares cúmplices de vez em quando, sempre discretos, sempre cuidadosos. Ele sentiu uma empatia silenciosa por ambos. Sabia que, para Sophia, um relacionamento com um piloto significava ter cada passo questionado: sua credibilidade, seu profissionalismo, sua presença no paddock. Charles ajeitou o crachá no pescoço e sorriu educadamente para o último jornalista, encerrando a conversa. Seus olhos, no entanto, estavam focados em uma cena à frente: Lando e Marjorie pararam perto de uma mesa com garrafas de água, rindo juntos de algo. Max deu um tapinha nas costas dela e se afastou.
Ela virou o rosto discretamente, e os olhos dela encontraram os dele. Foi rápido, mas suficiente. Um sorriso mínimo, cúmplice. Charles sentiu o coração acelerar — aquele gesto simples tinha mais significado do que qualquer palavra. Seus passos seguiram tranquilos, sem pressa, mas a decisão estava clara: ele iria protegê-la. Iriam construir aquilo com calma, longe dos holofotes, mesmo que isso significasse aguentar a curiosidade dos colegas e jornalistas. Afinal, no mundo deles, qualquer detalhe mal interpretado podia virar manchete no dia seguinte.
