capítulo 48 parte 2

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Vanessa o encarava olhando no fundo dos olhos, o que deixava Júlio ainda mais irado.

_ Não importa o que você diga. Você não vai nessa festa e ponto final. Agora vá pra o seu quarto!

_ Eu te odeioooooooo! 

Vanessa correu para o quarto, se jogou na cama, abraçou o urso de pelúcia e começou a chorar, soluçando. Os seus gritos eram tão altos, que impediam Luciano de voltar a dormir.

_ Merda! Pelo jeito vai ser esse inferno o dia inteiro! Deixa logo ela ir pra casa do merda do outro pai!

_ Luciano, não se mete nisso! 

_ E vou ter que suportar esses gritos histéricos o dia inteiro?

_ Depois ela para. Vai cansar.

Júlio retornou para a cama, com a intenção de voltar a dormir. Mas, os gritos de Vanessa o impediram. Levantou bravo.

_ Aonde você vai? Perguntou Luciano.

_ Dar uma volta na praia...ficar longe dos gritos dessa garota, antes que eu perca a minha cabeça.

_ E eu vou ter que ficar aqui aturando isso?

_ Faça o que você quiser.

_ Eu quero ir com você.

Júlio revirou os olhos para cima e respirou fundo. Naquele momento, não queria a companhia de ninguém.

_ Eu preciso respirar sozinho! Dá um tempo, Caralho! 

_ Como você é grosseiro!

Júlio foi ao closet, em seguida, ao banheiro, trocou o pijama por uma bermuda preta esportiva, uma blusa azul de algodão e um par de tênis. Saiu do quarto sem despedir de Luciano, como se o namorado não existisse, o que deixou o jovem entristecido.

Ao chegar no elevador, Júlio ligou para Rubens, que o atendeu no mesmo instante.

_ Tá fazendo o que, veado?_ Júlio perguntou.

_ Não me venha empurrar trabalho, Júlio. Hoje é sábado.

_ Não é nada disso. Estou precisando desabafar, conversar com um amigo. Me encontre naquele bar de sempre, perto da praia.

_ Só se você for pagar a conta.

_ Tudo bem, mas não se acostuma.

Entre gargalhadas e bebidas Júlio e Rubens passavam o tempo juntos. Estavam relaxados e felizes, ao ponto de Júlio esquecer dos conflitos que havia deixado em casa.

No entanto, a sua alegria foi interrompida com o toque do celular, que aparecia o nome de Luciano na tela. Júlio tentou ignorar diversas vezes, mas o jovem insistia.

_ Eu se fosse você atenderia essa ligação. Do jeito que essa bicha é louca, não duvido nada, que daqui a pouco ela aparece por aqui quebrando o barraco contigo.

Júlio revirou os olhos para cima. Mas, sabia que Rubens tinha razão. Corria o risco sim de Luciano aparecer no bar e o que ele menos queria era uma cena ridícula de exposição pública.

Atendeu a ligação a contra gosto.

_ Fala, Luciano._ Júlio disse expressando tédio.

_ Eu não aguento mais esta situação. A sua filha está com o som as alturas. Está tornando o ambiente um caos. Os vizinhos já estão reclamando. 

_ Manda ela desligar a merda do rádio.

_ Ela está trancada no quarto. A filha é sua. Você tem que resolver isso, não eu. Você sabe que vai receber multa do condomínio por isso.

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