Na manhã seguinte Dulce acordou com olheiras escuras, e todo o corpo doendo tanto que mal podia se mover.
Tinha ido dormir dentro da Mansão, no quarto, mas só depois de conferir que Christopher não estava dormindo lá. Não sabia onde o marido estava, mas também nem queria saber.
Exclamando de dor, Dulce de levantou da cama e foi em direção ao banheiro. Tomou um banho quente de imersão para tirar a "sujeira" do corpo, pois sentia-se muito mal, e para ver se as dores do corpo diminuiriam.
Quando retornou ao quarto, vestiu uma camisola desanimadamente e voltou a deitar na cama, cobrindo-se toda feito um animalzinho com medo.
- Madame? - Ouviu Adelaide bater insistentemente na porta.
Não se deu ao trabalho de responder, sentindo os olhos arderem.
Adelaide entrou.
- Senhora, está tudo bem? - A mulher se aproximou, preocupada.
Dulce fez que não com a cabeça.
- O que têm? E o que aconteceu com o vestido, por Deus? - Adelaide, chocada, pegou os farrapos do belíssimo vestido negro que Dulce usara na noite anterior que estavam ao pé da cama.
- Um acidente. - Dulce respondeu, distante.
- Mas como ele ficou em fiapos deste jeito? Parece que foi rasgado! Dulce se remexeu na cama. Sentia a garganta se apertar cada vez mais.
- Já disse, um acidente Adelaide.
A mulher suspirou, desconfiada e preocupada.
- Queres que eu traga o café da manhã aqui em cima? O patrão não está em casa.
"Que bom", Dulce pensou, aliviada.
- Não, estou sem fome.
- Mas como...? Não pode ficar sem comer! Está com olheiras e pálida, senhora, se sente bem?
- Não, me sinto muito mal. - Dulce respondeu de forma dramática, por mais que fosse a pura verdade. - Tenho dores, e desejo ficar na cama todo o dia.
- Quer algum remédio, senhora? - Adelaide se aproximou com preocupação. - Assim que o patrão chegar eu...
- Não quero vê-lo!
A mulher deu um passo para trás.
- Tudo bem, se acalme.Vou buscar algo para a senhora tomar e logo vai se sentir melhor.
- A dor que eu sinto não poderá melhorar nunca. - Dulce murmurou, quando Adelaide saiu do quarto. Cerca de duas horas depois, Dulce ainda estava na cama, um pouco mais calma por causa do chá que Adelaide dera à ela.
Se virou na cama e acabou adormecendo. Teve uma série de pesadelos horríveis... Cenas com seu pai, Fernando, a humilhando e debochando... Christopher lhe rasgando as roupas e a violentando...
Acordou totalmente empapada de suor, e com febre. Os cabelos lhe grudavam na testa, e haviam lágrimas em seu rosto.
Quando sentou-se na cama, viu um par de olhos diabólicos a olhando e levou um susto.
- Uckermann. - Sussurrou,
apertando o lençol.
- Estava gritando. - Ele
comunicou. - Pesadelos?
