Dulce esporeou o cavalo com mais força, para que corresse mais rápido. Olhou para trás e viu que um dos criados de Uckermann a seguia, correndo em outro cavalo e a mantendo sob vigilância. Suspirando com impaciência, Dulce voltou-se para frente. Fez seu cavalo branco correr mais rápido pelo campo, e logo viu um atalho. Olhou para trás e viu o criado que a seguia olhando-a com advertência. Sem pensar duas vezes, guiou as rédeas e fez o cavalo entrar no atalho entre as árvores.
Passado algum tempo, olhou para trás e se viu num local deserto no meio de árvores e folhas. O criado não a seguia mais, provavelmente tinha lhe perdido de vista.
- Finalmente. - Dulce murmurou, parando de correr e fazendo o cavalo trotar.
Olhou para frente, tomando fôlego.
Viu os pedaços do céu ficando cada vez mais encobertos pelas enormes árvores.
- Mas eu não sabia que havia esse atalho aqui no campo. - Ela disse, olhando ao redor e adentrando cada vez mais. Vários minutos se passaram, e logo Dulce se viu perdida no meio daquelas árvores.
- Ain, não... - Ela suava e tinha o olhar perdido, procurando uma saída.
O cavalo já estava nervoso, e por isso Dulce tentava manter as rédeas firmes, enquanto tentava achar um caminho.
- Calma... - Ela murmurou ao cavalo, acariciando-o quando o animal empinou devido à um barulho estranho vindo das árvores.
O barulho se repetiu, e Dulce olhou ao redor, assustada e ofegante.
De repente, ouviu risadas masculinas. O alívio inundou a ruiva, ao ver que não estava mais sozinha ali e que poderia pedir ajuda. Dois rapazes saíram por entre as árvores, montados em dois enormes cavalos marrons. Estavam rindo. Ambos tinham aspecto bem cuidado e eram jovens. Um tinha cabelos pretos, o outro cabelos cacheados e castanhos. Na hora em que viram Dulce, pararam de rir e pararam os cavalos.
- Ora, ora... que surpresa agradável. Eu não fazia idéia de que encontraríamos uma sereia perdida por aqui. - O de cabelos pretos disse, com tom rouco e interessado.
- Bela surpresa. - O outro disse, esporeando o cavalo para chegar mais perto de Dulce.
A ruiva piscou, olhando-os.
- Olá. Será que podem me ajudar? - Dulce perguntou.
- No que quiser, beleza. - O de cabelos pretos respondeu, trotando para perto dela. - Sou Marco Libertini. Esse é meu irmão, Franco. O de cabelos castanhos sorriu de canto.
- Como se chama?
- Sou Dulce. Dulce Maria.
- Dulce... - Marco murmurou com encanto. - Nome ideal para uma criaturinha tão encantadora.
- Obrigada. - Ela suspirou, meio sem graça. - Bem, então vão me ajudar?
- O que foi?
- É que me perdi... Não consigo encontrar um caminho de volta, mas vocês parecem conhecer muito bem isso aqui. - Dulce ainda estava ofegante, com o rostinho ansioso e os cabelos perto da testa suados. - Podem me mostrar algum caminho que dê de volta ao campo?
- Podemos sim. - Franco se aproximou com um olhar malicioso. - Mas não de graça. Que tal uma troca de favores?
Dulce franziu o cenho, começando a estranhar o olhar daqueles dois rapazes.
- Que tipo de troca? - Perguntou baixo.
Franco trocou um olhar com Marco, que sorriu levemente para o irmão.
- Acho que vai ser uma troca boa para os três. - Marco disse, descendo do cavalo. Franco também desceu do dele.
Dulce apertou as rédeas de seu próprio cavalo, meio confusa e assustada.
- Não entendi.
- Vamos lhe mostrar. - Com um sorriso malicioso, Marco ergueu os braços e tirou Dulce de cima do cavalo com a maior facilidade.
- Espere, o que está fazendo?! - Ela gritou, com o coração ao saltos.
- Se acalme, belezinha. Só estamos tentando ajudar. - Marco sorriu, segurando-a. - Não quer sair daqui? Nós a ajudaremos, mostraremos o caminho... - Mas antes você vai ter que fazer algo por nós também. - Franco completou com malícia.
- Não! - Dulce gritou, se debatendo. - Me solte!
- Pare de tentar fugir, linda, ou poderá se machucar. - Marco a apertou mais.
- Não, por favor! - Ela se desesperou e começou a chorar.
- Não precisa chorar, princesa. - Franco a abraçou por trás, deixando o pequeno corpo da ruiva preso entre ele e o irmão.
- Vai ser bom, prometo. - Marco sorriu, rasgando o vestido dela.
Dulce gritou, se tampando e segurando o pano do vestido para cima
Franco mordeu o delicado pescoço da ruiva, por trás, e Marco lhe apertou um seio. A ruiva quase vomitou, de tanto asco, o rosto delicado empapado de lágrimas.
Quando sentiu a mão dos dois descendo-lhe pelas coxas, por baixo do vestido, deu um grito estridente que fez um eco pelas árvores.
- Chega! Socorro!
De repente, todo o desespero ficou petrificado. O vento pareceu parar, as árvores ficaram silenciosas. Marco e Franco olharam para trás, estranhando.
- Não deviam ter feito nada disso. - Dulce ouviu uma voz profunda, malévola, arrepiante... e ela bem conhecia aquela voz...
