Dulce sentou-se na enorme mesa de café-da-manhã, observando hesitantemente Christopher, que estava sentado do lado oposto sem ao menos erguer os olhos.
- Christopher. - Após dez minutos de silêncio, ela o chamou. - Eu gostaria de fazer um passeio à cavalo hoje.
- À cavalo? - Ele ergueu os olhos, com uma expressão meio distante.
- Sim. - Dulce estranhou. - Ouvi dizer que aqui perto há...
- Não acho que seja uma boa idéia. - Ele a cortou friamente, voltando a mexer seu café.
- Porquê? - Ela o olhou desapontada.
Christopher a olhou duramente.
- Christopher, o que tem de mal...eu só quero...
- Não, já disse, Dulce Maria!
Ela piscou por causa do susto (ele aumentara o tom de voz de repente).
A ruiva baixou os olhos, sem saber o que dizer, e mexeu no seu mingau. Ficaram em silêncio novamente, e cinco minutos depois Dulce se levantou da mesa.
- Volte aqui. - Ela ouviu a voz firme do marido.
Dulce parou, ainda de costas.
- Venha, Dulce. - Ele ordenou novamente. Ainda estava sentado na mesa.
Ela soltou o ar, hesitante, e virou-se, indo até ele. Parou na frente de Christopher, os olhos baixos, sem dizer nada.
- Olhe pra mim. - Ele mandou, levantando-se.
Dulce levantou os grandes olhos, eles estavam molhados.
- Porquê está chorando? - Ele perguntou, agarrando o queixo dela.
O queixinho dela tremeu e os olhos ficaram com mais lágrimas.
- Foi por causa do meu grito? - Ele insistiu, mas continuava com a voz dura. - Perdoe-me, não foi minha intenção ser tão grosseiro.
- Não, é que hoje é folga do jardineiro e eu não terei nada para fazer. E Maite me contou que há um campo aqui perto, ideal para andar à cavalo, e eu queria conhecer. - Dulce contou, se acalmando. - Não sei porque você ficou assim, eu não vejo problema.
- O problema é que eu não acho aconselhável você ir sozinha.
- Vá comigo, então. - Ela disse.
Christopher soltou o ar.
- Não posso, Dulce. Hoje tenho um compromisso.
- Novamente? - A ruiva perguntou irritadiça. - E de novo quer que eu fique aqui, presa?
- Você não é uma prisioneira, Dulce. Entenda! - Ele disse com raiva. - Você só é casada com um homem muito rico e importante da cidade. E não pode me acompanhar em todos os lugares.
- E por isso eu tenho que ficar aqui dentro todo o dia, sem sair?
- Eu já lhe disse várias vezes que pode sair, contanto que seja acompanhada por algum criado da Mansão.
- Claro, porque você não confia em mim e acha que eu posso fugir se sair sozinha.
- Isso também. - Ele debochou. - Porém tampouco é respeitoso uma dama sair sozinha por aí.
- Quando eu morava com meus pais sempre saía sozinha. - Ela rebateu.
- Claro, e pelo que seu pai me contou ele morria de desgosto com isso, pois você desaparecia e voltava depois de horas. - Ele disse com ironia. - Nada adequado para uma mocinha de família.
- Isso nunca me importou. - Ela teimou.
- Mas agora importa, pois é uma mulher casada. Ou sai na companhia de algum criado meu, de confiança, ou NÃO sai!
- Um dia eu posso me cansar e escapar daqui sozinha! - Ela deu um sorriso provocativo.
- Você já sabe que se tentar está perdida comigo. - Ele sorriu maldosamente, como numa
ameaça.
Dulce ficou séria.
- Ótimo. Então se eu quisesse ir andar à cavalo hoje, acompanhada por alguém da
mansão, o que você diria?
Christopher a observou sem expressão.
- Faça o que quiser então, desde que quando eu retorne você já esteja aqui. - Respondeu de maneira fria, segurando Dulce pelos ombros e afastando-a de
seu caminho para passar.
- Que estranho... - A ruiva murmurou, pensativa, observando a porta pela qual o
marido acabara de sair. - Porque será que ele hesitou tanto em permitir que eu fosse andar de cavalo? Quando eu falei nisso a expressão dele mudou!
