Friend Or Foe

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Robert Lewandowski  

Dessa vez, vou pelo banco da frente. Em silêncio, meu motorista dirige pelas estradas da Polônia, rumo a Augustów, e eu pego uma cerveja gelada do porta-copos. Já são duas horas na estrada.

Szczesny, no banco de trás, não fala nada há uns vinte minutos, lendo alguma coisa no notebook.

Estouro a tampa e levo a garrafa até a boca. O líquido desce gelado, amargo.

Passados dois ou talvez três minutos, quebro o silêncio no veículo.

— E então, esse fungo que o Bednarek falou realmente existe? — Encaro-o pelo retrovisor, passo o polegar pelo rótulo úmido enquanto espero a resposta.

— Existe. — Ele me envia no celular alguns dos poucos arquivos que encontrou. — Há pouca coisa publicada, e o artigo mais completo já tem uns vinte anos. Mas é praticamente o que ele descreveu; não estava inventando abobrinha para agradar aos ouvidos.

— Dessa vez. — Complemento, ele disse a verdade, foi esperto o suficiente para saber o que aconteceria se não fosse.

— Alguma coisa que isso tenha de útil?

Vasculho os arquivos enviados atrás de alguma resposta.

— Mais do que imagina! Ou pelo menos para o pesquisador maluco que foi atrás e escreveu o artigo... — Szczesny não tira os olhos da tela. — Diz que os locais davam esse cogumelo para tratar bebedeira. Fervido, em chá.

Ergo a sobrancelha.

— E resolvia?

— Eles juravam que sim.

Fico em silêncio por um momento, viro o rosto para a vista fora do carro brevemente. Se serve para cortar bebedeira de aldeão, talvez sirva para segurar outras substâncias...

— Só que tem um detalhe: os esporos. — Ergue o rosto pela primeira vez em um bom tempo. — Ingerido já pode ser um problema, inalado é outro bem maior.

Desço a página, encontro o caso no arquivo. Um rapaz que inventou de inalar demais na colheita e passou horas desnorteado, sem nem ao menos conseguir andar direito pela mata, até o encontrarem horas depois.

Não serei eu quem vai colher essa coisa, meu interesse é na substância que carrega e não nele. Fecho o arquivo e guardo o celular em meu bolso, me aconchego de volta no banco.

O vento do ar-condicionado bate direto em meu rosto, gelado, um sopro que não cansa nem enfraquece. Poderia baixar, mas não baixo. O frio ajuda a manter os olhos abertos.

O vidro ao lado do rosto já embaçou na parte de baixo. Encosto o dedo ali e o arrasto devagar, abrindo uma trilha no embaçado, que some quase no mesmo instante. Apoio a cabeça no vidro frio e observo lá fora.

O céu parece distante, de um azul intenso, meio cinza, coberto por nuvens que passam sem fim, quase branco na linha do horizonte, iluminado por uma luz sem direção. Nada tem sua sombra.

Uma garoa fina se acumula no vidro até o limpador arrastar tudo para o lado e começar de novo. Nas valas da beira da estrada, a água parada reflete o céu e fica ainda mais azul do que ele.

Passei anos da minha vida sob esse céu, e ainda não sei dizer se me acalma ou só ajuda a me distanciar da minha própria mente.

A estrada para Augustów é longa... Não acho que descansei bem o suficiente essa noite, em algum momento, acabo adormecendo sem perceber.

Acordo com o carro estacionando. Sinto a luz na lateral do rosto antes de abrir os olhos direito. Não é quente demais, só clara demais para ser manhã.

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⏰ Última atualização: 15 hours ago ⏰

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