♦ Capitulo 51 - Rosa machucada. ♦

2.3K 158 11
                                        

É Em um momento, você está repleta de felicidade e com a pessoa que você ama.

E em um piscar de olhos, sua vida se transforma da pior maneira. Você imagina que tais tragédias acontecem com outras pessoas, nunca com você.

Você se sente intocável, inacessível para as possibilidades de um sequestro, de um assalto, frutos da violência em que vivemos nesse mundo.

- Meu Deus, o Enzo foi... - Meu cérebro negava o que tinha acabado de acontecer.

Não pode ser.
É alguma pegadinha? É isso. Enzo quer me matar do coração. Esse maldito quer me assustar e resolveu fazer essa brincadeira sem graça comigo.

- Enzo, pode aparecer seu filho da puta! Isso não tem graça. Não tem... Não tem!

E para aumentar o meu tormento, começo a sentir algumas pontadas na barriga.

Ah, claro. Você decidiu nascer agora?

- Você está brincando comigo, não está? Isso não tem a menor graça, Deus!

Olho para os lados e não vejo uma alma viva. É meio óbvio, já que é de madrugada e a maioria das pessoas estão dormindo.

- Merda! Não é possível! Esqueci a droga do celular. - Meu cérebro começa a refletir sobre as opções que possuía. Sair na rua e gritar feito uma louca ou voltar para casa da minha mãe. Eu não sairia assim, com essa barriga enorme e ainda vestida de noiva, solicitando por uma ajuda nessa madrugada. Será que alguém me atenderia?

Não sei. Duvido muito.

O mais certo seria voltar para casa. E, com um sangue frio que nunca tive, saí do carro e dei a volta, sentando no lugar do motorista.

Eu preciso manter a calma.
Preciso respirar fundo.

- Não posso chorar agora. Não posso... - Murmuro, como se eu conseguisse unir tais forças para me concentrar no caminho de volta, sem que eu bata o carro. Passo as mãos no rosto, limpo as lágrimas e decidida, dou a volta com o carro e vou para a enorme mansão.

**********

- O Enzo... Sequestrado? - Todos estão assustados. Não sei como, mas consegui fazer o caminho sem ter feito algo pior com o carro. Era como se tivesse sido possuída por uma alma corajosa e fria, ignorando a dor que retorna em cheio. Agora que estou com minha mãe, Annie, Helena e seus pais, Renan, Nicolas e Richard, eu paro para sentir novamente o aperto em meu peito.

- Como isso é possível? Moramos na Inglaterra! Essas coisas não acontecem aqui! - Annie está indignada, e ela senta ao meu lado. Segura minha mão, acaricia o meu rosto e por fim, me toma em seus braços.

- Kath, nós vamos conseguir salvá-lo. - Um afago, um gesto que eu tanto preciso nesse momento. Minha mãe se posiciona no outro lado, e agora tenho as duas mulheres mais importantes na minha vida me apoiando.

- Alguém precisa ligar para a polícia.

- Sim. Eu farei isso agora. Cuide dela, Annie. - Elza tem um amigo policial que pode ser muito útil agora. Minha mãe se afasta de nós e vai até o telefone. Os outros estão cochichando entre si, sofrendo tanto quanto eu. Helena é a única que não diz nada e parando para observá-la melhor, vejo que está pálida e com o olhar perdido.

- Helena? Está tudo bem? - Como eu ainda posso ter tempo de me preocupar com ela?

- Oi?

- Você está passando mal, Helena? - Refaço a pergunta, tendo agora a sua total atenção. Está tão dispersa e triste quanto eu. Querendo ou não, Helena gostou muito de Enzo e mesmo que ele não esteja mais com ela, sei que está sofrendo com isso.

Prazeres da NoiteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora