♦ Capítulo 11 ♦

6K 427 20
                                        

Katherine

Eu e Annie simplesmente arrasávamos juntas. Pense numa ruiva envolvente e uma sedutora morena? Logico, era a dupla infalível!

— Annie, quantas vezes eu vou ter que pedir desculpas? Eu estava resolvendo meus problemas.

— Biskath Biskath, eu sei muito bem que problemas você estava resolvendo.

Annie fez questão de destacar aquela palavra. Ela era a única que me conhecia, sabia todos os meus medos, traumas e temores.

— Mas só por hoje, eu vou te deixar em paz. Vem, precisamos entrar em todas as lojas até encontrar nossas divinas peças!

E assim, a dupla dinâmica perdeu mais de três horas naquele lugar. Assim que as meninas olharam em seus relógios, constataram que já eram 21 horas. A festa começaria a meia-noite, simulando a véspera do Natal e só terminaria as 6 da manhã.

— Kath, onde é que você vai passar o Natal?

-— Você sabe muito bem onde, Annie. E por favor, não tente mudar a minha escolha. Faço isso todos os anos, você sabe muito bem.

— Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Agora vamos embora logo. E não se esqueça, teremos a apresentação do seu novo companheiro de trabalho, Enzo Miller. Te encontro lá?

— Sim. Até!

— Até!

Despedi-me de uma das minhas melhores amigas e parti rumo a minha casa. Eu precisava de um outro banho, de maquiar-me e ir vestida como uma das mais belas da festa. E de Londres! Se Enzo estaria lá, com certeza eu faria questão de mostrar o quanto eu havia mudado, me tornado uma mulher que conhecia todos os segredos para conquistar um homem, uma mulher decidida, imponente e não mais aquela adolescente boba que ele usara e enganara. Eu queria a minha vingança e nada melhor do que mostrar a um homem o que ele havia perdido.

— Ah, Enzo. Se eu pudesse, eu cortaria seu pau todinho e cozinharia as suas bolas para que você nunca mais engane outra!

Na época, eu era uma menina feinha. Feinha não, horrorosa. Pense numa magricela sem corpo, de aparelho e que odiava o próprio cabelo. E claro, eu era a excluída da escola. Eu nunca soube o real motivo de Enzo ter me feito de idiota, ter me usado como um brinquedo e depois ir embora sem nem ao menos se despedir. Depois daquela noite, eu fiquei uma semana enfiada em meu quarto, com a desculpa de que estava doente. Minha mãe nem se preocupou, mas o meu pai ia até o meu quarto todas as noites tentando descobrir o quê, ou quem, havia feito aquilo comigo. Eu estava no fundo do poço. Enzo havia me convidado para o baile de formatura e eu havia achado o máximo! Meu pai desconfiou no início, mas depois, me levou a todas as lojas famosas de Londres para encontrar o vestido perfeito. E foi a melhor noite da minha vida. As garotas populares me olhavam com um misto de inveja e ironia, pois Enzo era um dos garotos mais gatos da escola. Eu nessa época não me preocupei e tão pouco desconfiei de que algo tão ruim iria acontecer comigo. Eu achava que finalmente, havia encontrado o meu príncipe encantado.

Aprendi da pior maneira que príncipes, e ainda mais encantados, nunca existiu. Maldita Disney, destruidora de sonhos de nós, adolescentes. Desde pequenos, nós nunca nos suportamos. Ele era uma criança mimada e chata e sempre queria a atenção só para ele. Nós sempre brigávamos. Sempre. Eu saia toda roxa, mas não deixava barato: Enzo saia todo mordido e vermelho. Se eu não tinha força nas pernas e braços, eu fui recompensada nos dentes.

Eu tinha que preparar-me espiritualmente. Fazia anos que não o via. Depois daquela catástrofe, eu fugi e fui estudar em outro país. E do jeito que conhecia aquele idiota, ele não seria capaz de vir atrás. E foi na faculdade que conheci as minhas outras duas melhores amigas: Rebekah e Paula. Se não fosse por elas, hoje eu continuaria sendo a mesma patinha feia e sem maldade alguma. Elas me mostraram o que podemos fazer com os homens. E com isso, aprendi que nenhum merecia o meu amor. Eu só queria o corpo deles, e com a facilidade com que os tinha em minhas mãos, não foi difícil eu me tornar a Biskath. Uma mulher sem limites, que não tinha medo de dizer o que pensa e que quando queria um homem, fazia de tudo para tê-lo em sua cama. Compromisso? Só com os meus estudos, meu bem! Eu consegui conciliar perfeitamente as minhas saídas e os estudos, sendo a primeira da turma.

Droga, eu havia perdido 20 minutos apenas refletindo sobre o meu passado. Eu deveria ir para o banho, e agora!


✤ ✤ ✤

Eu estava divina. Como um colega de sala havia me dito uma vez, eu estava como a reencarnação de Nyx. Rainha da noite, ela parecia como uma deusa benéfica simbolizando a beleza da noite e também como a cruel deidade do Tártaro, A Tartárea, que proferia maldições e castigava com terror noturno. Considerada também como a deusa da Morte, a primeira rainha do mundo das Trevas e tinha dons proféticos.

Aí, você viu. Não tinha como não se encantar com ele! Nos tornamos grandes colegas, mas no fim do curso, ele precisou voltar para o seu país e desde então, nunca mais nos vimos.

Annie me ajudou a escolher o vestido. Ele era preto e longo e possuía mangas. Meus seios pequenos ficaram perfeitos e por isso, não precisei usar sutiã. Essa era uma das vantagens de possuir algo desse tamanho. Finalizei com um discreto cinto de mesma cor do vestido, e o meu cabelo estava preso em um coque caído e com a franja solta. Um brinco de diamantes e a maquiagem simples, mas que chamava a atenção para os meus olhos castanhos.

Essa noite, eu precisava ser a mais profissional possível, e não a cadela da Biskath. Sai do apartamento correndo e antes de entrar no elevador, fiz o sinal da cruz. Vai que a minha macumba acontece de novo né, meninas?

Tirei as chaves do Shelby de minha bolsa de mão e fui para a festa. Aquela festa seria a melhor. Dispensei a limusine pois sinceramente, eu odiava aparecer como a paparicada filha do dono da empresa. Eu não precisava de mais um apelido.

Acreditava piamente que jamais o veria de novo, já que seu pai tinha uma saúde de ferro. De acordo com os meus informantes, Enzo havia mudado de casa e só aparecia as vezes para visitar sua mãe. Ninguém sabia me informar seu endereço ou até mesmo seu número. Ele conseguia despistar todos.

Portanto, eu não teria que confrontá-lo tão cedo. Mas a vingança é um prato que se come bem frio. E logo, ele surgiria. Pena que teve que reaparecer por um infeliz motivo.

Eu não sei como seria vê-lo depois de tanto tempo, mas de uma coisa eu tinha em mente.

Hoje, Enzo pagará por tudo o que me fez!

✤ ✤ ✤


Ui! Biskath toda trabalhada no espírito da vingança! O que será que ela vai aprontar? Mais tarde, postarei mais um pouco e espero vocês!

Prazeres da NoiteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora