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Explicações

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Deveria existir um limite para decepções. Tipo uma cota de vezes em que você seria feito de idiota, uma cota de vezes em que você quebraria a cara. Atingindo esse limite o universo olharia magicamente para você e diria: já estraguei a vida dessa pessoa o suficiente. É hora de fazer algo dar certo, ou quem sabe fazer menos coisas darem errado. Mas claro isso é basicamente impossível. Sendo assim continuo sendo a mesma azarada de sempre, pensando no quanto as coisas podem ser injustas.

Suspirei e me recostei nas costas da minha cadeira.

- Deus eu vou ser demitida – falei em voz alta. – No meu primeiro dia.

Falar português – minha língua nativa – me acalmou um pouco. Infelizmente foi muito pouco benéfico para os meus nervos.

Encostei a cabeça na mesa e bati de leve com ela ali.

Soltei um novo suspiro, que acabou se tornando um riso histérico. Pessoas normais agem racionalmente quando estão nervosas- ou tentam – eu, no entanto tendo a surtar quando fico sobre pressão.

De todas as pessoas para insultar, tinha que insultar logo ele! E não contente com isso eu precisava agredi-lo também.

O barulho do elevador me alertou que em breve eu não estaria mais sozinha. Mordi o lábio empurrando minha risada para dentro, assumindo algum controle.

Fiquei de pé quando as portas se abriram agonizantemente lentas. Gregory Mabuchi deu um passo para fora, e instantes após isso as mesmas portas prateadas fecharam-se atrás dele.

Freneticamente fiz minha mente trabalhar em algo que me fizesse sair da situação em que eu me encontrava com alguma dignidade.

Olhos cor de carvão me fitaram com intensidade enquanto o dono deles caminhava até mim. Eu posso ter vacilado sobre sua atenção e dado um passo, - ou três para trás.

- Sem grandes agressões, senhorita? – perguntou-me. Sua voz odiosa tinha a mais sutil das diversões.

Eu engoli pensando.

- Eu tenho como explicar- foi tudo que saiu da minha boca.

Brilhante Jasmim. Realmente muito tenaz!

Uma sobrancelha escura ergueu-se.

- Tem?

Balancei a cabeça assentindo. O gesto me pareceu demasiado infantil, por isso me obriguei a parar de balançar minha cabeça como se eu fosse um boneco movido a pilhas.

- Tenho – senti a bolha histeria retornar, porque eu não tinha uma desculpa boa o bastante para dizer. Não em voz alta pelo menos.

Meu olhar baixou para a mancha em suas calças e meu rosto queimou.

Tornou-se quase audível ouvir as engrenagens do meu cérebro se esforçando para funcionar.

- E então?

Levantei meus olhos fazendo contato visual.

E então que eu estava ferrada. Jesus eu estava tão perdida.

- Desculpe-me – disse e fui sincera. Em parte pelo menos. - Eu não tive a intenção de derramar café em você... Quero dizer no senhor.

Yeah Jasmim gagueje como uma estúpida. Você vai se sair bem desse modo.

Fechei os olhos brevemente pensando em que movimento fazer a seguir. Foi quando seu telefone tocou. Mal pude acreditar na minha sorte quando Gregory Mabuchi o colocou na orelha.

- Sim?... Estou resolvendo isso... Mandarei o contrato por e-mail... Certamente... Exceto por alguns ajustes... Reunião?– seus olhos encontraram os meus e eu dei mais um passo para trás encontrando a parede. – Amanhã – Sr. Mabuchi continuou quebrando o contato visual. – Eu tenho um pequeno contratempo para resolver.

Eu era o contratempo?

Ele desligou o telefone, sem dizer adeus ou obrigada, porém no momento em que abriu a boca seu telefone tornou a tocar.

Não estou tão azarada assim, murmurei baixinho com certa vitoria.

Gregory franziu a testa ao ver o número no mostrador e suas feições mudaram.

- O que aconteceu? – seu semblante mudou de preocupado para quase suave enquanto escutava a pessoa do outro lado. Perguntei-me com que ele estava falando para transforma-lo tão rápido. – Tem certeza?... Não irá me atrapalhar... Eu só preciso saber como chegar até ai... Sim, eu chego em uma hora.

Quando ele desligou o telefone novamente me preparei, mas ao invés do temido VOCÊ ESTÁ DEMITIDA, ouvi um:

- Conversaremos amanhã. Eu estou saindo e não voltarei. Anote meus recados, mas não passe nenhuma ligação para o meu telefone particular em casa. Não importa a origem.

E bem assim Gregory mabuchi, chamou o elevador e saiu com sua calça manchada de café e meus dedos marcados em sua bochecha.

Desabei na minha cadeira pensando no que tinha acabado de acontecer.

1- Eu nem sabia o numero de sua linha pessoal então ele não tinha que se preocupar comigo passando chamados.

2- Foi menos horrível do que achei que aconteceria.

3- Ele disse conversaremos amanhã, por mais enfadonho que tenha sido seu tom, conversar amanhã significa que eu ainda tinha um emprego. Pelo menos por amanhã.

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