Olaaaaa só queria dizer que eu amo Chase e vou defendê-lo!!!
Eu estava insegura quanto ao resultado da minha prova, mas de certa forma esperançosa de que teria um ótimo desempenho. Verdade seja dita, não estudei muito no final de semana, mas estava me preparando para as provas finais há um mês, então acreditava fortemente que dois dias de descanso não fariam uma diferença tão gritante assim.
Olhei ao redor do Campus com um meio sorriso no rosto. Não havia quase ninguém fora da sala de aula, provavelmente porque ainda faltavam cerca de quinze minutos para o sinal tocar, anunciando que todos poderiam se arrastar das cadeiras e irem para os dormitórios ou qualquer outro lugar que desejassem. Como já tinha acabado de responder à minha prova, pude sair mais cedo. Normalmente teria corrido tão rápido quanto à velocidade da luz para chegar à estação de metrô, mas neste dia estava gostando de aproveitar o silêncio da faculdade e a sensação que isso me causava. Eu estava indo embora dos Estados Unidos, então era quase um adeus para mim, afinal era minha última prova e um pulo para a apresentação do meu TCC.
A noite tinha ficado fresquinha de repente, mas não de forma desagradável. O verão estava começando aqui enquanto o inverno estava chegando a todo vapor no Brasil. Eu nunca iria me acostumar com as diferenças rápidas de temperatura, ainda assim, sentiria falta até disso. Perguntei-me se também sentiria falta de Mabuchi e isso me fez pensar na nossa conversa não terminada mais cedo.
– Ela não é minha namorada! – ele disse e eu ri. Ri porque não acreditava, ri porque queria acreditar que ele não era um babaca tão ruim assim, ri porque gostei de ouvir e não deveria.
– E eu sou o Papa! – respondi com sarcasmo. – Precisa me dizer algo que envolva estritamente trabalho? – questionei, porque sabia que nada de bom viria daquela conversa.
Ele não respondeu. Ergui minha sobrancelha.
– Tem? – cutuquei mais um pouco. Ao invés de me responder, ele entrou em sua sala batendo a porta.
Foi assim que a conversa acabou. Éramos mesmo duas crianças infantis, e era melhor assim. Preferia isso a me envolver em algo que não estava preparada. Suspirei esfregando os olhos. Não sei por que não queria voltar para a casa, era bobagem, mas queria aproveitar cada pequeno segundo um pouco mais.
– A última prova. Parece que o final está realmente chegando – me sobressaltei ao ouvir uma voz masculina atrás de mim.
Meu coração diminuiu a batida quando vi Chase e não um possível maníaco.
– Ah, oi! – ri, nervosa. – Não vi você, Chase. Está nostálgico também?
– Algo como isso – ele riu sem jeito, o que era normal, já que nós nunca nos falávamos e nos raros momentos em que isso acontecia era um oi casual e não mais que isso. – Posso sentar? – ele apontou para o espaço vago ao meu lado.
– Claro! – cheguei um pouco para o lado e coloquei minha bolsa no chão, dando um espaço maior para ele.
Eu estava sentada numa parte não muito iluminada do Campus, mas era um dos meus lugares favoritos, um banco de concreto quebrado ao meio, debaixo de uma arvore gigante, que me dava uma sensação boa de ficar ali.
– Não sei se nostalgia é o sentimento correto – refletiu, sentando-se. – É mais uma sensação estranha e boa ao mesmo tempo.
– Nostalgia – afirmei, brincando.
Estreitei meus olhos observando-o. Eu não o conheci bem, mas mesmo assim podia dizer que ele estava estranho, como se suas palavras refletissem algo mais do que estava dizendo de fato. Eu havia sentido o mesmo na nossa breve conversa na galeria. Chase era bem mais do que deixava transparecer. Porque ele fazia isso, eu não sabia, mas era quase como se ele escondesse algo. Rolei os olhos mentalmente, Meredith estava certa, eu estava assistindo séries policiais demais.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Era Pra Ser Você
Chick-LitJasmim Sanclair é uma estudante de design fazendo intercâmbio em Nova York. Depois de ser assediada pelo antigo chefe, perder o emprego, ser barrada nas aulas e quase não ter mais um lugar para morar ela já deveria saber que nada seria fácil em sua...
