Acordei assustada com mamãe
me cutucando, pois já tínhamos chegado.
Aaaaaaaaaaah - gritei apavorada, fazendo mamãe gritar de susto também.
- Ai menina! Você quer me matar
é?! - falou colocando a mão no
peito, para ver se diminuía as
batidas aceleradas que o coração
dela fazia.
- já chegamos? - perguntei coçando
os olhos.
- ja sim. O avião já está no chão
à cinco minutos. Seu pai já desceu. Pediu pra eu te acordar, pensei
que você tinha morrido.
- ah. Já vou descer. Espera só eu
arrumar meus "bêlos." - falei sorrindo e passando a mão em meus cabelos.
Minha mãe me observava pensativa,
como que me admirasse.
Olhei para ela novamente e sorri. Mas, ela não devolveu o sorriso.
Às vezes minha mãe tinha um comportamento bipolar comigo.
Mas só comigo. Em alguns dias
ela me amava e em outros parecia
ter nojo. Eu em! Ela é maluca!
- já está terminando de alisar
esses cabelos Emmy?
- já acabei! - falei me levantando
e pegando minha mala e uma mochila.
Ela foi na frente como se estivesse só. Quando desci as escadas ouvir uma voz atrás de mim.
- Bem vinda a cidade do pecado
Emmy! - gelei. Não queria olhar
para trás. Continuei andando,
como se não tivesse escutado nada.
Avistei meu pai. Estava ao telefone, não fazia a minima ideia de com quem falava.
- ele está falando com seu tio, o
irmão dele. - ouvi a voz atrás de
mim de novo. Tomei coragem e
olhei para trás. Era Marissa.
- Aaah! Então eu não estava sonhando. Você sentou do meu
lado no avião mesmo!
- É... também...
Sentei do teu lado.
Mas, você teve sim um sonho . - falou
a alma brincando com o zíper da minha mochila.
Olhei para o céu com ódio e medo.
- desencosta de mim!
Demônio! - gritei. Olhei para trás,
ela havia sumido. Quando olhei
para frente tinha várias pessoas olhando para mim confusas.
Outras riam.
- ta ficando maluca é garota? - disse minha mãe botando a mão no rosto, devido a vergonha que a fiz passar.
- o que aconteceu
querida? - perguntou meu pai confuso.
- Ah... é que...
- Não se atreva sua garota
mimada! - uma voz grossa sussurrou em meu ouvido me fazendo arrepiar.
- n...nada pai - falei com voz trêmula.
- como assim nada? Ouvi você
gritar como se alguém tivesse te tocando! Filha, fala para mim o que você tá sentin...
- medo! - berrei, interropendo
ele e começando a chorar.
Nunca eu tinha me encontrado
com uma alma.
Nem acreditava que elas realmente existiam.
Agora todos estavam com os olhos fixados em mim.
- medo? - meu pai arregalou os
olhos - filha, você quer voltar para o Brasil?- meu pai sugeriu.
Minha mãe bufou.
- ah George. Não acredito que
você voltará por causa dessa
menina mimada!
- Não pai, não precisa. É só...
coisa da minha cabeça... - suspirei.
- quer ficar mesmo filha? - perguntou um tanto preocupado.
- sim.
Minha mãe ficou radiante porque
não escolhi voltar.
- ah filha! Você não sabe como
estou agradecida por você ter escolhido ficar! - ela correu até
mim e me abraçou. - agora vamos procurar um hotel, né minha
querida filha? - falou me pressionando para si.
- É... pode ser.
"Ela vai se arrepender de ter
vindo para Nova York "- falou a
alma observando aquela família
indo embora do aeroporto.
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A Inimiga da Morte
HorrorAs pessoas estão certas quando dizem: "Tenha cuidado com o que fala, pense bem antes de dizer algo, palavras podem destruir vidas. " Ou então quando falam : "Deixe os mortos em paz. Não fale mal deles. Eles podem te ouvir. " Mas Emmica nunca seguiu...
