Capítulo 50

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**Anjo Micael**

Acordo de cabeça para baixo, pendurado pelo pé em correntes. Tentava ver as coisas, mas o mundo de cabeça para baixo não era nada legal.

Vejo Azrael vindo em minha direção.

– Acordou pequena criança? - riu ironicamente.

– Sai de perto de mim, morte. - digo em tom autoritário.

Ela chega mais perto de mim e me empurra fazendo eu rodar e ficar  preso entre as correntes.

– Você não manda em nada aqui... E agora, também não mandará no mundo dos humanos.

Ele me vira fazendo ficar de costas para ele e segura nas minhas asas com força. Dou um grito de dor.

– O que você irá fazer Azrael?! - pergunto desesperado.

– Reverter o que você não era nem para ter se tornado.

Então ele puxa com toda as forças minhas asas, como se tivesse rasgando um tecido, e eu podia sentir algo sendo arrancado do meu corpo.
Comecei a gritar forte e alto, clamando por Deus. Eu sabia que ele não conseguiria arrancar minhas asas, mas a dor, era como tal. Então ele do nada para, e por uns segundos, achei que ele tinha desistido. Dei um suspiro de alívio e fechei os olhos, foi quando senti algo cortando-as, e só a pluma, caía no chão em grandes quantidades. Comecei a chorar com aquilo. Sei que se regenerava. Mas, para que, tudo isso? Então ele acaba de cortar e passa a mão no que apenas sobrou. O que era pouco.

– Pronto bebezinho, de volta a sua forma normal. - disse a morte limpando as mãos, como se estivessem com pó.

– O que você fez comigo? Essa não é minha forma normal! - eu soluçava de tanto chorar.

– Cala-te! Eu já ordenei. Ou queres que eu passe pontinhos pretos em sua boquinha? - disse pegando nos meus lábios.

Então me silenciei na hora. Tudo menos aquilo. Aquilo doía demais!

– não! - gritei. - Azrael, pelo amor de tudo o que é mais sagrado, por que você se tornou assim? Por que está tramando tanta crueldade? Por que desaponta tanto o nosso pai?!

Falei entre soluços . Era difícil falar normalmente com tanta dor e tristeza que tinha dentro de mim.

Ele ficou parado na minha frente . Não dava para ver o seu rosto. Ele era sempre muito sombrio e anônimo. Aquilo me dava mais medo do que eu já estava, eu não sabia e nem desafiava a capacidade do anjo da morte, mesmo nós sendo irmãos, e conhecendo ela há muitos anos.

– Deus não foi justo com você quando ele me enviou. Por que o protege tanto?

– Ele é o nosso pai Azrael. O criador dos céus e da terra. E que nos criou também!

– Chega! Não Quero mais saber! - grita fazendo o local dar um estrondo.

– Se ele é o criador e seu pai, porque ele não veio te salvar?

– Você está agindo como o Satanás! Como Judas! Seu traidor!

Tento me soltar daquelas correntes e avançar encima dele.

– Eu estou sendo verdadeiro! Você que não vê! Se Deus te ama tanto, por que ele não te livrou enquanto tu tinhas vida? Fez tu pagar pelo erro da tua mãe, e me mandou tirar a tua vida! - gritou.

Ele estava furioso. Mas ele por incrível que pareça, estava falando a verdade. Eu conheço quem usa mentiras. E aquele momento, não era o caso.

– O que tu queres dizer com essas confissões Azrael? - perguntei. Eu poderia ser apenas uma criança, mas eu não era tão ingênua como ele pensava.

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