Capítulo 11

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Minha respiração continuava
ofegante, quanto mais ele
aproximava a sua mão do
meu rosto, mais eu me sentia
fria, sentia que as batidas do meu coração desaceleravam, minhas pernas ficavam bambas, enfim, sabia
que quando me tocasse não seria
um "oi querida Emmica", e sim
um "até nunca desgraçada".

***Anjo***

Estava passando pelos piores
dias da minha vida.

Aquela morte desgraçada!  Ela não está sendo justa!

O criador não vai ficar nada feliz de saber disso.

E o infeliz de Lúcifer aliou um de seus demônios a morte. A Marissa.
Vai ser mais difícil do que eu pensava.

Não tenho como pensar direito com
minha boca ferida! Dói muito.
Agora eu sei o que os humanos chamam de dor. Isso é horrível! Tirei todos os pontos, mas está muito ferido.

Oh se eu tivesse ainda forças e poderes para me curar... Mas a cada dia que passa estou perdendo mais e mais. E tudo isso por quem? Sim, sim. Por ela! Eu prometi ao criador que iria sempre protegê-la, e é isso que eu farei, mesmo sendo a coisa mais dolorosa que seja.

O que um humano põe num ferimento para sarar? Vou ir perguntar a Emmy.

É... Eu sei que é proibido anjos ter contato com humanos, mas pode haver uma excessão para mim.
Só assim já aproveito e vejo se
ela precisa de algo ou se está bem.

Cheguei em frente ao hotel, senti uma energia pesada no ar. Achei estranho.

Daí lembrei: Lúcifer! Marissa! Morte!

Invadi o hotel desesperado, sem dar a mínima em esbarrar nas pessoas.
Mas tinha que correr, pois devido
eu ter apanhado bastante, minhas asas ficaram machucadas. A minha única vantagem era estar invisível aos olhos humanos.

Corri depressa até o quarto 66.

"quarto do capeta."- pensei.

Quando finalmente cheguei vi que realmente, a energia negativa estava dentro do quarto. Sem pensar duas vezes entrei, e vi a cena que eu
mais temia:

A morte havia rendido Emmy.
Ela estava muito pálida. Não pensei
duas vezes, e gritei:

- larga ela seu imbecil!

Ele olhou imediatamente para mim.

- olha quem resolveu
aparecer... - gargalhou virando para mim e esquecendo Emmy por alguns
instantes. - cadê os pontinhos fofinhos
que estavam na sua boquinha?

- você é patética! - balancei a cabeça.

- só vim pegar o que é meu.

- ela não é sua! - gritei.

- hahahahahahahaha - gargalhou novamente - desculpe. Mas... o meu dever é exterminar as pessoas. Só estou fazendo o certo...

- Não! Você não está fazendo o certo!
Está sendo injusta! - gritei condenando-a

- Eu não estou sendo injusta!

- o que você acha que o criador vai pensar? Ele vai te banir morte!

- HAHAHAHAHA! - a morte gargalhou
alto. - banir de novo? Eu já estou banida! Esqueceu? E ele não pensará nada de ruim. E se pensar, pouco me importa!

- Escuta aqui morte! Você sabe muito
bem que Deus não quer que você escolha!
Cada pessoa tem o seu dia! Você tem
que matar na ordem! Não escolher aleatoriamente. Deus te escolheu,
porque ele quer uma morte justa.
Não importa se é negro ou branco.
Rico ou pobre. Para o criador não
existe diferença. Agora vai embora
e deixa ela em paz!

- blá blá blá. Sempre assim.
Nunca posso me divertir. - cerrou
os punhos e veio em minha direção.

- olha, eu vou... - flutuou até o meu ouvido e sussurrou:

- Mas eu volto...E dessa vez não vou
pegar só a garota, e sim, você também! - trinquei os dentes.

E ela entrou no chão virando fumaça.
Olhei para o canto da parede. Emmica estava desmaiada no chão. Ainda muito pálida. Fui até ela. Toquei-a.

Estava parecendo uma morta, de tão gelada e pálida que estava. Peguei ela
nos braços e a coloquei na cama.

Posso parecer que tenho apenas 4 anos, mas se possível consigo levantar um elefante.

À enrolei com um cobertor e dei um
beijo em sua testa. Para quando
acordar, pensar que tudo aquilo foi
só um pesadelo.

Saí pela janela para testar minhas asas. Elas estavam muito danificadas. Mas eu tinha que tentar.

Respirei fundo e pulei.

Consegui voar só por alguns segundos, até perder o equilíbrio e cair de cara num arbusto.

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