capítulo 07

43 7 0
                                        

Me virei. Era uma criança de
mais ou menos 4 anos.

Estava olhando para o chão.

Dava para perceber
que era um menininho lindo,
tinha cabelos bem cacheados
e loiros, era pálido.
Parecia até um anjo.

Estava a chorar.

Tentei me aproximar dele.
Mas, quando quiz toca-lo, 
ele levantou a cabeça aos
céus e deu um grito
amedrontador forçado.

vi seu rosto.

Levei minhas mãos até a boca, quando vi que a boca do
menininho estava costurada e
quanto mais ele a abria para gritar,mais os pontos de linha
que tinha na boca dele se
rompiam fazendo rasgar o
seu lábio inteiro.

Era horrível.

Gritei de pavor e corri para a porta tentando abri-la para sumir daquele quarto.

Girei a maçaneta, tentativa falha.
Estava trancada por fora, e a
chave não estava comigo.

Bati desesperada, não querendo
olhar para aquele pequeno
demônio tentando abrir sua
boca assustadoramente.

Mas nada.Ninguém me ouvia.

Deslizei na porta de costas até
sentar no chão, e abraçar
minhas pernas.

Estava em choque, apavorada,
até que então comecei a rezar:

- "Santo anjo do senhor,
meu zeloso guardador,
se a ti me confiou a piedade divina... "

Foi quando notei que o menino
havia parado de gritar e me
observava a rezar uma oração
que minha avó me ensinou
quando eu estivesse em perigo
ou quando eu sentisse meu
anjo perturbado.

Ficou me encarando com um
olhar sofrido, um sangue preto escorria de seus lábios,
fazendo pingar nas mãos que
estavam postas, como se estivesse
rezando junto a mim.

Continuei:

- "Sempre me rege
Me guarde
Me governe
Me ilumine... "

Olhei de novo para a criança.
Ela estava de olhos fechados.
Seu sangue não parava de
escorrer, mas mesmo assim
fingia que não tinha nada ali
e continuava acompanhando
minha oração.

- "Amém."

Ele abriu os olhos azuis e deu
um sorriso forçado, devido as
dores que estava sentindo,
eu acho.

Do nada ele falou sem abrir a boca,
como se fosse no meu pensamento :

"Obrigado. "

- de nada. - Foi tudo que conseguir falar. Ele sorriu e botou a mão na boca, depois tirou e olhou para ela.
Estava surpreso com o sangue que via.

" Emmy, sabe esse sangue?" - perguntou olhando para a mão
e rindo.

- s...sim. o que tem ele? - minha voz falhava.

" Ele é seu. "

- ham? Como assim meu? - perguntei assustada.

"quando ela te levar, e se ela te levar, você vai ter esse sangue. Enquanto isso, eu que fico com ele. É... eu tenho que ir...."

E foi sumindo, até que eu interrompi:

- ei! espera! - berrei fazendo ele
parar de desaparecer. - como assim ela me levar? Quem é ela? De quem você está falando?

"hihihihihi você é maluca!" - falou rindo, e desapareceu sem mais nem menos.

Fiquei confusa.

A Inimiga da Morte Onde histórias criam vida. Descubra agora