capítulo 14

26 3 2
                                        


- foi? Nem percebi papai! - comecei
a sorrir descaradamente tentando engana-lo.

- Emmica! Você não me engana mocinha. Sei que está mentindo.
É sua amiguinha imaginária?

- "Quem me dera" - pensei alto
dando um suspiro.

- o que disse?

- É... o papo tá bom, mas eu tenho
que dormir. Tchau papai, boa
noite. - falei, empurrando papai
para fora do quarto.

- Então... tá legal... - disse com
tom desconfiado. - te vejo amanhã.

- beleza. - respondi fazendo um sinal de "curtida" com minha mão.

Daí ele saiu e fechou a porta.

- "Ufa! Essa foi por pouco." - sussurrei.

- queridinha, você mente muito mal viu!?  Precisa de umas aulinhas minhas. - falou uma voz bem conhecida no fundo do quarto.

Guiei minha atenção ao lugar de onde vinha a voz, e era a única pessoa que não queria ver naquele momento.

- o que você quer comigo agora Marissa?

- sinceramente? Queria que você morresse. Mas não tenho direito de tirar vidas.

- você estava aqui esse tempo todo?

- não. Eu cheguei na hora que você estava se achando que entende inglês, mas não sabe merda nenhuma! - disse dando uma risadinha irônica.

- Aaah! Foi até bom você ter me lembrado disso! Queria falar com você sobre o meu sonho.

- qual deles?

(Espera, qual deles? Como assim??? )

- o que tive no avião.

- o que tem ele? - perguntou revirando os olhos.

- porque você mentiu? Porque você mandou eu pegar aquela boneca, enquanto a própria mandava eu não tocá-la? Porque você me faz eu ter sonhos horríveis, de coisas me levando, o que irá acontecer daqui a um tempo? Porque você faz isso comigo!? - perguntei com as lágrimas ameaçando a cair.

Ela apenas me olhava com seus braços cruzados e a maior cara de nojo.

- Me responde sua infeliz! - gritei.

Ela não disse nada apenas se aproximou de mim e passou a sua mão em meu rosto.

- tão ingênua você é... - disse parando de alisar meu rosto e me dando um tapa na cara com toda a sua força.

Dei um grito de dor, e as lágrimas caíram sobre meu rosto.

- sabe porque eu fiz isso? Porque eu te odeio! Com todas as minhas forças! - berrou puxando meus cabelos fazendo eu cair no chão.

Eu apenas gritava e chorava bastante enquanto ela me arrastava no chão pelos cabelos.

- Agora você vai ver sua idiota, o quanto você estava enganada quando falou dos mortos. Agora você verá o que uma pessoa morta pode lhe causar. - falou em fúria ainda me arrastando, foi então que ela pegou um vaso que estava sobre uma bancada e o quebrou na minha cabeça. Desmaiei na hora.


*** Marissa***

Eu ja tinha conseguido o que queria, mesmo que eu quisesse fingir ser amiga dela, não conseguia. O meu ódio era muito maior. Ela não me fez mal algum, mas falou de nós, mortos, e isso eu não admito.

Queria desacorda-la, ela estava fazendo muito escândalo, iria acordar os seus pais. Então a primeira coisa que vi na frente taquei na cabeça dela fazendo a ridícula desmaiar na hora. Te confesso que depois que taquei, me deu um grande arrependimento, me arrependi amargamente de ter quebrado o vaso. Ele era tão bonito!

Mas fui interrompida quando ia fazer meu "gran finalle".

- larga ela!

- olha só! O Salvador da Pátria chegou! - falei irônica.

- não. Eu estava aqui esse tempo todo Marissa.

- nossa que consideração você tem para a sua protegida em?

- sai de perto dela. Agora!

- ui! Que mêda! - sai de perto com as mãos para cima como se fosse assaltada.

Ele correu até ela gritando o seu nome escroto. "Emmica! Emmica! Emmica! "  blá blá blá. Esse nome me enoja.

- porque fez quanta crueldade!? Ela não merece passar por isso!

- também não concordo... - falei pensativa. - merece coisa pior! -Concluí cerrando os punhos

- Para de ser assim Marissa! Ela não merece mesmo!

- que irônico não é? Uma pirralha fala mal de todos os mortos, riu deles, e ainda você não está do meu lado? Você se esqueceu que ela também te ofendeu?

- não. Não esqueci. Mas também não vou ficar do seu lado. O meu dever é protegê-la. Independente do que seja.

- Esse papo de anjo me dá náusea. Então, já vou indo - disse indo em direção a garota e pegando os seus braços para levá-la.

- ei! Onde você pensa que vai?
- o anjo me interrompeu.

- levar ela para o meu mundo ué!

- você não vai levar ela a lugar nenhum! Pode soltando!

- Ai é? Eu vou levar ela sim! - insisti.

- tenta pra ver! - ameaçou.

Lógico que eu não tentaria. Eu posso ser do mal, mas não sou maluca! Eu posso até seguir Lúcifer, mas quem criou Lúcifer foi Deus. E as criaturas que Deus faz são poderosas, exceto humanos, animais e plantas.
E ele é anjo de Deus. Então, tô fora!

- isso não vai ficar assim! - ameacei e fui embora.

A Inimiga da Morte Histórias para pegar e não largar. Descubra agora