- foi? Nem percebi papai! - comecei
a sorrir descaradamente tentando engana-lo.
- Emmica! Você não me engana mocinha. Sei que está mentindo.
É sua amiguinha imaginária?
- "Quem me dera" - pensei alto
dando um suspiro.
- o que disse?
- É... o papo tá bom, mas eu tenho
que dormir. Tchau papai, boa
noite. - falei, empurrando papai
para fora do quarto.
- Então... tá legal... - disse com
tom desconfiado. - te vejo amanhã.
- beleza. - respondi fazendo um sinal de "curtida" com minha mão.
Daí ele saiu e fechou a porta.
- "Ufa! Essa foi por pouco." - sussurrei.
- queridinha, você mente muito mal viu!? Precisa de umas aulinhas minhas. - falou uma voz bem conhecida no fundo do quarto.
Guiei minha atenção ao lugar de onde vinha a voz, e era a única pessoa que não queria ver naquele momento.
- o que você quer comigo agora Marissa?
- sinceramente? Queria que você morresse. Mas não tenho direito de tirar vidas.
- você estava aqui esse tempo todo?
- não. Eu cheguei na hora que você estava se achando que entende inglês, mas não sabe merda nenhuma! - disse dando uma risadinha irônica.
- Aaah! Foi até bom você ter me lembrado disso! Queria falar com você sobre o meu sonho.
- qual deles?
(Espera, qual deles? Como assim??? )
- o que tive no avião.
- o que tem ele? - perguntou revirando os olhos.
- porque você mentiu? Porque você mandou eu pegar aquela boneca, enquanto a própria mandava eu não tocá-la? Porque você me faz eu ter sonhos horríveis, de coisas me levando, o que irá acontecer daqui a um tempo? Porque você faz isso comigo!? - perguntei com as lágrimas ameaçando a cair.
Ela apenas me olhava com seus braços cruzados e a maior cara de nojo.
- Me responde sua infeliz! - gritei.
Ela não disse nada apenas se aproximou de mim e passou a sua mão em meu rosto.
- tão ingênua você é... - disse parando de alisar meu rosto e me dando um tapa na cara com toda a sua força.
Dei um grito de dor, e as lágrimas caíram sobre meu rosto.
- sabe porque eu fiz isso? Porque eu te odeio! Com todas as minhas forças! - berrou puxando meus cabelos fazendo eu cair no chão.
Eu apenas gritava e chorava bastante enquanto ela me arrastava no chão pelos cabelos.
- Agora você vai ver sua idiota, o quanto você estava enganada quando falou dos mortos. Agora você verá o que uma pessoa morta pode lhe causar. - falou em fúria ainda me arrastando, foi então que ela pegou um vaso que estava sobre uma bancada e o quebrou na minha cabeça. Desmaiei na hora.
*** Marissa***
Eu ja tinha conseguido o que queria, mesmo que eu quisesse fingir ser amiga dela, não conseguia. O meu ódio era muito maior. Ela não me fez mal algum, mas falou de nós, mortos, e isso eu não admito.
Queria desacorda-la, ela estava fazendo muito escândalo, iria acordar os seus pais. Então a primeira coisa que vi na frente taquei na cabeça dela fazendo a ridícula desmaiar na hora. Te confesso que depois que taquei, me deu um grande arrependimento, me arrependi amargamente de ter quebrado o vaso. Ele era tão bonito!
Mas fui interrompida quando ia fazer meu "gran finalle".
- larga ela!
- olha só! O Salvador da Pátria chegou! - falei irônica.
- não. Eu estava aqui esse tempo todo Marissa.
- nossa que consideração você tem para a sua protegida em?
- sai de perto dela. Agora!
- ui! Que mêda! - sai de perto com as mãos para cima como se fosse assaltada.
Ele correu até ela gritando o seu nome escroto. "Emmica! Emmica! Emmica! " blá blá blá. Esse nome me enoja.
- porque fez quanta crueldade!? Ela não merece passar por isso!
- também não concordo... - falei pensativa. - merece coisa pior! -Concluí cerrando os punhos
- Para de ser assim Marissa! Ela não merece mesmo!
- que irônico não é? Uma pirralha fala mal de todos os mortos, riu deles, e ainda você não está do meu lado? Você se esqueceu que ela também te ofendeu?
- não. Não esqueci. Mas também não vou ficar do seu lado. O meu dever é protegê-la. Independente do que seja.
- Esse papo de anjo me dá náusea. Então, já vou indo - disse indo em direção a garota e pegando os seus braços para levá-la.
- ei! Onde você pensa que vai?
- o anjo me interrompeu.
- levar ela para o meu mundo ué!
- você não vai levar ela a lugar nenhum! Pode soltando!
- Ai é? Eu vou levar ela sim! - insisti.
- tenta pra ver! - ameaçou.
Lógico que eu não tentaria. Eu posso ser do mal, mas não sou maluca! Eu posso até seguir Lúcifer, mas quem criou Lúcifer foi Deus. E as criaturas que Deus faz são poderosas, exceto humanos, animais e plantas.
E ele é anjo de Deus. Então, tô fora!
- isso não vai ficar assim! - ameacei e fui embora.
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A Inimiga da Morte
TerrorAs pessoas estão certas quando dizem: "Tenha cuidado com o que fala, pense bem antes de dizer algo, palavras podem destruir vidas. " Ou então quando falam : "Deixe os mortos em paz. Não fale mal deles. Eles podem te ouvir. " Mas Emmica nunca seguiu...
