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******CAPÍTULO EXTRA PQ EU N AGUENTEI*****


Ali on:
Obviamente eu fui junto com o Leonardo até a enfermaria. A dona Rosa em, pouquíssimos, minutos limpou e fez curativos nos arranhões que sangravam. Quando a gente saiu da enfermaria ainda faltavam uns trinta e cinco minutos pra o período acabar. E como a gente já tinha perdido quase vinte minutos o professor não ia nos deixar assistir o resto da aula. A fome que eu tava quando o sinal pro intervalo tocou, já nem existia mais.

Léo: Tu tava com fome, quer ir comer alguma coisa? -perguntou cortando o silêncio que predominava desde que saímos da enfermaria.
Ali: Nem, passou. -respondi sem jeito.

Sinceramente, eu não sei onde enfiar a cara. Eu já briguei com todo tipo de pessoa possível, mas nunca fui eu que levantei a mão primeiro. E também nunca fiquei arrependida de ter levantado em resposta. Mas mano, que caralho foi aquele?! Eu machuquei o guri DE GRAÇA. E não foi um tapa ardido na cara, ou um chute bem mirado no pau dele. Não, foi a porra duns arranhões que deixaram ele sangrando. Sério, eu nunca entendi essas guria que discute com namorado por ciúmes do videogame e sai dando tapa na cara deles. Agora eu entendo menos ainda. Porque agora eu também não entendo como elas não ficam na bad, arrependidas, e o caralho à 4 depois. E pra me ajudar, eu fiz o Leonardo sangrar, totalmente de graça, e to MUITO na bad e sem graça agora. Velho, eu só sirvo pra me confundir mais à cada ação.

Ali: Desculpa. Desculpa mesmo. -disse quando já estávamos na entrada do prédio.- Eu só queria te irritar porque tu tava me provocando. -suspirei.- Juro que não queria que fosse tão forte. -terminei fitando meus pés. Ele riu fraco.
Léo: Eu sei. Eu te conheço. E eu também fui um baita de um idiota imaturo aparecendo agarrado com uma guria na tua frente depois de ontem. Só pra te provocar. -riu.- Tem coisas que a gente merece, amor. -passou o braço pelos meus ombros.- E isso, foi uma dessas coisas. Pra mim aprender na prática que não da pra ser babaca com todo mundo. -finalizou me abraçando, assim que entramos no elevador.

Ao mesmo tempo que o Leonardo é imaturo, babaca e cuzão, ele é compreensivo, sincero e sabe perceber um erro. Isso me irrita, porque, no final, eu nunca sei o que sentir. Não sei se sinto raiva porque ele foi cuzão, ou, se agarro ele num abraço apertado e encho de beijos porque ele entende minhas atitudes. Mas no final, final mesmo, eu sempre chego à mesma conclusão: Esse guri veio ao mundo com a função de me confundir e fazer eu me auto-confundir.

Ali: Eu te odeio. Mas odeio mesmo. Tu só me confunde. Faz eu passar de ódio à amor em questão de minutos. Num segundo eu quero que tu queime no inferno, no segundo seguinte, eu te quero na minha cama, comigo. Numa hora eu quero que tu foda e engravide cada uma dessas gurias daqui, pra falir a Mirrors de tanto pagar pensão. Na hora seguinte, eu quero que tu só foda comigo, que só seja pai dos meus filhos e que a gente leve a Mirrors e Saunder à falência, só pra dar tudo do bom e do melhor pra nossa guria e pro nosso guri. Eu te odeio por isso. Te odeio por me fazer criar mil e um planos de família feliz contigo, e depois me fazer criar mil e um planos de como te matar por agir que nem um retardado. -suspirei.

Depois que eu, literalmente, falei tudo o que eu tava sentindo pro Leonardo, nós ficamos uns segundos em silêncio. Segundos suficientes pra porta do elevador se abrir, e nós nos depararmos no quarto -e último- andar do prédio. O andar das salas, no caso. Foda-se o professor, vou entrar na aula porque eu não tenho aonde me enfiar. Não é a melhor -nem a mais prazerosa- maneira, mas quem sabe eu me distraía. Eu realmente não to acostumada a me arrepender das minhas atitudes. Meu pai costuma dizer que eu da geração do "foda-se". "Foda-se a reação da minha ação, vamo viver o agora. O ontem é do passado e fica na lembrança, o amanhã é de Deus e ninguém garante nada. Já o hoje, o agora, só ele é nosso. E a gente tem que cuidar bem dele." essa frase é maravilhosa. É uma das minhas inspirações pra ser quem eu sou. E é ela que eu to repetindo freneticamente na minha cabeça, enquanto eu faço duas coisas que eu não to acostumada: Me arrependo; Fujo depois de falar uma verdade. Fujo pra dentro da SALA DE AULA. Quem que vai pra aula pra fujir dos problemas? Isso mesmo, Alícia Miracle Saunders.

A Bela E A Fera No InternatoOnde histórias criam vida. Descubra agora