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Ali on:
Estava terminando de amarrar o cadarço do meu Vans, enquanto esperava o Leonardo para a gente sair com o Arthur, quando levei um susto.  O Matheus entrou correndo que nem um retardado em casa. Ele fechou a porta e se jogou no chão, respirando pesado.

Ali: Que porra..?
Math: Fui na pista e roubei umas paranga. -explicou antes de eu terminar.
Ali: "Umas" quantas? -ele respondeu fazendo um "três" com os dedos.- De quem?
Math: Do VR. -respondeu tapando o rosto com as mãos.
Ali: AH, NÃO, MEU. -gritei me levantando.- Parece que tu parou na época que a gente tinha quinze anos, Matheus. Caralho. Se pá, agora o que o VR pode fazer não é nem te dar uma surra. E sim, te matar. Deixa de ser mongolão, cacete. Parece que não tem dinheiro. -suspirei.- Se ele vier me procurar, quem vai te dar uma surra vai ser eu. -disse indo em direção as escadas.
Math: Tudo bem, mamãe. Sobe, não. Teu amorzinho já tá aqui na frente. -avisou se levantando.

Dei meia volta e saí sem dizer mais nada ao Matheus. Parece que tem quinze anos de idade e não pode pedir dinheiro pros pais porque eles não podem saber que ele fuma. Caralho, nossos pais já cansaram de ver a gente fumando e sempre ignoraram. Aliás, é mais fácil eles dar dinheiro de boa se a gente falar que é pra comprar maconha, do que não falar para o que é. O que o Matheus tem de incrivelmente maturo pra algumas coisas, ele tem de imaturo pra outras.

Assim que abro a porta vejo o Audi parado em frente a casa, e mais pra frente um Cherokee preto. Tinha um cara alto, magro, de gorro e capuz do moletom preto quase tapando o rosto. Como se eu não conhecesse esse bosta de longe.

Ali: Oi, amor. -disse entrando no carro, e em seguida dei um selinho em Leonardo.- Oiiii, Arthur. -cumprimentei a criança linda que havia no banco de trás na cadeirinha.
Arthur: Oi, tia Ali. -ele sorriu, mostrando suas profundas covinhas nas bochechas gordinhas. 
Léo: Quem aquele? -perguntou acelerando o carro, se referindo ao VR.
Ali: Matheus roubou as maconha dele. -revirei os olhos.- Segura ali nele. -pedi.

Ele parou do lado do VR e eu abri a janela. Assim que ele me viu, abriu um sorriso.

VR: Eaí, Saunderzinha. -cumprimentou tirando o capuz.
Ali: Oi, VR. -retribui sem animação.- O Math pulou a janela e eu não sei pra onde ele foi. Mas deixa assim que até semana que vem eu vou lá na pista e te pago. -sorri.
VR: Paga mesmo? -sorriu torto.

Aí, aí. Eu namoro, sou difícil e pá, mas não da pra negar que o VR é lindo. E esses sorrisos dele, ó, desmontam qualquer uma. Pena que não presta. Quer dizer, ainda bem. Porque se eu fosse um pouquinho mais trouxa, eu tinha aceitado namorar com ele quando a gente ficava, e além de ser muito corna, eu não estaria com o Leonardo.

Ali: Qual é, VR? Tu sabe que eu não sou de dar calote. -revirei os olhos.
VR: Sei, sim, moreninha. -passou a mão por meus cabelos e Leonardo pigarreou.
Ali: Vamo parar porque tu já perdeu o direito e a intimidade de poder encostar em mim à muito tempo, Vítor. -empurrei a mão dele.
VR: Ok. -soltou uma risada debochada.- E tu, quem é, meu parça? -perguntou ao Léo.
Ali: Meu namorado, Vítor. -respondi antes que o Leonardo pudesse abrir a boca e o VR olhou direto para minha mão.
Arthur: Tio, a gente vai demolar pra ir? -perguntou dando tapinhas no ombro do Leonardo.
Ali: Não, Thur. -respondi de novo, olhando para Arthur.- Agora, eu já falei o que eu tinha que falar, com licença. -sorri falsamente para VR e subi o vidro escuro da janela.

Leonardo deu partida no carro e nós seguimos caminho por, pelo menos, duas quadras em silêncio.

Ali: Amor? -chamei.
Léo: Ahn? -respondeu sem desviar a atenção da rua.
Ali: O que aconteceu? E não vem dizer que não é nada. Da última vez que tu ficou assim tu me pediu em namoro, então fala logo. -ele riu.

A Bela E A Fera No InternatoOnde histórias criam vida. Descubra agora