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**Cap extra pq as guria do grupo pediram muito❤😂😂**

Ali on:
Um mês depois... (N/A: eu não tinha ideia de como escrever essa parte, então vai da maneira tradicional)

Um mês já se passou, hoje é quinta-feira. Não tivemos nenhuma notícia do tal Davi, a festa do Jack é sábado e eu e o Leonardo continuamos de boa.

De boa= juntos.
Exatamente!

Eu, obviamente, não recebi nenhum SMS, já que meu chip está com Davi. Continuo falando com o Quique, a Bre e o Pirata bastante. Aliás, o Caique vive dizendo que o meu presente de aniversário vai ser a melhor coisa da terra. Quem dera, podia ser a notícia de que ele voltaria pra cá. Eu tenho passado duas horas a mais que o normal com Melissa e Leonardo, já que faltam um mês para as férias e nós precisamos organizar a festa e tal.

Apesar do fato de eu passar quase meus dias inteiros junto à alguem, por incrível que pareça, são 2:26pm e eu estou deitada, sozinha e de boa no meu quarto. Se bem que, isso vai acabar agora, graças à minha fome.

Amarro meus cabelos num coque desajeitado, calço minhas rasteirinhas e desço à cantina. Nada de diferente, como sempre. Acho que esse colégio tem a rotina mais tediosa do universo, levando em conta a quantidade de adolescentes e crianças que moram aqui. Se eu já não estivesse no último ano e não precisasse mais de notas extras, eu com certeza iria me inscrever em alguma aula das extracurriculares, só pra sair desse tédio. Mas como esse é meu último ano e eu não preciso de pontos -apesar de dormir quase todas as aulas-, eu fico tranquila passando as tardes dormindo no meu quarto.

Chego na cantina e rapidamente passo meus olhos por todo o lugar. Não há ninguém com quem eu tenha contato. Na verdade, não há quase ninguém. Só três meninas sentadas em uma mesa no canto. Vou em direção à cafeteria e passo ao lado delas. As cumprimento com um sorriso e elas sorriem timidamente de volta. Até porque não é muito normal me ver de bom-humor, muito menos cumprimentando pessoas com a qual eu não tenho contato. Peço dois pães de queijo e uma Coca-Cola. É, eu faço um pedido numa cafeteria e nele é incluso uma lata de refrigerante. Não gosto muito de café, tá muito quente pra chocolate quente, fazer o que? São estranhezas da vida. Me sento em uma mesa encostada na extensa janela do refeitório, apenas com a companhia do celular. Não me prestarei para chamar alguém só pra fazer uma refeição de 10 minutos. É até bom comer sozinha de vez em quando, principalmente se tu passa o dia todo cercado por adolescentes retardados, como no meu caso. Sabe, é bom pra pensar na vida. Coisa que eu não faço desde minha última "grande" decisão. É bom comer sozinha, pensar na vida.

Bom mesmo ia ser conseguir realizar este grande ato de comer e pensar na vida, sozinha e em paz.

Foi o que eu pensei enquanto dava a primeira mordida em meu pão de queijo e assistia a cena do bonde clássico adentrando o refeitório. Com aquela básica vibe de "nois toma de assalto". Parece que tão sempre fugindo da polícia.

Ali: AQUI! -gritei fazendo sinal.

Eles obviamente estavam me procurando. Lugar certo, direção errada. Como sempre. Eles (os nove) vieram correndo até mim. A cena mais cômica da semana, até assustou as meninas.

Mel: TE ACHAMOS! -berrou se sentando à minha frente.
Ali: Não, não. Ainda tão me procurando. -disse com tédio, sendo digna de ver uma Melissa botando lingua para mim. - Chorem.
Igor: Davi pediu pra gente vir aqui. Acho que tu já sabe sobre o por que. Só que a gente não te achava. Andamos pela escola toda, se tu não tivesse aqui, íamos procurar no IML. -deu de ombros.
Ali: Aí meus 450 pila. -choraminguei.- Mas vem cá, vocês contaram? -perguntei erguendo uma sobrancelha. Claramente, falando de Diih, Anne, Iam e Jack.
Bia: Eles nos ameaçaram. -revirou os olhos.
Ali: Eu mereço. -ri.- Mais gente pra me ajudar na minha vingança. -rimos.
Léo: Cadê aquele nerd?! -falou irritado..

Ele tava atrás de todo mundo. Sem o mínimo de paciência, e isso estava claro em todos os seus lindos traços.

Ali: Jurei que tu tinha ficado mundo. -falei irônica, revirando os olhos.

Ele revirou os olhos de volta, mas não disse nada. Ok. Ele tá irritado/muito sem paciência. Era estranho ver ele assim. Porque, por mais pesado que seja o temperamento do Leonardo, ele sempre tá incrivelmente de bom-humor, zuando, fazendo piada ruim, aloprando os outros, me provocando e essas coisas de Léo. É realmente difícil de ver ele assim. E eu acho que deu pra ver na minha cara o quanto eu tinha estranhado, porque ele saiu da onde estava, sentou do meu lado e em seguida me deu um selinho e passou os braços por meus ombros.

Ali: Estranho. -resmunguei.

Ele até fez menção de retrucar, mas foi interrompido pelo pigarreio da figura de um garoto de 16 anos, com cabelo grande, preto e liso, piercing no lábio, óculos quadrados, calça jeans preta, Vans e moletom do Arctic Monkeys.

Como ele tava de moletom e calça jeans nesse calor do caralho?

Léo: Fala. -pediu ao ver Davi.
Davi: Esse aqui é o número, o endereço consta que é daqui da escola. Mas é isso que eu posso fazer. -deu de ombros.
Léo: Obrigado. -agradeceu puxando a folha das mãos de Davi.
Davi: Não precisa agradecer, cara. É só pagar. -sorriu.
Igor: Essa piazada tá cada vez mais folgada. -resmungou.
Ali: Cacete. O dinheiro tá lá no quarto. -bufei.
Léo: Toma. -entregou umas notas, que pela cor, pareciam ser de cem.

Deixei pra que essa discussão sobre ele pagar minha parte ficasse para mais tarde. Ele também não falou nada.

E o Davi também não. Ele contou o dinheiro, sorriu e saiu. Não o julgo porque sei o que é precisar de dinheiro e não poder, ou não querer, pedir aos pais. A felicidade depois de conseguir é inevitável, saí até pelos ouvidos.

Léo: Não faço a menor ideia de quem seja esse número. -soltou uma risada sem humor.
Diih: Daqui que eu conheço o número de qualquer guria. -puxou o papel da mão dele.- Ha. Ha. Ha. Eu não acredito. -riu debochadamente.

Por um segundo me assustei com a risada que possuía o corpo da Diana. Sabe aquela mistura de raiva com um tom de quem já sabia. E não foi só eu, as gurias e os guris também. As gurias da outra mesa, inclusive. A risada da Diana parou e ela fechou a cara, passando o papel para Anne. Que mudou sua expressão susto para uma que se igualava a Diana. Numa troca rápida de olhares entre mim, Mel e Bia, o recado foi passado. Nossas expressões, eram idênticas.

Iam: O que que vocês... -disse ao analisar nossos rostos.
Anne: Djessica. -afirmou.
Mel: Eu. Vou. Acabar. Com. Aquela. Vagabunda. -falou pausadamente.
Diana: Nós vamos. Tenho uma ideia perfeita. -sorriu maleficamente.

Se eu conseguia raciocinar? Claro que não. É claro, que não. Logo eu, que sempre disse que "cachorro que late, não morde", senti a mordida da pior cadela que eu já vi.

Espero mesmo que a ideia da Diana seja perfeita.

A Bela E A Fera No InternatoOnde histórias criam vida. Descubra agora