Brad
Acordo exausto, ainda meio alcoolizado e sem nenhuma disposição. A coisa ruim de acostumar nossos corpos ao ritmo do trabalho é que mesmo nos finais de semana o relógio interno toca o despertador. Mesmo sem Bruno pra me ligar dando qualquer notícia catastrófica ou me perguntando sobre o café.
A garota ao meu lado me oferece um sorriso e tira debaixo de si algumas peças de lingerie e a gravata borboleta que usei na noite anterior. Eu a beijo rapidamente e a deixo se acomodar no meu peito, como se fôssemos íntimos ou coisa do tipo.
– Me fale algo sobre você. – peço lembrando da teoria das cinco coisas absurdas de Natalie.
– Sou estudante de moda.
– Interessante. Eu sou advogado.
– Eu sei, meu pai nos apresentou ontem.
– Seu pai? – tenho uma breve vontade de jogar ela de cima do meu corpo, como se fosse um bicho peçonhento.
– É, meu pai. – ela diz com naturalidade.
– Você dorme com todos os amigos do seu pai?
– Não. – ela dá uma risada. – Só com os que me oferecem uísque escondido.
– Quantos anos você tem? – pergunto já arrependido.
– Dezenove.
Eu realmente sou um canalha. Acho que preciso saber as cinco coisas ANTES de arrancar as roupas e não na manhã seguinte. A maioria dos homens na minha idade se acharia o máximo por estar com uma garota tão nova na cama, eu só consigo pensar em processos e uma longa ficha criminal como tarado.
– Quem é seu pai?
– Não tem importância, gatinho. Ele realmente não está preocupado com o que eu faço.
– Preciso tomar um banho. – é minha deixa favorita pra escapar do carinho pós-sexo. Então me levanto quase jogando ela pra fora do colchão. – Quer que eu chame um táxi pra você?
– Não precisa. – ela faz uma careta magoada que me relembra porque eu não gosto de me relacionar com mulheres mais novas.
– Ótimo. Obrigado e até outro dia. – entro no banheiro como se estivesse fugindo de um fantasma.
A água quente substitui o cheiro da bebida que exala pelos meus poros, eu fecho os olhos e esfrego o cabelo, esticando o corpo para me livrar das dores musculares da ressaca. A garota se abaixa na minha frente, ávida em continuar o que começamos e dou um suspiro meio desanimado quando ela me enfia na boca.
"Não fique excitado, seu pervertido.", ordeno a mim mesmo, tentando sair dos lábios dela enquanto meu pau cria vida própria e resolve me contrariar. Ela é meio desajeitada e inexperiente, agora, sóbrio, eu consigo perceber. Ela me morde e dou um grito meio ridículo, puxando o corpo para trás, o que só a faz morder mais forte.
Eu não sei se ela é uma mulher ou um pinscher a esta altura, fazendo um grunhido meio alto, como se chupasse um sorvete, me lambendo insistentemente. Eu a pego pelos braços e a levanto do chão, sem nenhum jeito pra pedir que ela não faça mais, nunca mais, com ninguém, o que estava fazendo. Beijo sua boca e a encosto lentamente na parede, recuperando nossas dignidades a meu modo, com um pouco menos de brutalidade.
– Me come, Brad. – ela pede e esqueço sua idade e o começo meio atrapalhado deste banho.
Sei que estou errado, mas é uma morena linda e com a boca suja. É uma combinação fatal pra mim. Percorro as mãos por seu corpo e vou beijando seus seios, sua barriga, até ajoelhar em sua frente. Ela tem uma tatuagem que me estapeia na cara por alguns segundos, uma bonequinha entre a barriga e a virilha, bem onde está a marca de sol de seu biquíni. Tinha que ser uma bonequinha.
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Cosmopolitan
Short StoryNatalie é uma mulher forte e decidida, cosmopolita e dona de suas próprias regras. Quando ela percebe que não consegue controlar absolutamente tudo, vai ter que descobrir até onde suas leis podem ser dobradas em nome do que realmente importa na vida...
