Capítulo 8

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Brad

Acordo exausto, ainda meio alcoolizado e sem nenhuma disposição. A coisa ruim de acostumar nossos corpos ao ritmo do trabalho é que mesmo nos finais de semana o relógio interno toca o despertador. Mesmo sem Bruno pra me ligar dando qualquer notícia catastrófica ou me perguntando sobre o café.

A garota ao meu lado me oferece um sorriso e tira debaixo de si algumas peças de lingerie e a gravata borboleta que usei na noite anterior. Eu a beijo rapidamente e a deixo se acomodar no meu peito, como se fôssemos íntimos ou coisa do tipo.

– Me fale algo sobre você. – peço lembrando da teoria das cinco coisas absurdas de Natalie.

– Sou estudante de moda.

– Interessante. Eu sou advogado.

– Eu sei, meu pai nos apresentou ontem.

– Seu pai? – tenho uma breve vontade de jogar ela de cima do meu corpo, como se fosse um bicho peçonhento.

– É, meu pai. – ela diz com naturalidade.

– Você dorme com todos os amigos do seu pai?

– Não. – ela dá uma risada. – Só com os que me oferecem uísque escondido.

– Quantos anos você tem? – pergunto já arrependido.

– Dezenove.

Eu realmente sou um canalha. Acho que preciso saber as cinco coisas ANTES de arrancar as roupas e não na manhã seguinte. A maioria dos homens na minha idade se acharia o máximo por estar com uma garota tão nova na cama, eu só consigo pensar em processos e uma longa ficha criminal como tarado.

– Quem é seu pai?

– Não tem importância, gatinho. Ele realmente não está preocupado com o que eu faço.

– Preciso tomar um banho. – é minha deixa favorita pra escapar do carinho pós-sexo. Então me levanto quase jogando ela pra fora do colchão. – Quer que eu chame um táxi pra você?

– Não precisa. – ela faz uma careta magoada que me relembra porque eu não gosto de me relacionar com mulheres mais novas.

– Ótimo. Obrigado e até outro dia. – entro no banheiro como se estivesse fugindo de um fantasma.

A água quente substitui o cheiro da bebida que exala pelos meus poros, eu fecho os olhos e esfrego o cabelo, esticando o corpo para me livrar das dores musculares da ressaca. A garota se abaixa na minha frente, ávida em continuar o que começamos e dou um suspiro meio desanimado quando ela me enfia na boca.

"Não fique excitado, seu pervertido.", ordeno a mim mesmo, tentando sair dos lábios dela enquanto meu pau cria vida própria e resolve me contrariar. Ela é meio desajeitada e inexperiente, agora, sóbrio, eu consigo perceber. Ela me morde e dou um grito meio ridículo, puxando o corpo para trás, o que só a faz morder mais forte.

Eu não sei se ela é uma mulher ou um pinscher a esta altura, fazendo um grunhido meio alto, como se chupasse um sorvete, me lambendo insistentemente. Eu a pego pelos braços e a levanto do chão, sem nenhum jeito pra pedir que ela não faça mais, nunca mais, com ninguém, o que estava fazendo. Beijo sua boca e a encosto lentamente na parede, recuperando nossas dignidades a meu modo, com um pouco menos de brutalidade.

– Me come, Brad. – ela pede e esqueço sua idade e o começo meio atrapalhado deste banho.

Sei que estou errado, mas é uma morena linda e com a boca suja. É uma combinação fatal pra mim. Percorro as mãos por seu corpo e vou beijando seus seios, sua barriga, até ajoelhar em sua frente. Ela tem uma tatuagem que me estapeia na cara por alguns segundos, uma bonequinha entre a barriga e a virilha, bem onde está a marca de sol de seu biquíni. Tinha que ser uma bonequinha.

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