Pérola
Pára tudo, Brasil! Namorar? Há poucas horas atrás eu estava achando que iria ver Márcio ficando com a Fabiana. Não é ciúmes, mas depois que o vi guardando aquele pedaço de papel, a minha mente desenvolveu uma fanfic inteira daqueles dois. Por mais que tenha tentado deixar pra lá, eu acabei perguntando sobre o maldito bilhete. Márcio respondeu tão naturalmente que acabei relaxando, mas não esquecendo.
Eu conheço muito bem aquela cobra mutante e sei o quanto que ela não tem limites para conseguir o que quer. O grande problema seria se ele também quisesse o mesmo que ela. Como seriam as coisas entre nós se eles se envolvessem? Acima de qualquer coisa eu gosto da presença dele nas minhas manhãs. Não sei explicar ao certo, porém consigo ser eu mesma com ele. Mesmo que geralmente ele se feche em casulo e eu não consiga saber o tanto que gostaria. E quando ele começou a se enrolar assim que toquei no assunto "sábado", eu temi ter feito besteira ao retribuir o primeiro beijo e me jogar de olhos fechados em todos os outros que vieram depois.
Ouvir da boca dele aquelas palavras me deixaram sem fala. Mesmo que eu quisesse gritar que sim, as palavras ficaram presas e vi Márcio de repente murchar diante de mim. Isso não podia acontecer. Geralmente falo mais que a própria boca e agora fiquei muda?
Márcio: Desculpa, se eu me precipitei. - isso não está acontecendo. Anda Pérola! Fala que quer ! - Quem acabou entendendo errado fui eu. - Meu Deus! ele estava ficando de pé.
Respirei fundo e como as palavras não saiam, fiz o que tive vontade desde o primeiro segundo que vi Márcio hoje, eu o beijei. Não me importei com mais nada. Era a boca do meu NAMORADO que a minha buscava em sofreguidão. Ali naquele beijo eu era tomada de uma forma inexplicável.
Aos poucos, mesmo que sem querer, o beijo foi dando passagem aos selinhos e no olhar que ele me dava eu reafirmei o que senti no primeiro momento que o vi: era ele quem eu sempre esperei mesmo sem saber.
Márcio: Posso considerar como um sim ao meu pedido? - ele sorriu acariciando meu rosto
Pérola: Pode considerar como todas as respostas que esperar de mim. - e era verdade.
Ficamos abraçados fazendo carinho um no outro até que tivemos que voltar para a sala. Seguimos de mãos dadas sob os olhares curiosos . Entramos na sala e a cara da Fabiana estava impagável. Deu até vontade de rir, mas logo me veio à cabeça o bilhete de mais cedo. Márcio ainda estava com ele e saber disso me fazia não gostar.
Como se meus pensamentos pudessem ser lidos por ele, Márcio soltou minha mão e pediu que eu esperasse que ele precisava fazer uma coisa. Sem opção e nem entender do que se tratava, foi o que fiz. Andei até minha cadeira e sentei vendo que ele pegava o caderno a procura de algo para logo em seguida se dirigir a Fabiana.
Márcio: Pega! - esticou o braço entregando o papel para ela. - Sabe aquela garota linda ali? - se virou apontando pra mim e a anta da Fabiana apenas assentiu sem graça. - É a minha namorada. Tudo que preciso saber ela já me diz. - falou e saiu vindo em minha direção com um sorriso lindo.Eu tive vontade de correr até ele e me jogar em seus braços, mas me contive vendo que o professor acabava de entrar na sala. - Agora que já deixei as coisas claras com aquela lá, todos terão certeza que eu só sou seu e você é só minha meu anjo.
Tem como me apaixonar ainda mais por ele? Não, né? Ele teve a sensibilidade de notar que eu tinha me incomodado com a atitude dela. Que garoto percebe isso mesmo que a gente grite?
Pérola: Você é terrível, Márcio Porto. - ri
Márcio: Você ainda não viu nada, anjo. - beijou minha testa sentando em seguida na sua cadeira.
