Capítulo 15

1.9K 129 32
                                        


Mãe,

Eu sei que não entrei em contato e nem dei notícias, acontece que mal cheguei aqui e já estou trabalhando muito. Aqui é bem diferente de tudo que já tinha visto, pessoas ricas e da alta sociedade sempre desfilam por aqui. É isso que quero para mim. Não quero mais me lembrar de como foi viver nessa pobreza, nessa casa velha e pequena. Ter que limpar mesas e o chão para as outras pessoas, eu quero ser rica, famosa, ter sucesso e muito dinheiro. Não posso associar a minha imagem, a imagem de uma modelo intencional, com essa pobreza que vivemos durante anos, por favor não estrague isso, não me procure mais, não fique atrás de mim impedindo de realizar meu grande sonho. Sei que fez tudo o que podia por mim, mas agora eu já cresci e sei o que quero, e não vou permitir que a senhora estrague isso. Eu quero esquecer que um dia fui pobre, que um dia morei nessa casa. Agora é a hora de cada uma seguir sua vida.

Cuide do Arthur e se cuide. Um dia a senhora verá que conquistei tudo o que queria.

Anahí.

Tisha limpou as lágrimas que escorriam com facilidade de seu rosto, nem parecia sua filha, a sua menina que tinha criado com tanto amor e carinho. Alguns dias em outro país fora o suficiente para transformá-la daquele jeito? A letra era dela, mas ainda custava acreditar que Anahí falará com tanto desprezo sobre a situação deles. Mas se ela não queria que a procurassem, se não queria associar seu nome de modelo a família pobre, Tisha iria cumprir, mesmo que isso sangrasse sua alma.

Arthur: Mamãe, porque está chorando? Tisha tentou secar as lágrimas inutilmente.

Tisha: Não é nada, meu amor. A mamãe só estava pensando em umas coisas tristes.

Arthur: Está com saudades da Any né? Eu também estou, quando ela vai ligar? Sinto saudades da minha irmã.

Tisha: Eu não sei, Arthur. Ela está trabalhando muito, mas assim que puder vai ligar. Mentiu

Arthur: Espero que não demore muito. Sinto muito a falta dela. Disse triste.

Tisha: Eu também, meu anjo. Também sinto falta da sua irmã. O menino abraçou a mãe e Tisha ainda deixou escorrerem mais lágrimas.
Na incerteza se a filha um dia voltaria a ligar nem que fosse pelo irmão.

Acontece que desde o dia que Anahí tinha escrito aquela carta tinham se passado três dias. Gaston não voltou a falar com ela, ou atormenta-la. Alfonso não apareceu. E por isso ela ficou no quarto, sem comer e sem dormir direito, em uma tristeza de partir o coração.

Dulce: Ela não quis comer? Perguntou ao ver Ninel com a bandeja cheia.

Ninel: Nem se quer olhou quando entrei no quarto. Estou preocupada, há dias ela só chora, não come. Não sei o que fazer. Quando o Alfonso vier e vê-la daquele jeito será um problema, eu não vou poder enrolar o Gaston como tenho feito nos últimos dias. Dulce assentiu.

Dulce: Eu vou falar com ela. E ela foi, mas sem sucesso. Anahí parecia estar em outro lugar, o rosto inchado pelo choro, o olhar distante. Dulce ainda ficou com ela até que Anahí voltasse a dormir. Quando desceu viu Ucker jogando e Belinda se aproximando. Ela ainda andou pelo salão, até agora ela só tinha subido com o Ucker, mas naquela noite ela tinha descido atrasada por ter ficado com Anahí no quarto, e agora seria esperar que ele a visse e ela pudesse se aproximar. Mas ele ainda jogava e ouvia o que Belinda falava com ele.

Belinda: Você nunca mais me procurou.

Ucker: Sabe o que é, tenho subido com a Dulce. Ele respondeu ainda jogando.

Belinda: Eu sinto falta de você, da gente. Já faz tanto tempo. Ele sorriu. - É melhor com ela?

Ucker: Belinda...

A Protegida ✓Histórias para pegar e não largar. Descubra agora