Capítulo 66

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Dimitri foi transferido do hospital direto para a penitenciária, aguardaria o julgamento de lá. Encarando sua nova realidade, ele não conseguia deixar de pensar que seria muito melhor a morte do que ficar ali. Não sabia se duraria muito tempo trancado ali, isso estava muito claro em sua mente.

Ele já sabia o seu destino assim que chegou naquele lugar, assim que tiraram todos os seus pertences e deram suas novas coisas dali por diante, um travesseiro, uniforme, cobertor e toalha. Passando de cela por cela, sendo encarado por muitos dos outros prisioneiros, muitos sendo seus inimigos. Ele ainda teria que dividir a cela com mais um detento. Jogou suas coisas no colchão e se sentou encarando as grades que agora estavam trancadas. Seu companheiro de cela o encarou, mas nada disse.

As primeiras horas, forma horríveis, a primeira noite então ele não poderia descrever, não conseguiu fechar os olhos por um minuto. Mas tudo aconteceu na manhã seguinte, ele não queria ir para o pátio, não queria encarar seus inimigos que estavam ali dentro, não queria banho de sol.  Já tinham não só tirado a liberdade, como seus direitos de escolha. Ele percebeu que não tinha o direito de escolher ficar na sua cela, tinha que seguir ordens e horários, por isso um dos agentes penitenciários o fez sair da sala e seguir em direção ao pátio, claro que muitos o olharam, o silêncio se fez ali. Com os grupos já formados, ele não tinha espaço para se enturmar, ele estava isolado, excluído. Tentou se manter longe daqueles que ele sabia que estavam loucos para enfiar um faca em seu coração. 

De longe, ele se imaginou acuado, encurralado como estava naquele momento, foi com a distração de dois dos agentes penitenciários que ele se viu no meio de um grupo que ele conhecia bem. Era um grupo de traficante de armas, no qual ele prejudicou.

- Ampliou os negócios não foi? Estuprando garotas e lucrando com isso. Disse o líder do grupo.

Dimitri: Não quero confusão. Ele nunca se imaginou recuar, mas ali ele era apenas um contra cinco. A melhor estratégia de sobrevivência era recuar.

- Mas nós queremos. Disse rindo. Dimitri foi segurado e o líder do grupo começou o socar, bater, chutar, descontar toda sua frustração por estar ali. A aglomeração começou e muitos ficaram para assistir, os agentes se aproximaram tentando apartar a confusão. Dimitri teve as calças abaixadas enquanto um dos homens o estuprava. Ele gritou, sentiu dor, sentiu pela primeira vez o que chorar, quando os agentes conseguiram se aproximar e separar, Dimitri já sangrava caído no chão. O banho de sol foi encerrado e Dimitri levado até a enfermeira, dor, era o que sentia, vergonha, raiva, se sentia sujo, mas ainda sim não se permitiu pensar no que havia feito a todas aquelas garotas. Na mente dele, ele não se permitir fraquejar, se sentir fraco. Nas primeiras horas ele ficou ali , até deixar o corpo se levar levar dor e o sono. Só voltou a acordar quando já tinha anoitecido e ainda confuso que com a visão embargada viu um enfermeira ruiva injetar alguma coisa junto ao soro, a viu se aproximar e sorrir para ele, um sorriso, um rosto que ele já conhecia.

Dimitri: Vo..vo.. cê...? Ela sorriu docemente. - O que faz aqui? Ela se aproximou ainda mais.

Dulce:  Quero que grave bem o meu rosto, como na noite que me estuprou, eu jurei que te mataria e quero que o meu rosto seja o último que você veja. Te vejo no inferno. Disse sorrindo. Ela garantiu para que ele teria uma morte longa e angustiante, como a sensação que ela teve quando o teve por cima dela, a violentando.

Por toda a ajuda que Dulce forneceu ao Cris durante os dias em que esteve no cassino, ele se sentiu no dever e obrigação de ajuda-la no que havia prometido, na única condição que ela impôs. Por não querer que Dimitri desse um jeito ou arranjasse uma forma de escapar, o mantinha atento a tudo que acontecia com ele desde o momento em que esteve no hospital e soube do que tinha acontecido, sua promessa com Dulce estava na hora de ser cumprida. A ajudou a entrar no presídio e ter acesso a enfermaria, ela teria cinco minutos, coisa que ela garantiu que seria suficiente, ela disse com amargura a seu novo amigo do FBI que Dimitri tinha gozado dentro dela com pouco menos de cinco minutos, então aquele tempo seria o suficiente.

Se ela estava feliz? Claro que estava. Ucker tinha se tornado muito mais que um namorado, mas as coisas que ela vivenciou ficariam gravados em sua alma para sempre, por mais que superasse e seguisse em frente, aquela parte do passado ainda estaria lá, e aquele Dulce, aquela garota sonhadora, feliz e cheia de pureza e altruísmo, merecia vingança, merecia ser vingada pelo dia em que se perdeu, em que foi tomada pela dor e escuridão, isso não poderia ser deixado para trás, por isso ela sabia o que queria e o faria.

Se aquilo pesava em sua consciência? Pesava, mas era muito mais que uma vingança, era uma necessidade. E nem Ucker, Cris, Anahí ou qualquer outra pessoa a poderia julgar por aquilo. Ela tinha matado duas pessoas, isso jamais seria esquecido. Um crime? Sim, com certeza. E para muitos será que era justificável que ela o fizesse depois do que tinha passado? Cada um sabe sua dor, cada um tem sua forma de lidar com as coisas, mas os amigos não a entregariam, porque tudo o que ela fez foi pelo que passou e seria justo condenar aquela jovem que a muito já tinha sofrido?

Ucker não julgou, não repreendeu, entendeu que ela precisava daquilo, ainda que não concordasse, era a escolha dela, cabia a ele respeitar, por isso quando ela voltou, ele só a abraçou e deixou que ela chorasse. Ela não chorava pela morte de Dimitri, ela chorava pelo misto de sensação que aquilo causava dentro dela.

Ucker: Shiii! Eu estou aqui, estou do seu lado e nada nem ninguém vai mudar isso.

Dulce: Obrigada. Disse ainda abraçada a ele. Ela tinha encontrado muito mais que um parceiro para dividir a vida, tinha encontrado um porto seguro.

Já em um outro bairro da cidade Anahí encarou Alfonso ainda com o celular nas mãos.

Alfonso: E então?

Anahí: Está feito. Acabei de falar com o Cris. Ninguém viu nada e nem sabe de nada, ele mesmo garantiu isso.

Alfonso: E ela?

Anahí: Está lidando, com tudo. Alfonso assentiu. - Como você se sente sabendo que ele está morto? Afinal você conviveu um pouco com ele.

Alfonso: Não convivi, tivemos poucos encontros. Não sinto nada, porque ele não é uma pessoa que mereça qualquer sentimento, seja ele qual for. Ela assentiu. - A única pessoa que sentirá a falta dele será Diana. Anahí fez um expressão de dúvida.

Anahí: Não sei se ela é capaz de sentir qualquer coisa. Aquilo lá é uma bruxa sem coração. Ele riu.

Alfonso: Vem cá, minha ciumentinha. Disse a abraçando por trás. Ele ficou encontrado na cabeceira da cama enquanto tinha uma Anahí entre suas pernas, os dois ali abraços. Ela encostou a cabeça em seu peito e sorriu quando o sentiu acariciar sua barriga e como já de costume Letícia chutou, sentindo o carinho do pai.

Só que Anahí estava enganada, quando diretor da penitenciária a chamou para comunicar a notícia, ela chorou, gritou, quis quebrar tudo a sua volta. Seu pai estava morto, e apesar dele ter sido uma pessoa horrível, por incrível que pareça ele tinha sido um bom pai, um pai solteiro que tentou ser o melhor possível. Contrariando toda a lógica que existe. Agora, de fato, ela estava sozinha no mundo  e em nada melhorava saber que seu pai tinha sido estuprado, espancado e envenenado. Ele tinha sofrido antes de dar o último suspiro e  saber aquilo só a deixava ainda mais revoltada e entristecida.

- Sinto muito pela sua perda. Mas não pode ficar muito tempo fora da sua cela. Disse o diretor. Diana foi direcionada de volta a sua cela e por lá ficou em um choro de soluçar.

O sofrimento chegava a todos. E agora ela sabia e sentia isso.

A Protegida ✓Histórias para pegar e não largar. Descubra agora