Terminei o jantar e ajudei minha mãe na cozinha, finalmente estava jogada em minha cama com meu celular em mãos. Primeiro mandei uma mensagem para James, precisava saber como ele estava, mesmo que ele fosse aparecer em minha casa amanhã de manhã. Enquanto esperava por sua resposta, decidi falar com Tessa, não consegui parar de pensar nas hipóteses do que ela faria amanhã, será que ela passaria o natal sozinha?
Ela começou me perguntando como eu estava, fazendo eu sentir aquela sensação de culpa de novo, cada vez mais forte. Eu não aguentava mais pensar no fardo que eu estava sendo para ela. Respondi aquele educado "tudo bem" e logo mudei de assunto, falando sobre o natal.
Izzy:
"Minha mãe está completamente maluca com o Natal. Tinha esquecido como ela surta nessa época do ano! Hahahaha"
Tessa:
"Acho que todo mundo surta um pouco... Hahaha Mas ainda bem que você falou do natal, quero te ver amanhã! A gente pode sair para tomar alguma coisa..."
Izzy:
"SORVETE!"
Tessa:
"QUALQUER COISA, MENOS ISSO!"
Izzy:
"NÃO!"
Tessa:
"Estou começando a ficar seriamente preocupada com a hipótese de você ter uma overdose de sorvete."
Izzy:
"Isso nem existe!"
Tessa:
"Ainda***"
Izzy:
"Exagerada..."
Tessa:
"É um dos meus charmes!"
Sentia um sorriso aparecer em meu rosto. Tessa e eu implicamos mais um pouco até conseguirmos marcar um lugar e hora, iríamos a uma cafeteria na Paulista, no final da tarde, Tess me prometera que lá não vendia apenas café e que eu teria o meu achocolatado. Já estava tarde, mas James ainda não me respondera, o que estava me deixando ainda mais preocupada.
Tessa avisou que precisava dormir, concordei dizendo que eu também iria, mas assim que ela foi embora, percebi algo se agitar dentro de mim, como se eu tivesse algum bicho preso em minha barriga, lutando para fugir. Eu precisava falar com Jem, algo não parecia certo. Considerei ligar para ele, mas temi aborrecê-lo com isso. Talvez James já estivesse dormindo, por isso ele não respondeu. Longos minutos se passaram comigo andando de um lado para o outro do meu quarto, enquanto tentava me convencer dessa hipótese.
Frustrada, desisti e me joguei em minha cama de novo, segurando o meu celular. De repente, embaixo de seu nome apareceu um "digitando". Pulei e me sentei, encarando o aparelho em minhas mãos.
...
- NÃO, MÃE! – Gritei no telefone, o ano estava acabando e ela ainda não conseguia aceitar que eu não iria voltar para a faculdade.
- JAMES MORAES, VOCÊ VAI VOLTAR SIM, SENHOR, PARA A DROGA DA FACULDADE! NÃO CRIEI FILHO PARA SER VAGABUNDO!
- NÃO VOU, NÃO! – Sentia minha respiração completamente desregulada e minha visão escurecer.
- E O QUE VOCÊ PRETENDE FAZER COM A PORCARIA DA SUA VIDA?!
- O QUE EU QUISER!!! PORQUE A VIDA É MINHA!!! – Precisei me sentar para não cair. Eu não sabia exatamente o que eu queria e isso era desesperador, mas sabia que eu não voltaria para aquele lugar.
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A Anatomia do Cacto
RomanceEm algum cemitério da capital de São Paulo, uma menina despede-se pela última vez de sua melhor amiga, o amor de sua vida. Seu coração está quebrado, vazio. A culpa a consome. Izzy não sabe o que fazer, para onde ir, de repente ela está completament...
