Capítulo 12

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Dante mostrou-se uma pessoa muito divertida. Por baixo daquela carranca e pose de mal, existia um homem alegre e engraçado. Depois de duas tequilas e algumas cervejas, Dante começou a contar piadas, aquelas bens ruins mesmo, fazendo-me gargalhar até a barriga doer. Ficar perto dele mostrou-se algo fácil, e pude entender porque Romeo apreciava sua presença. Ele sabia ser firme, frio, impassível e impiedoso, como os homens de dentro da máfia devem ser. Mas fora dela, ele era um homem comum, que gostava de jogar conversa fora e viver o melhor da vida.

- Agora entendo porque Alessa gosta de você. - Falei, bebendo um pouco da cerveja.

- Alessa non gosta de mim. - Respondeu, balançando sua garrafa.

- Já percebi como vocês se dão bem, apesar das provocações. - Levantei o olhar, encarando seus olhos castanhos. - Além do mais, vi como ela te olhava no casamento.

- Bem, non faz diferença. - Sua voz saiu baixa, triste. - Nunca vai rolar nada. Ela é uma Sartori e eu sou só um grande amigo do irmão, um soldado.

- Isso non é justo.

- A vida non justa. - Deu de ombros, bebendo sua cerveja.

Seu celular tocou, interrompendo nossa conversa. Ele tirou o aparelho do bolso e olhou para a tela, antes de me encarar.

- Romeo? - Ele confirmou com a cabeça. - Atenda, antes que ele ponha a cidade abaixo atrás de mim.

- Pronto. - Dante atendeu e olhou em minha direção. - Sì. Ela está segura. - Eu podia ouvir o burburinho da voz de Romeo pelo aparelho. - Ela queria sair, estamos em um bar no centro. - Silêncio. - Va bene, ciao.

- Deixe-me adivinhar, - falei encarando-o desapontada - Romeo quer que eu volte agora.

- Esattamente. - Respondeu e abriu um largo sorriso. - Mas, podemos dizer que o bar era longe e, como bebemos, voltamos a pé. - Lançou-me uma piscadinha.

- Você é o melhor! - Saltei por cima da mesa, abraçando-o. - Dos tequilas más! - Gritei para o garçom.

- Muy bien. - Dante riu. - Já pode se embebedar na Espanha sozinha.

- Prefiro com os amigos. - Respondi, levantando a tequila para o brinde.

                                                                                    ***

Quando chegamos ao hotel, minha barriga doeu. Senti um frio no estômago e não era aquele dos bons. Parei e segurei o braço de Dante.

- Só mais cinco minutos. - Pedi.

- Helena, você sabe que em algum momento vai ter que entrar e enfrentá-lo, non sabe?

- , eu sei. - Suspirei, tomando coragem. - É que aqui fora, sou apenas uma garota que estava se divertindo com um amigo. E lá dentro...

- Você é a mulher de um mafioso mal encarado. - Dante brincou.

Sorri tristemente. Dante se aproximou e me abraçou forte, esmagando meus ossos.

- Olha, - disse, chamando minha atenção - Romeo é um cara legal. Ele só non sabe controlar o gênio muito bem.

- Por quê todo mundo me fala isso?

- Porque é a verdade. - Respondeu sério. - Coisas ruins aconteceram com ele e ele non sabe lidar direito com as coisas boas que estão vindo. - Dante me olhava fundo e eu sabia que ele não estava falando da boca pra fora. - A iniciação de Romeo foi diferente, digamos assim. Algo muito ruim foi feito e ele acabou desenvolvendo uma espécie de dupla personalidade, pelo menos é o que eu penso.

Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)Onde histórias criam vida. Descubra agora